Obituário Matinhense

Obituário Matinhense

Autor João Carlos

Hoje, dia 2 de novembro, Dia de Finados, acordei lembrando Papai, Juvêncio Capijuba, do cheiro (cheiro?) do seu molheiro, das batidas no flandres quando preparava as lamparinas, das suas canções, das pescarias de anzol no igarapé.  Lembrei-me das histórias (causos) de Miguel Brito, do carinho de tia Terezinha. Da carne vendida por Machado, de Nézio Jaburu, o maior pescador que conheci. Do bilhar de João Lima, da voz de Ribamar de Nhozão, de Corujinha, das articulações de Juarez Costa, e da calma de Antoninho Costa: meus amigos, de Zé Aroucha, estrategista, da bela caligrafia de Antonio Pedro Brito, Dr. Araújo, Nhonhô Barros. De tia Ana e Vicente Teixeira, Misael, de Manoel Teixeira, Marisa e Flávio Moraes, e sua relação de amor e ódio com Ana Rita no hospital, João Perna, Luis Dotô, Tatá e Maria Baixinha, Baiardo, Zé Pecuapá.  

Lembrei Cantidio, Tatico, Gordura, Roberval, Pitoca. Das pregações de Zé Conceição, dona Vicência, Romana, Zé Carlos, Seu Alcebíades, Marcos Aires. Do amem tríplice do Rev. Amaral: inigualável. Do amor e do carinho do Rev. Adiel por minha família, do futebol de Zé Raimundo de Jiruca, Maria Teixeira, Manduca e Puca, Antonio Augusto, Antonio Rola e Antonio Bolinha, tio Raimundinho de Belas Águas, Zé Raimundo Legó, João Neto, Leonardo, João de Mico, Forra Preta, Paturi, Janeiro, Silvino Rodrigues, e suas impagáveis gargalhadas nos velórios, João Diba,  Durvalzinho, João Gaguinho, Walbinho de Olinda, Teodomiro, Zé Preto, Diolinda, Belinha Soeiro, Floripes, Zé Pedro de Ventura, – de Bastião do Mangá, Venceslau do Galego e Barroso, – os três Sócrates de Matinha (quem conhece Filosofia Antiga, apreende).

Lembrei de Isaias Irara, Prisco do São Raimundo, Lalau, (ou Chico?), – todos conhecemos a piada-, Lidoca, Zé Maria de Itans, do conhecimento de Aderson, Didica, Zé Rico, Barnabé, Joaquim Tangará e João Costa, da Boa Fé. Tio Heráclito, – João Pombeiro, Seu Jerônimo, Maçica, Zé Meireles, Siriaco, chamado de fueiro, D. Angela, Teodomiro Penha, Mundiquinho Viana, Pereira da usina, Apolinário, Crispim: fui longe-. Santinho de Chico Quatrolho, Ataíde, “talihoo”, Raimundinho Barata, do caminhão de Juca Amaral, Titinha, Aniquinha, Zilda, Justina.

Lembrei das partidas de xadrez com Eldo RoneLuis e Matias Sousa, Silvestre Mendonça. Das Toyotas de Eugênio Furtado, Dioclécio Galvão, Jorge Galvão, Ademir e João Soldado, Joquinha, Clistenes e Raquel Amaral, Débora, Dolores, Léia, D. Glaci, Zé Morgado, Dico Solha, João Berredo, Dudu Mota, Zé da Caema, meu compadre, João Preto, Brás e Marcelino Costa, Doninha, Bima, Santoca, Henrique, Livramento, Nonato Padeiro, Getúlio, Oscar, Zé Fininho, Zé de Teotônio, Jeferson e Bajeba, Zé Borges, Joventina, Joca e Ana Maria de Aliete, Mambó, Pupu, Edgar, Domingos Marques, Raimundo Pito, Zeferino Farinha Boa, Raimundo Cutrim, Teodora e Nonato Costa, Mundico Lima, D. Nhadica e Rita. Ainda, João de Dico e Das Dores, Tio Barbosa, Aquino, Augusto de Afra, Escolástica, Nazaré de Chico e Nazaré de Lucilia, Maria Euzébia, Daziza, e suas mãos abençoadas.

Lembrei de Zé Prego, Adofina, do gosto musical de Gedeão, Juvencinho, meu” Mano”, João e Onésimo de Desidério, Zé Pedro de Chico e Neném de Bijoca, trocadores de cavalo. Dedé Cofo e João de Nem, Antonio Joacy, Zeruia e Dedé, Flávio Penha, Cel. Eurípedes e suas tiradas, Nego e sua mãe Ducarmo de Beatriz, Onésimo Tinga, Ribamar Ribeiro e suas sacadas “geniais”. De meu compadre Dominguinhos de Boa Fé, Valdo,  Joca Quarenta, Carlos Cesar, Marcio Amaral, Claudio, Saco Jr, que pra mim era  “Zaco Jr”, de Demóstenes.  Dos “palavrões” de Wilson,  Benedito de Grisosto, Augusto Teixeira, do trombone de Costinha, Nonato e Dondom, João Heráclito, (“Bolinha”) e meu companheiro do xadrez, Hercules. Das duas Mudas e o Mudinho, Cirilo Mendonça, Joaquim Bocá, Manoel Costa da Campina, Zé Berredo Novo e  Velho, Carrapicho, D. Roxa, Domingos Serra, Rubem e Regina, Abraão do Coroatá, Sivirino, Maneco Sena, Seu Dico Sena, Benedito de Osvaldo, e sua alegria em falar de política, Cherré, Chengo e Ribamar Fofinho, Canem, e sua lancha, D. Raimunda Furtado, Mundiquinho Ribeiro.

Lembro de Dr. Messias, amigo, companheiro, Tancredo Ferreiro, Dona Biluca, Ribamar Pinguinho, Benito, “Arroiz de Pranta”,  Leonice, Zé Furtado, D. Joana e  Boaventura, contador de causos, Benedito Veloso, D. Jerusa, Carpina, Nilo, D. Tonica,  Chinga,  Ulisses Silva, Gaida, João Diniz, Manoel Silva, Rocha. Da D-20 de Zezé Veloso, Raimundo Leal,  de Camu e Norberto, amigos  e anjos da guarda de papai. De tio Sinhozinho,  Babita, Coronel, Maria Berredo, primeira professora,  D. Aliete, Coló, Matico, tia Ninita, Zé Oliveira, Lucas Seixas, Anastácio, João Barqueiro, Ana de tio Barbosa, Netinho, Ninrod Cutrim, Jackson, Pretinho e Gilvan, Binas e Saint Clair de  Itans, Zezeca de Ilha Verde, Nicácio, Gonzaguinha, Chiquinho, Duduzinho,  Antonio Fonseca,  Chucheta, Vico, Professora Didi,  Canguelo,  Zé de Lelis, Nizinha, Valderez, mais que amigas, irmãs, de mamãe. Pixilau, D. Raquima, Juju Silva, Abraão e Bastião de Bita, D. Josefa, Raimundo Abel, Raimundo Silva Costa, João Soeiro, Domingos Ferreiro, D. Noeme, Alberice, Justino Cutrim, e sua celebre frase do tanque, D. Pedrolina, Ulisses motorista, Ivanildo Sousa, Geraldo, Zé Maria Serra, Sisnandes, Paulo Gogo, Borel, tio Gregório Ferreiro, Rogenis e Rogivaldo, Tutuca.

Por último, mas não em último lugar, minhas duas mães: Ana Rita, Mãe Ita, Them, (assim eu a chamava), – nunca entendi o porquê-, a pessoa mais despojada que conheci, fazia da profissão um sacerdócio, atendia a todos, independentemente de cor, religião ou condição social e financeira, adorava o que fazia. Indescritível sua dedicação e amor ao próximo. Vereadora por três legislaturas, seu slogan era “A amiga certa das horas incertas”, nada mais verdadeiro.  Conduziu à vida, segundo meus cálculos , mais de 4 mil crianças, não lembro nenhum óbito de alguma mulher grávida. E Maria de Lola, minha mãe biológica, uma leoa na defesa dos seus, um amor devotado, paixão sem limites, palavra de afeto sempre nos lábios, vida dedicada aos filhos, marido e a Deus. Sem contar o peixe no leite de coco, feito por ela, imitado, mas nunca igualado.

Devo ter esquecido muitos nomes,….  Mas esses que citei, são personagens da minha infância, mocidade e também da fase adulta. Ficaram como diria Carlos Drummond de Andrade: “… Na vida de minhas retinas tão fatigadas”. Também no coração. Lembranças indeléveis, reminiscências abençoadas, contraditórias: tristes e belas recordações.  A eles, seus descendentes, amigos, saudosistas como eu, minhas sinceras homenagens.

A Luz Elétrica

A Luz Elétrica

Autor Aroucha Filho*

O ano era o de 1960, à frente do executivo municipal, o prefeito João Amaral da Silva, Juca Amaral, o segundo prefeito da emancipada cidade de Matinha, que em esforço hercúleo buscava consolidar a feição da recém-nascida cidade, fazer igualar-se às suas vizinhas Viana, cidade mãe, e Penalva, estas mais antigas e de referência. Viana e Penalva já ofereciam o serviço de iluminação pública aos seus munícipes no período noturno, até às dez horas da noite.

Juca Amaral, grande protagonista da emancipação política de Matinha, agora como prefeito, queria dotá-la de todos os serviços públicos possíveis para contemplar os habitantes daquela cidade em formação. Com esse propósito assumiu o desafio de implantar a “Luz Elétrica’, na cidade de Matinha. Um grande desafio.

As dificuldades iam desde os recursos para adquirir os equipamentos de geração de energia, caríssimos, até a logística de transporte para levá-los de São Luís à Matinha. Nessa época não haviam estradas de acesso à Baixada Maranhense, os transportes de passageiros e cargas eram feitos por barcos e lanchas.

Adquirido em São Luís o grupo gerador, um potente conjunto das marcas MWM/WEG, que geraria a energia elétrica para acender as lâmpadas e inserir Matinha no status das poucas cidades do Maranhão que possuíam “Luz Elétrica”. Ainda tinham outros desafios a serem vencidos.

Discutida a logística de transporte, passou-se ao planejamento da operação. O grupo gerador foi seccionado, desmontado o conjunto, separado o motor do gerador para facilitar o embarque/desembarque e transporte desse pesado equipamento até o seu destino final. O transporte foi feito em lancha que atracou em Ponta Grossa, dali transportado em carros de boi até Matinha. Tudo, carga e descarga, feito em braços de homens.

À espera do grupo gerador, o prefeito Juca construiu um abrigo, que chamávamos de “Usina”, edificada bem ao lado do antigo Mercado. O maior desafio seria montar e operar esse equipamento, Matinha possuía nessa era, apenas dois motores à explosão, de propriedade do Sr. João Amaral, um utilizado no pilador de arroz, o outro movia o caminhão marca Ford, modelo 1949. Tinha que importar mão de obra. Para tanto foi contratado o mecânico Pereira, extremamente competente, senhor simpático que facilmente foi acolhido pela população, fixou residência, e vários dos seus filhos nasceram ali.

A rede elétrica para distribuição da energia, composta de duas fases e um neutro, em fios 100% cobre, era apoiada em postes de madeira de lei, lavrados a machado, provenientes da Mata do Bom Jesus, de propriedade do prefeito Juca Amaral, que abnegado e com grande altruísmo, uma das suas várias virtudes, forneceu em doação toda a madeira necessária para o posteamento. Gesto de estadista.

Obstáculos heroicamente superados, tudo pronto, imensa ansiedade no aguardo do grande dia, a luz elétrica era o assunto de todos. A autoestima dos matinhenses estava em alta.

Dia do marcante evento, a inauguração da “Luz Elétrica”, população eufórica. Não lembro a data. Lembro que a festa foi merecidamente grande, uma majestosa noite para ficar marcada na história de MATINHA. Foi um grande banquete, com muitos e variados quitutes, rojões soltados pelo Sr. Elpídio, orquestra tocando, todos os olhos voltados para as lâmpadas alojadas em modestos abajures em formato de prato, branco leitoso na parte côncava e verde na parte convexa. Ao acionar a chave da luz o prefeito João Amaral da Silva poderia ter dito: FIAT LUX ELECTRICA. Não lembro suas palavras. Lembro do seu largo e angelical sorriso.

Na minha tenra idade vivi e guardei na memória todos esses detalhes, até a dificuldade que tive para me desfazer de uma azeitona que acompanhava uma das iguarias servidas no banquete. Não conhecia, provei e não gostei. Matinha definitivamente tinha cara de cidade, de dia e de noite.

PS: A luz elétrica funcionava somente no período noturno, acendia no início da noite e apagava às 21:30h. Às 21:00h piscava duas vezes, era o que denominávamos de “sinal”, indicava que apagaria em 30 minutos.

* José Ribamar Aroucha Filho (Arouchinha) é natural do município de Matinha-MA, Engenheiro Agrônomo aposentado do INCRA, exerceu os cargos de Executor do Projeto Fundiário do Vale do Pindaré e Executor do Projeto Colonização Barra do Corda. Ex Superintendente do INCRA Maranhão. Foi Superintendente da OCEMA e Chefe de Gabinete da SAGRIMA.

OS SINOS

OS SINOS

Autora Gracilene Pinto*

Do outro lado da Praça

Escondida no arvoredo,

Onde os poetas com graça

Entoam trovas sem medo,

Está a velha igrejinha,

Com sua torre secular,

Dedicada a São Vicente,

O pregador de além-mar.

Branca, linda, pequenina…

E os sinos a bimbalhar

Tem alegria de menina

E singeleza sem par.

Sua voz ecoa no campo

Enfeitado de aguapé

Penetra nos corações

Renovando a nossa fé.

O MERCADO

O MERCADO

Autor Aroucha Filho*

Verdadeiramente um mercado moderno, bem construído e funcional, bela fachada. Era, sem dúvidas, o melhor mercado da região, em todos os aspectos.

Na década de 50, na gestão do Prefeito Aniceto Costa, primeiro prefeito eleito de Matinha, portanto no início da emancipação política do município, período das obras estruturantes tão necessárias para a sede do município adquirir a feição de cidade, foi construído o Mercado Municipal de Matinha.

O mercado apresentava-se como uma obra bastante avançada àquela época, tanto pelo aspecto arquitetônico, como pela concepção urbanística. A localização escolhida foi o centro da cidade, buscando equidistância de percurso aos frequentadores daquele importante logradouro público.

O conceito arquitetônico da obra, optou pelo formato geométrico de um quadrilátero, com acesso pelos quatros lados, possibilitado por amplas portas em arcos, no centro de cada lado. Chamava à atenção a sua fachada simétrica, igual em qualquer ângulo de visão frontal. Quatro faces iguais. Destaque ao telhado com quatro águas invertidas, isto é, a queda d’água era para a parte interna do mercado, em um quadrado de piso rebaixado, essa área era descoberta e bem no centro existia um poço, devidamente revestido com tijolos compactos, com poial e tampa de madeira.

O destaque, da bonita fachada do prédio, era o “platibanda”, recurso da arquitetura moderna, que permitia embutir, encobrir a vista do telhado. A primeira obra em Matinha com esse recurso da arquitetura.

O ponto alto dessa simbólica obra foi a funcionalidade projetada, concebida para esse período tão remoto. A começar pela localização na parte central da cidade, edificado quase no centro de um grande espaço vazio, hoje Praça Juarez Silva Costa, antes, Praça Professora Etelvina Gomes Pinheiro. Diz-se que a edificação não ocorreu no centro desse espaço para não sacrificar um frondoso pé de bacaba (Oenocarpus bacaba ), ali existente. Demonstração de avançado sentimento de preservação ambiental.

O prédio era circundado por uma larga calçada, em torno de dois metros de largura. Em razão do desnível do terreno o lado que ficava voltado para a praça, a calçada era alta com degraus. Nos quatros cantos, face externa, tinha espaço reservado para lojas, mercearias ou quitanda como denominávamos esse tipo de estabelecimento comercial. Eram espaços razoáveis, com uma porta de cada lado. Pela parte interna, em cada canto, ficavam os cortes, açougues, destinados à venda de carne verde (bovina e suína) e pescados. Os ambientes eram equipados, com ganchos, mesa, balança com conjunto de pesos e uma tora de madeira onde os açougueiros com a ajuda de machado de cabo curto, cortavam os ossos das rezes em desmonte.

Açougueiros que a memória alcança, trabalharam no mercado, os senhores: Seixas, Maneco Sena, Machado, Domingos Serra, Zé Sena (Zé de Maneco).

* José Ribamar Aroucha Filho (Arouchinha) é natural do município de Matinha-MA, Engenheiro Agrônomo aposentado do INCRA, exerceu os cargos de Executor do Projeto Fundiário do Vale do Pindaré e Executor do Projeto Colonização Barra do Corda. Ex Superintendente do INCRA Maranhão. Foi Superintendente da OCEMA e Chefe de Gabinete da SAGRIMA.

A importância do Centro de Lançamento de Alcântara para o Brasil

A importância do Centro de Lançamento de Alcântara para o Brasil

Algumas reflexões sobre o significado da vinda do PRESIDENTE DA REPÚBLICA À ALCÂNTARA.

Autor Expedito Moraes*

Bom dia Conterrâneos baixadeiros. Hoje são 11 de fevereiro de 2021.

1. No ano passado o FÓRUM DA BAIXADA foi gentilmente recebido pela direção do CLA – CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA, em Alcântara, eu, ANA CREUSA e ALBERTO MUNIZ e tivemos a companhia do Coronel TAVARES quem empenhou-se para que nossa visita acontecesse e durante toda manhã e tarde tivemos oportunidade de conhecer toda a estrutura e o plano de implantação do CEA – CENTRO ESPACIAL DE ALCÂNTARA. Ficamos impressionados com o imenso projeto já implantado, não só pela estrutura física, mas sobretudo, pelo elevado espírito de comprometimento daquela guarnição com o projeto e com o BRASIL. É contagiante, estimulante passar um dia num ambiente daquele onde fala-se com firmeza, com fé inabalável em conquista, em conhecimento, em êxito;

2. Aqui fora, ouvimos alguns representantes falarem em convênios com Universidades, centros de excelências tipo: ITA e na parceria com os ESTADOS UNIDOS;

3. Especula-se a importância do CEA como motor de disseminação de conhecimento, pesquisa e tecnologia na Região além de outras formas de transformação;

4. Surpreendentemente, leio nas redes sociais – não sei da veracidade – que algumas organizações sociais, universidades e outros, encaminharam um documento ao Presidente Americano solicitando a suspensão do acordo com o Brasil no que se refere à Base de Lançamento. Se verdade, parece serem as mesmas pessoas que consideram ou consideravam a USA um país imperialista;

5. Posicionamento como este, no meu ponto de vista, demonstra a imensa distância entre um povo desenvolvido e um outro subdesenvolvido incapaz de perceber que suas mazelas são frutos de anos e anos sem estudo, sem conhecimento científico, sem prática, sem eficiência e automaticamente dependente tecnológico. A demonstração? Ora, visível e sentida. Somos uma das 10 nações mais ricas do planeta e não somos capazes de produzir uma vacina do tipo da que estamos importando, imagine lançar foguete;

6. Por último, deveríamos regozijarmos por ter neste Estado um MEGA projeto tecnológico, tão importante que em menos de 15 dias possibilitou-nos receber, em função deste empreendimento, a visita de trabalho do MINISTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA, e hoje, DO NOSSO PRESIDENTE.
Seja BEM-VINDO JAIR BOLSONARO, presidente de todos os brasileiros ao MARANHAO.

*Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021).

Vai cover na roça

Vai cover na roça

Autor Expedito Moraes*

“A única coisa que sabemos sobre o futuro é que ele será diferente” Peter Drucker.

Para nós, baixadeiros, a expressão “vai chover na minha roça” significa a certeza que de que haverá fartura. É a garantia de boa colheita. Da mesma forma, costumamos usá-la quando vislumbramos uma oportunidade de ganhar dinheiro, obter melhoria e prosperidade.

Entretanto, para que haja fartura, o pedaço de terra precisa estar roçado, capinado, destocado, limpo e cercado, para quando as primeiras chuvas caírem ter início o plantio. A colheita, para ser boa, depende de planejamento, ainda que mínimo, e noção das condições naturais. Vários fatores devem ser observados antes, durante e depois do plantio. O roceiro ou lavrador, em primeiro lugar, precisa definir o que vai plantar e para isso precisa saber o que “vai dar dinheiro” na próxima safra. Se não tiver uma boa semente e quantidade necessária para produzir o quanto deseja, terá que comprar.

Ter um pedaço de terra “que tudo dá” é fundamental. Precisa saber o momento exato do plantio e evitar pragas e ervas daninhas. E, finalmente a colheita, o armazenamento e a comercialização. Enfim, o lavrador, para fazer uma roça e ser bem sucedido, depende de um certo aprendizado. Aprendizado este passado de pai pra filho.

Precisamos, urgente, aprender a produzir mais e melhor. Para mudar, precisamos fazer o que sempre fizemos de modo diferente. Precisamos de novos conhecimentos, tecnologia e eficácia. A busca da produção eficaz implica em constante aprimoramento do processo produtivo. E isto só é possível por meio de conhecimento, capacitação e vontade firme para quebrar paradigmas.

Bill Gates afirma que, para se ter sucesso nos negócios, basta perceber para onde o mundo se dirige e chegar lá primeiro e Adam Smith dizia que a geração de riqueza de uma nação depende do desenvolvimento e crescimento econômico de cada cidadão.

A nossa roça são as microrregiões da Baixada e Litoral Ocidental, esse imenso território que vai receber “chuva” de investimentos nos próximos anos. Bilhões de reais serão investidos em projetos grandiosos. Anunciam o CEA-CENTRO ESPACIAL DE ALCÂNTARA, o TAP-TERMINAL PORTUÁRIO DE ALCÂNTARA, a BR-308, a PONTE LIGANDO BACABEIRA A CAJAPIÓ, OS DIQUES DA BAIXADA e outros que serão agregados a esses MEGAS PROJETOS. Sonho? Com certeza, não.

Este texto eu publiquei há mais ou menos 2 ou 3 anos. O objetivo era alertar para esta realidade. O Fórum da Baixada, no final de 2019, já procurando antecipar-se à implantação destes projetos, iniciou um processo de Cooperação Técnica com a UFMA (criamos um Grupo de Trabalho); no Centro de Lançamento de Alcântara fomos gentilmente recebidos em visita técnica e iniciamos tratativas de parcerias; estamos permanentemente acompanhando o processo de elaboração do projeto dos Diques da Baixada junto à CODEVASF. Fala-se em criação de consórcios de municípios em várias regiões, nos parece bom.

OBS: Nesta semana o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes, esteve em São Luís e ouviu isto da FIEMA, leiam a matéria seguinte: https://globoplay.globo.com/v/9244852/

Reunião do FDBM e UFMA

Visita do FDBM ao DNIT

Visita do FDBM ao Centro Espacial de Alcântara

*Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021).

A INVASÃO DO MAR NA BAIXADA

A INVASÃO DO MAR NA BAIXADA

Autor Expedito Moraes*

Nesta região existem apenas duas estações bem definidas, uma chuvosa (de janeiro a junho) que chamamos de inverno e outra seca (de julho a dezembro) que chamamos de verão. Na época chuvosa ou cheia, nossos rios que são muitos (temos nove bacias hidrográficas no maranhão), inundam parte do território por onde passam. Entretanto, como diz o próprio nome, a região da Baixada, em alguns trechos, é mais baixa que o mar.

No período das enchentes, as águas são despejadas, através dos rios e igarapés no mar. Ocorre que entre agosto e novembro os leitos destes rios e igarapés estão extremamente baixos e nas fazes de lua cheia e lua nova, as marés na baia de São Marcos, atingem até 8 metros de altura (uma das maiores do mundo), entre baixa mar e preamar, e avançam de rio a dentro, invertendo a corrente e elevando o volume de água nos rios e igarapés, parece um pequeno tsunami. Através destes leitos secos invadem os campos. O desequilíbrio ambiental é enorme.

A água salgada já deixou um rastro, em alguns lugares, de mais de 30 quilômetros de campo a dentro. Novos seres tomaram os lugares das capivaras, jejus, traíras, patos, japiaçocas, marrecas, tarumãseiros, criviriseiros, etc. Agora é comum, caranguejos, mangueiros; parece terra arrasada.
Essa é uma das razões e necessidades da implementação dos DIQUES DA BAIXADA.

*Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021).

Inácia Rosa Pereira Amorim

Inácia Rosa Pereira Amorim

Nasceu em 31/07/1939, casou-se aos 21 anos com Jair Amorim, um homem do campo, mãos e pés calejados e rústico com o qual teve seis filhos tendo que enfrentar os conflitos inerentes a vida a dois.

Filhos: Eni do rosário Pereira Amorim, Laurijane Pereira Amorim (Nita), Sílvia de Ribamar Pereira Amorim (Cici), Jair Amorim Filho (Jacó, Jacolino, Jacó Bala) Cristina Maria Pereira Amorim (Cris), Evandro dos  Santos Pereira Amorim (Vando). Tem 08 netos e 05 bisnetos

Uma mulher de estatura pequena, personalidade forte; desde muito pequena quando veio ao mundo teve que enfrentar os reveses da vida que marcaram seu destino.

Perdeu a mãe com apenas quarenta dias de vida, tendo sido criada pela sua avó materna, seu pai e suas tias em uma época aonde havia muitas dificuldades naquele dado momento histórico; se compararmos com os dias atuais.

Mas a sua garra e perseverança a impulsionaram a construir sua história.

Estudou até a quarta série que era oferecido na época, aprendeu a ler e a escrever e sabe a tabuada na ponta da língua. Estudou corte e costura em Pinheiro com uma costureira renomada Carmerina Amorim.

Inácia apesar das dificuldades da época e com seis filhos para criar, não se deixava abater, estava sempre se reinventando. Era costureira, artesã (tecia redes de fio têxtil), Foi professora de costura em um dos projetos da LBA (Legião Brasileira de Assistência) um dos projetos conseguidos pela Paróquia São Sebastião com a ajuda de Padre Gérard Gagnon e Ana Lúcia de Almeida; fazia, horta e vendia as hortaliças orgânicas produzidas, fazia pastéis, bolos, cocadas e suquinhos tudo para venda e assim ajudar o papai nas despesas da casa. Quando a escassez de recursos era grande, muitas vezes dormiu com a barriga vazia para alimentar os seus filhos.

Acalentou um sonho no seu coração de que colocaria todos os filhos para estudar porque ela apesar de não ter tido a oportunidade, em sua sabedoria, conseguia definir bem a importância do estudo para iluminar os nossos rumos; e assim, atropelou as dificuldades para que seus filhos conseguissem estudar e trilhar seus caminhos por este mundo às vezes um tanto inóspito.

E todos os dias Mamãe, nós teus filhos, só queremos te agradecer pela tua perseverança, por cada incentivo, por cada oração, pelas torrentes de amor que derramas a cada um de nós mesmo sabendo que algumas vezes ferimos teu coração com a espada da ingratidão.

Obrigada pelas gotas de amor que derramas todos os dias em nossas vidas.

TE AMAMOS! Teus filhos.

(Biografia enviada por Eni do Rosario Pereira Amorim, presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense).

A Baixada é só uma, e uma só!

A Baixada é só uma, e uma só!

Autor Elizeu Cardoso

Desde que vi a nova regionalização do Maranhão que fiquei mudo. Perdi a fala, feito criança amuada, e ando meio empacado, não vou mentir, burro brabo que pode é apanhar, mas não arreda o pé.

Estava todo mundo lá na Baixada, povo de riso fácil e histórias de nunca acabar, e alguém teve a descabida ideia. Homens fechados em salas de vidro e ar modificado, com caneta e lápis, notebook, smartphone e gps, decidiram: A Baixada é muito grande, vamos subdividir!

De uma canetada levaram Alcântara, Bequimão, Bacurituba e Cajapió, para um tal “Litoral”, ao lado de Mirinzal, Central do Maranhão, Guimarães, Cururupu, Cedral, Porto Rico, Serrano do Maranhão, Bacuri e Apicum-Açu.

São meio tanso, né? Pensam que só porque uns têm rios e outros têm mar, o sal há de nos separar. Deixem de bobagens, doutores! O que nos une, eu nem queria, mas vou elencar:

– É a curacanga, bola de fogo que anda por tudo quanto é lugar. Nesse pedaço de terra todo mundo já viu, até as crianças que acabam de nascer, é só perguntar.

– É a travessia no ferry-boat. Quando a gente deixa a cidade grande e ri até com o vento, assim que avista o Cujupe, vem tudo no pensamento.

– É o quintal cheio de fruta, o poço e a cerca velha. Na mesa da cozinha duas comidas sagradas: Na hora do almoço e do jantar a farinha de mandioca, e no meio da tarde, todo mundo reunido tomando café preto e um bolo de tapioca.

– É a conversa na boca da noite, a rua é o quintal da gente. Os vizinhos são tudo irmão, os mais velhos tudo tios, e se ficar magro é doença, porque lá ninguém tem fastio. É manga, milho, abacate, araticum, jenipapo, bagre, tapiaca, muçum, caranguejo, camarão, sururu, acará, piaba e traíra.

Deixem como estava, sei dessa ciência um pouquinho. A Geografia é mãe, desde os gregos, que sempre acha um jeitinho. Já ouviram falar da velha que olhou a foto da neta e disse: Benzadeus, retrato é coisa que parece! Do outro que só andava em linha reta na sua bicicleta? Bastava chegar num canto que descia, para arrumar a direção? Do casal que criou um sapo como se fosse um filho? Do pistoleiro que acabou uma festa fazendo o som de tiro com a boca? De Dom Sebastião e seus cachorros andando na noite escura? Do vendedor de ovos que comprava e revendia pelo mesmo valor, apenas porque o trabalho enobrece o homem? Tudo coisas de lá.

Essas coisas não cabem em mapas, senhores, porque são cartografias das falas, dos risos, das memórias, dos cheiros, das cantorias, dos tambores e das festanças. A Baixada não cabe nem nela mesma, repare bem como a gente a leva para tudo quanto é lugar. Mas se ainda assim tiverem dúvida do que vos alerto e protesto, mandem uma pessoa dessas, de qualquer lugar falar. Bastará abrir a boca que vai sair de uma vez, pois por mais que falemos português, é a alma que determina, o nosso sotaque é baixadês!

O Clube de Leitura da Academia Perimiriense analisa mais uma obra literária

O Clube de Leitura da Academia Perimiriense analisa mais uma obra literária

Clube de Leitura “João Garcia Furtado da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) é um sucesso. No último dia 07/11/2020), mais uma atividade importante para discute sobre a obra O Meu Pé de Laranja Lima, com participação do professor doutor Ozaias Batista.

O encontro virtual foi realizado por meio da plataforma Google Meet e foi coordenado pela acadêmica Ana Creusa que explicou a metodologia do debate, apresentando todos os presentes na sala virtual, bem como fez um breve relato sobre o currículo do professor, Ozaias, com ênfase para seu amplo conhecimento sobre a obra objeto de debate, inclusive sua tese de Doutorado versa sobre o tema, cujo título é: Sonhos entre as páginas do meu pé de laranja lima: imaginação e devaneio poético voltado à infância.

Após a apresentação da escritora, a coordenadora do debate passou a palavra à professora Nasaré Silva que fez uma rica apresentação sobre vida e obra do autor do José Mauro de Vasconcelos que escreveu muitas obras como Arara Vermelha, Rua Descalça, Farinha Órfã, Longe da Terra, O Garanhão das Praias,  Rosinha – Minha canoa, (inclusive, essa obra foi usada num curso de português, na Sorbonne, em Paris. Entre tantas obras escritas e publicadas, nos atentemos mais em:  O Meu Pé de Laranja Lima, obra que se tornou um clássico da literatura brasileira, apresentada pelo Prof. Dr. Ozaias Batista.

Passada a palavra ao Prof. Manoel Barros que é gestor pelo Fórum da Baixada do Projeto Academias na Baixada, do cujo principal objetivo do projeto é fomentar a criação de academias populares no território da Baixada Maranhense, voltadas à cultura e à historiografia dos municípios.

Ato contínuo o convidada iniciou os debates, fazendo considerações interessantes sobre a obra, dando ênfase à imaginação do personagem principal da obra, Zezé, respondendo a vários questionamentos dos presentes.

O Projeto Clube da Leitura da ALCAP está avançado para se tornar referência no estímulo aos jovens e adolescentes no maravilhoso munda da leitura.

Conheça mais sobre o  Clube de Leitura João Garcia Furtado. Coordenadores do Projeto: Ana Creusa Santos, Eni do Rosario Pereira, Diêgo Nunes Boaes, Jessythannya Carvalho Santos, Maria de Lourdes Campos, Nasaré Silva e o aluno Paulo Silva, que recebem os parabéns e agradecimentos.