Com participação do Magnífico Reitor, UFMA e Fórum da Baixada debatem projetos para a Baixada Maranhense

Com participação do Magnífico Reitor, UFMA e Fórum da Baixada debatem projetos para a Baixada Maranhense

No início da noite de ontem, quarta-feira (16/09), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense reuniram-se por meio da plataforma virtual Google Meets. Representando a Universidade, participaram Josefa Melo e Sousa Bentivi Andrade, Saulo Ribeiro dos Santos, Li Chang Shuen Cristina Silva, Marcos Fábio Belo Matos e o magnífico reitor Natalino Salgado Filho. O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) foi representado por Expedido Nunes Moraes, Antônio Lobato Valente e Ana Creusa Martins dos Santos.

No dia 13 de fevereiro houve uma reunião presencial do Grupo de Trabalho UFMA-FDBM na sala da Pró-reitoria de Extensão e Pesquisa, Zefinha Bentivi, após os debates, foram definidas as prioridades de demandas e alinhamento das premissas para a construção de um plano de desenvolvimento viável para Baixada e Reentrâncias Maranhenses, com a finalidade de elaboração de um Termo de Cooperação Técnica entre a UFMA e o FDBM que contemple três eixos: ambiental, social e econômico (empreendedorismo). A partir daí houve algumas tratativas por telefone e grupo de WhatsApp.

A Pró-reitora Zefinha Bentivi apresentou os participantes pela UFMA e Expedito Moraes apresentou os representantes do FDBM.

A reunião de hoje teve como Pauta: 

a) tratativas para elaboração do Termo de Cooperação Técnica entre a UFMA e o FDBM;

b) criação do polo de empreendedorismo rural da baixada;

c) construção de um plano de desenvolvimento viável para Baixada e Reentrâncias Maranhenses e

d) definição e convocação de parceiros.

O debate foi girou em torno de Plano de Desenvolvimento da Baixada e Reentrâncias Maranhenses e envolvimento de um grande movimento para execução do Plano de Desenvolvimento da Baixada. Esse evento deverá culminar com o Seminário sobre Turismo e Alimentação, instalação do Curso de Pesca, do Polo de empreendedorismo rural da Baixada.

O projeto do empreendedorismo cultural e turístico que também foi discutido na reunião, seria uma exposição ou feira na Baixada e Floresta dos Guaras, envolvendo o Curso da Engenharia de Pesca em Pinheiro.

O magnífico reitor e demais participantes comentaram sobre os estaleiros artesanais de Cururupu, bem como:

– A existência de um termo de Cooperação Técnica da UFMA com outra entidade que pode ser usado como modelo para o Fórum;

– Existência de estudo sobre turismo;

– Implantação de Curso de Pesca na UFMA de Pinheiro;

– Existência de inventário cultural de Cururupu;

– Consórcio dos Guarás como parceiro;

O Professor Saulo falou que tem minuta do Termo de Cooperação Técnica que apresentará para as devidas modificações e que irão buscar apoio do Professor Valter Nunes, que é especialista em empreendedorismo.

O Fórum e a UFMA deverão promover eventos para dar publicidade aos agentes públicos, privados e organismos sociais, culturais sobre a aprovação do Termo de Cooperação Técnica que será celebrado entre as duas entidades.

Academia Perimiriense debate a obra “O Mágico de OZ” com Carol Chiovatto

Academia Perimiriense debate a obra “O Mágico de OZ” com Carol Chiovatto

O Clube de Leitura “João Garcia Furtado da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) é um sucesso. Ontem, (12/09/2020) fizeram uma atividade importante para discutir a obra o Mágico de Oz, com participação da escritora e tradutora de livros da série Mágico de Oz, Carol Chiovatto.

O encontro virtual foi realizado por meio da plataforma Google Meet e foi coordenado pela acadêmica Jessythanya Carvalho Santos que explicou a metodologia do debate, apresentando todos os presentes na sala virtual, bem como fez um breve relato sobre o currículo da escritora, Carol Chiovatto, que é doutoranda (Inglês-USP), escritora, tradutora de obras sobre o Mundo Mágico de OZ, é a autora do livro Porém Bruxa.

Após a apresentação da escritora, a coordenadora do debate passou a palavra à professora Lourdes Campos que fez uma rica apresentação sobre vida e obra do autor do Mágico de OZ, Lyman Frank Baum.

Ato contínuo a convidada iniciou o debate, fazendo considerações interessantes sobre a obra. Em seguida, alunos, acadêmicos e professores discorreram sobre as suas impressões sobre a obra e realizaram perguntas à debatedora que dirimiu as dúvidas dos participantes sobre o papel dos personagens da obra, sobre os valores de capacidade de liderança, perseverança, amizade, coragem, humildade, individualidade, respeito, possibilitando reflexão sobre o contexto histórico e atual sobre a obra em análise.

A debatedora presenteou a ALCAP com algumas obras sobre o maravilhoso Mundo de OZ e a Academia a presenteou-a com as obras Dicionário do Baixadês e Curiosidades Históricas de Peri-Mirim dos acadêmicos Flávio Braga e Francisco Viegas, respectivamente. Houve o sorteio de dois livros entre os alunos inscritos no clube, os contemplados foram Thalys e Emile.

O debate superou as expetativas, possibilitando um novo olhar sobre a obra analisada. Após o encontro, a escritora postou em seu Twitter, o seguinte: “Acabei de falar sobre Oz com alguns alunos no ensino médio e da academia de letras de Peri Mirim (MA) Nada é mais legal, enquanto pesquisadora, do que poder falar da minha pesquisa com uma turma que leu o livro que o originou e está a fim de conversar”.

O Projeto Clube da Leitura da ALCAP está avançado para se tornar referência no estímulo aos jovens e adolescentes no maravilhoso munda da leitura. Quem ainda não leu a obra em apreço, acesse o link e delicie-se com a leitura do: O Mágico de Oz

Poema para a Baixada Maranhense

Poema para a Baixada Maranhense

Autor Hilton Mendonça*

Deslumbra-se a Baixada maranhense

Em vasta paisagem de sol e de chuva

E nela escreve a sua singular epopeia.

 

Sob um dezembro ofegante

Ou debaixo de um abril lacrimoso,

A Região ecológica enamora golfo,

Serpenteia lagos,

Abraça rios,

Revigora campos

E luta pela vida.

 

Útero de tanta gente

– geradora de santos e santa –

A Baixada é mãe de Helena,

De Bento.

De João Batista

E de Vicente Ferrer.

 

Como todas as mães seculares,

Perfilhou gentes até o corpo fatigar,

E dezenas de filhos

Ainda lhe escaparam do ventre:

Nasceram as belas Viana, Vitória, Olinda e Palmeirândia,

Que se irmanaram às formosas Conceição,

Anajatuba, Matinha e Penalva,

Todas de excelsa Bela Vista.

 

E como a descendência baixadeira

Não se podia compor só de princesas,

Eis que das suas entranhas regionais

Irromperam rebentos varonis,

Crismados de Pinheiro, Peri-Mirirn, Monção e Cajari,

Este último de perfeita rima com o ribeirinho Arari.

 

E para não rimar com mais irmãos

E serem a singularidade do todo,

Vieram Igarapé do Meio e Pedro do Rosário,

Para, à mesa, sentarem-se com Presidente Sarney

Uma bacia hidrográfica.

-farta de Mearim, Pindaré, Turiaçu e Pericumã – Plantada

bem no seio dessa Planície olímpica,

Faz a vida seguir bagrinhos, mandis e jacanãs.

Siamesa, outra bacia, lacustre,

-servida de Itans, Formoso, Viana e Aquiri –,

lacrimeja curimatás, jandiás e socós,

Além de japeçocas, surubins e acaris.

 

E para pescar esse peixe abundante,

Há o choque, o caniço e o landruá,

A se juntarem à tarrafa, ao espinhel e ao puçá.

 

No quintal baixadeiro,

Um cardápio de galinhas e patos avizinha-se

De suínos, bovinos e caprinos,

Espalhados pelos vastos campos,

Dos litigiosos búfalos africanos.

 

Na bela Planície inundada,

Sobre aguapés, juncos, mururus e gameleiras

Inda paira a memória da luz azul da curacanga,

Que assusta até o boi marrequeiro…

 

Se o verão é o pote de barro

-que se esvazia e se racha –,

O inverno é o copo cheio,

Derramado nesse Jardim flutuante,

Que seca e que enche e que pulsa Na mente e no corpo da gente…

E viva a Baixada!

*Hilton Mendonça é natural de Arari (MA). Graduado em Direito pela UFMA. Advogado, poeta e escritor. É autor das seguintes obras: “Julgados do Tribunal Trabalhista do Maranhão”, “Julgados das Turmas Recursais do Maranhão”, “Justiça Gratuita” e “Uma Ação Rescisória de Matar: TJ e STJ”.

A penúria da rica Baixada Maranhense

A penúria da rica Baixada Maranhense

Autor Expedito Moraes*

Todo dia Dona Antônia acorda cedo e procura alguma coisa pra fazer o “café” da família. Dona Tunica, como é conhecida, compra suas mercadorias no povoado mais próximo, na quitanda do Seu Teodoro, com o recurso que recebe do Bolsa Família. Além de o dinheiro ser muito pouco, Seu Teo pratica preços exorbitantes. Mas é o Nico quitandeiro da localidade. Bem surtido, é abastecido por caminhões dos Armazéns Peixoto e Martins e por outros fornecedores alienígenas. Nada, nada mesmo, é produzido neste estado de um potencial tão rico.

Há uma bancada dentro do comércio de Seu Teo, que ele chama de frutaria, onde expõe à venda laranjas, bananas, melancias, mangas, maçãs, tanjas, atas e outras frutas que vêm da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, São Paulo etc. Até o quiabo, maxixe, cheiro verde, vinagreira, joão-gomes etc. Seu Teo está bem sucedido, afinal ele é a ponta de um perverso e quase imperceptível sistema de transferência de renda dos estados não produtores para os produtores. Em São Luís, ocorre a mesma aberração: na Ceasa, 98% dos produtos vêm de fora do Maranhão.

As crianças, todas as manhãs, precisam percorrer a trilha que atravessa o campo, agora muito árido e cheio de torrões. Descalças, andam uma légua até a escola municipal. Chegam com o suor escorrendo pelo rosto, misturado com a poeira e exaustos de sede. No caminho não tem água em lugar nenhum. Apenas um pequeno açude, escavado pelo prefeito anterior, resiste até a seca virar tragédia. Entretanto, é o lugar em que os animais bebem e são lavados; onde as pessoas tomam banho, lavam roupa e recolhem água para consumo caseiro. Essas crianças desnutridas alimentam a esperança de saciar sua fome com a “merenda escolar”.

Com a aflição da pobreza, Dona Tunica se desespera: sem comida em casa, sem água para suprir suas necessidades, para molhar as plantas e o seu “canteiro”. Da peque- na roça, cultivada num pedacinho de terra que sobrou do lado de fora da cerca eletrificada do fazendeiro, o plantio morreu todo por causa da escassez de chuvas. O poção mais próximo, onde se pescava uns tamatazinhos e umas taririnhas, também já está seco. Seu Chico, marido de Tunica, não sabe mais o que fazer. Justamente ele que, no inverno, costuma pegar sua canoa e “empurrá-la à vara” até o meio do campo completamente cheio para, com um puçá ou uma tarrafa, apanhar o “cumê” da semana em poucos minutos.

Famílias como a de Chico e Tunica existem aos montes nos campos da Baixada. São famílias quase nômades, que na estação chuvosa mudam-se para o “teso”, conduzindo as suas criações domésticas, a fim de que não morram afogadas nas enchentes ou atoladas na lama, visto que o pasto fica submerso nas copiosas águas que recobrem os campos.

Chegando ao “teso”, constroem ranchos cobertos e ta- pados com pindoba; meaçabas são usadas como portas e janelas; o piso é um jirau de assoalho feito de rachas de palmeira ou marajá (para evitar água e umidade). Todas as serventias do casebre são improvisadas. Tempos depois o rancho será abandonado e vai virar “tapera” assim que começar o “abaixamento”. Logo a família estará em algum lugar perto de uma “baixa”.

Esta crônica parece uma obra de ficção, mas não é. É uma dura realidade. Somente os baixadeiros genuínos conhecem esse infortúnio anual.  Por  isso,  acreditamos  que  os planos, projetos e ações reivindicados pelo FÓRUM DA BAIXADA são capazes de reverter essa penúria e proporcionar melhoria de vida pra mais de meio milhão de pessoas.

Crônica publicada no Livro ECOS DA BAIXADA, páginas 53/55.

* Expedito Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021) e presidente em exercício.

COISAS DO MARANHÃO: Polo Ecoturístico Floresta dos Guarás

COISAS DO MARANHÃO: Polo Ecoturístico Floresta dos Guarás

Autor Expedito Moraes*

O Pólo Ecoturístico da Floresta dos Guarás que está localizado nas Reentrâncias Maranhenses e o Pólo Amazônia Atlântica no Pará constituem a maior floresta contínua de manguezais do mundo (8.900 km2, justamente na Costa Amazônica brasileira. O Pólo Ecoturístico Floresta dos Guarás compreende os municípios de Cedral, Guimarães, Mirinzal, Porto Rico do Maranhão, Serrano do Maranhão, Cururupu, Bacuri e Apicum Açu.

A exuberante Costa Amazônica maranhense, marcada por manguezais, estuários, ilhas, praias e baías, se estende da Baía de Tubarão até a divisa com o Pará, e compreende o Golfão Maranhense (onde está a Baía de Tubarão, Região do Munim, a Ilha de São Luís, Alcântara e a Baía de Cumã) e o litoral ocidental. São as intricadas Reentrâncias Maranhenses e o Pólo da Floresta dos Guarás, um litoral semi-selvagem e preservado, extremamente recortado por uma infinidade de ilhas, enseadas, baías, golfos, penínsulas e estuários que fazem parte da seleta lista das zonas úmidas de relevância planetária (RAMSAR). As Reentrâncias Maranhenses é um dos trechos costeiros mais originais e irregulares do país e do mundo.

A região possui altos e exuberantes manguezais que podem chegar a 40 metros de altura são onipresentes, são vitais para o equilíbrio ambiental de toda a zona costeira e servem de abrigo e habitat para inúmeras espécies da fauna aquática e terrestre; especialmente as aves, migratórias e residentes, dentre tantas se destaca o Guará (Eudocimus Ruber) – extinto na maior parte do país e típico do litoral amazônico. O guará chama a atenção pela sua belíssima plumagem vermelha e pela suas magníficas revoadas.

Outra figura marcante na região é o guará que apresenta uma coloração vermelha marcante, resultado do alimento à base de caranguejos (chama-maré ou sarará, e o maraquani). Os caranguejos têm ligação com a cor dos Guarás.

O vermelho das penas dos Guarás se deve a um pigmento chamado “cataxantina”, que é um derivado do caroteno. O caroteno é o responsável pela cor da cenoura e da casca dos caranguejos e camarões, mais evidente quando cozidos. Os guarás são capazes de absorver o pigmento de suas presas e acumulá-lo em suas penas, tornando-as vermelhas.

*Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do FDBM (gestão 2017-2019). 1.º Vice-Presidente (Gestão 2019-2021) e atual Presidente do FDBM em exercício.

Ecos da Baixada

Ecos da Baixada

Autor Flávio Braga*

As cadeias produtivas da Baixada  Maranhense ainda se sustentam na obsoleta economia de subsistência (produção para o consumo imediato) e as principais atividades econômicas restringem-se ao extrativismo vegetal (babaçu, juçara, buriti etc), pesca artesanal, pecuária extensiva e a pequena agricultura (lavoura rudimentar).  Inobstante  o abundante potencial hídrico, como recurso indutor do desenvolvimento socioeconômico da Baixada, o drama da escassez de água ainda é o principal flagelo das comunidades rurais, no segundo semestre de cada ano.

Nessa perspectiva, há uma circunstância particular que diferencia substancialmente a Baixada das outras regiões pobres do Maranhão: embora o seu povo seja bastante carente, as soluções para melhorar as suas condições de vida são baratas, simples e de fácil resolutividade. Só depende da vontade política dos nossos governantes. Quem conhece de perto a realidade social da Baixada tem a noção exata desse panorama ultrajante, cruel e desumano.

Na estação chuvosa, a Baixada se transforma em uma imponente planície alagada, que adorna o majestoso Pantanal Maranhense. Entrementes, em pleno século XXI, a Baixada ainda agoniza com a martírio da estiagem, desnudando um paradoxo sinistro, que violenta as regras da lógica e as leis da razão. A falta de água já se tornou uma calamidade pública anual, visto que submete as comunidades baixadeiras às mesmas privações e ao mesmo suplício em todos os “verões maranhenses”.

O que mais nos angustia é que esse quadro de penúria é uma tragédia previsível e anunciada, mas incapaz de sensibilizar as autoridades que têm o poder de minimizar tamanho sofrimento, as quais fazem ouvido mouco para o grito de socorro ecoado da voz rouca dos baixadeiros.

Provoca perplexidade lembrar que entre os meses de abril e agosto de cada ano a Baixada fica envolta num verdadeiro mar de água doce. Entretanto, na época do abaixa- mento (entre julho e setembro), essa exuberância de água escoa para o mar e os campos da Baixada se transformam numa paisagem árida, imprópria para qualquer atividade produtiva, como consequência direta da omissão, descaso e negligência do Poder Público.

Hodiernamente, além da estiagem que castiga a Baixa- da todos os anos, ela ainda padece com a progressiva invasão da água salgada (salinização), que produz grandes manchas brancas na superfície dos campos (acúmulo de sal), comprometendo o equilíbrio ecológico da região.

A singeleza do senso comum nos ensina que a retenção da água doce nos campos da Baixada representa a maior ri- queza para as atividades de pesca de subsistência, pecuária, piscicultura, agricultura familiar e criação de pequenos animais, como galinhas, patos, porcos, caprinos e ovinos.

Malgrado os seus encantos e belezas naturais (que a tornam potencialmente rica), a Baixada continua bastante desassistida pelas diversas esferas governamentais. O que o clamor baixadeiro mais reivindica do Poder Público é a construção de barragens, açudes e canais que promovam a conservação da água doce. O resto pode deixar por conta da pujança da natureza e da labuta do nosso caboclo. Tendo a água disponível, eles sabem se virar muito bem. A natureza é o berço de uma vegetação aquática (guarimã, aguapé, orelha de veado, mururu etc) riquíssima em nutrientes para alimentar peixes e outros animais. E o camponês entra com a valentia da sua força de trabalho arrojada e obstinada.

Nesse contexto, a construção dos Diques da Baixada se tornou uma necessidade imperiosa para solucionar o tormento infligido pela seca e pela salinização. Os diques serão responsáveis por impedir o avanço da água salgada (salinização) rumo aos campos inundáveis da Baixada e armazenar, por maior período de tempo, a água doce que transborda dos lagos, inunda os campos naturais e se perde para o mar, sem alterar, no entanto, as cotas máximas naturais de inundação. Essa retenção aumentará a disponibilidade hídrica na Baixada, sobretudo no período crítico de outubro a dezembro.

Avante, nação baixadeira!!

Artigo publicado no Livro ECOS DA BAIXADA, páginas 83/85.

*Flávio Braga é natural de Peri-Mirim (MA). Graduado em Direito pela Servidor do TRE/MA. É presidente de honra do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, professor, escritor, articulista e blogueiro. É autor da obra “Dicionário do Baixadês”.

Cooperativismo: Fórum da Baixada e Associação de Piscicultura de Itans debatem o assunto

Cooperativismo: Fórum da Baixada e Associação de Piscicultura de Itans debatem o assunto

Durante almoço,nesta quinta-feira (20/08), o Presidente do Fórum em Defesa da Baixada, Expedito Moraes, acompanhado dos forenses Antônio Valente, Alberto Muniz e Ana Creusa trataram de parceria na busca de possibilitar que vários municípios da Baixada possam aprender as técnicas de cooperativismo na criação de peixes e outros arranjos produtivos, que poderiam utilizar-se da expertise da Associação dos Produtores de Pescados de Itans, comunidade localizada em Matinhas (MA), que é uma das responsáveis por transformar o povoado em um polo de piscicultura no Estado.

O Presidente da Associação Carlos Pinheiro Gomes, o Cibaleno, que estava acompanhado de Júlio Pinheiro, Vice-Prefeito de São Luís, que é filho de Itans e participou de todas as atividades de pescaria tradicional no Povoado. Cibaleno encantou os forenses com várias histórias que alicerçaram o trabalho dos associados, baseada especialmente no conhecimento, no domínio das técnicos de implantação, manejo, e atividades de comercialização com resultados para todos. Disse que não tem condições de atender à demanda. Que pretende incrementar a atividade de exportação, mas não tem produto suficiente, o que justifica o seu interesse em difundir a técnica de piscicultura a mais municípios.

Ficou combinado que, oportunamente, o Fórum da Baixada e a Associação de Itans possam estabelecer parcerias. Inclusive, o Presidente do FDBM pretende verificar a possibilidade de uso das instalações de uma escola que fica entre os municípios de Miranda e Arari, para que sejam ensinadas as técnicas de cultivo de vários produtos, para os quais a Baixada Maranhense tem vocação e que faz parte de vários planejamentos esparsos em vários órgãos como SEBRAE, SENAR e outros.

Fórum da Baixada reuniu-se com o Superintendente do DNIT para solicitar apoio para projetos que beneficiarão a Baixada Maranhense

Fórum da Baixada reuniu-se com o Superintendente do DNIT para solicitar apoio para projetos que beneficiarão a Baixada Maranhense

Na tarde desta quinta-feira, dia 20 de agosto, o Presidente do Fórum da Baixada em Defesa da Baixada (FDBM) Expedito Nunes Moraes, acompanhado de Antônio Valente, Alberto Muniz e Ana Creusa foram recebidos na sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (SRMA/DNIT) pelo Superintendente, Engenheiro Glauco Henrique Ferreira da Silva, este acompanhado de José de Ribamar Mendes Cantanhede – Coordenador de Engenharia Aquaviária e de Thadeu Fellipe Lopes Silva, Coordenador de Engenharia Terrestre. Durante a proveitosa reunião foi entregue um Ofício, acompanhado de um resumo do planejamento estratégico da entidade. 

O pedido de apoio envolve obras que beneficiem direta ou indiretamente os municípios das microrregiões da Baixada e Litoral Ocidental do Maranhão, especialmente as obras de Construção de Novos Terminais Portuários na Bacia do Pindaré e Litoral Oeste: 1) Viana; 2) Reparação Adequação do Cais de Cajari; 3) Monção; 4) Pindobal – Zona Rural de Serrano; 5) Apicum Açu; bem como as Reparos e Construções de BRs: 1) Recuperação da BR 222; 2) Duplicação da BR 135; 3) BR 308 ligando o Maranhão ao Para, projeto que passa pela Baixada Maranhense e litoral Oeste

O Superintendente demonstrou sensibilidade em atender as reivindicações apresentadas pelo FDBM, pois se tratam de obras estruturantes que possibilitarão o desenvolvimento das microrregiões da  Baixada e Litoral Ocidental, que são as áreas de atuação do Fórum. O Presidente do FDBM disponibilizou-se em auxiliar o DNIT em questões ligados às populações envolvidas, especialmente quanto ao apoio junto aos gestores municipais e demais entidades.

Itans Empreendedora I

Itans Empreendedora I

Autor Expedito Nunes Moraes*

Idealismo, vontade, determinação, trabalho, tecnologia, união, doação e prosperidade, são os adjetivos usados pelo Vice-Presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), Dr. Antônio Valente, para definir o sucesso da exitosa COMUNIDADE DE ITANS, situada no Município de Matinha/MA. Diz ele, que não são suficientes os adjetivos para determinar o tamanho do substantivo da comunidade. 

Sabe-se, com certeza, que três dos apóstolos de Jesus eram pescadores: Pedro, Tiago e André. Existem dúvidas se João chegou a pescar. O primeiro encontro dos apóstolos pescadores com Jesus aconteceu à beira do lago Tiberíades ou mar da Galileia, que banhava a também cidade de Tiberíades. 

Naquele tempo, a pesca era uma das principais fontes de renda da região. Os pescadores eram homens simples. Dedicavam-se a essa atividade herdada dos seus ancestrais, por isso, acumulavam bastante conhecimento, tanto do mar quanto da movimentação dos cardumes. Eram homens puros, preocupavam-se apenas com seus barcos, suas redes, pesca, venda e bem-estar da família.

Essa simplicidade constituía o perfil ideal para que os apóstolos fizessem parte da propagação da Boa Nova apresentada pelo Mestre. Porém, nestes homens, teria que ser profundamente fortalecida a Fé. E esse foi o grande desafio de Jesus: fazê-los compreender o verdadeiro sentido do seu Reino. Não compreendiam como sem poder, dinheiro, armas e violência poderiam se libertarem dos romanos e construírem um novo Reino.

A proposta de Jesus, em princípio, não poderia ser entendida porque aquele povo sofria todo tipo de injustiça. Eram obrigados a pagar impostos elevados, não tinham direitos algum. A violência,  a ameaça eram práticas comuns às quais todos eram submetidos a todo tipo de humilhação.  A fome e pobreza chegavam ao nível de calamidade.

A intenção aqui não é assemelhar as histórias. Nem tampouco comparar o citado lago ao de Itans e, muito menos, equiparar os atuais pescadores aos apóstolos. Mas, pensando bem, podemos encontrar alguns aspectos dignos de menção, exemplo: os itaenses eram pescadores do lago e usaram a Fé para transformarem suas vidas. Aprenderam a pescar melhor peixes e pessoas. E a essas pessoas ensinam a viver melhor, a conquistarem qualidade de vida por meio do trabalho, do conhecimento técnico e, sobretudo, adquirirem renda para fazer face às suas necessidades básicas.

O foco era o mesmo que Jesus pregou “amar ao próximo como a ti mesmo”. Este principio é o mesmo que empatia. Desejar ao outro o mesmo que quero para mim. Assim, como o exemplo da semente de mostarda pode ser substituída pela semente da sumaumeira que de tão pequena é carregada pelo vento e quando germina transforma-se em uma imensa e maior de todas as árvores. Essa é a pregação de lideres itaenses como Cibaleno, Narlon, Eliseu, Silveira aos jovens e pessoas de Itans e outras comunidades. 

E os milagres acontecem. Cariri – nativo de Itans – afirma que com ele aconteceu um milagre por causa da grande fé em Deus. Silveira identifica como fator preponderante do sucesso de Itans, a solidariedade, o compartilhamento, a fé, a coragem e determinação dos itaenses. Segundo ele, existe uma cultura de um cuidar do outro. 

A vontade, determinação e foco, chegaram antes do Sebrae e do Banco do Brasil, que apoiaram o projeto. A estrada chegou depois de 10 anos de muita luta. O frigorífico, da mesma forma. 

A experiência já saiu de Itans e viajou para longe. Já está em mais de 160 municípios levando a BOA NOVA da prosperidade. Cacoal, povoado de Viana é um belo exemplo. Sandra, uma jovem, e outros, hoje, o empreendimento com 29 açudes transformou o povoado e até um barracão de reggae a depósito de ração para peixes. Nós próximos capítulos, vocês conhecerão melhor os empreendedores, pessoas e histórias dessa comunidade feliz.

*Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do FDBM (gestão 2017-2019). 1.º Vice-Presidente (Gestão 2019-2021) e atual Presidente do FDBM em exercício.

Reunião em Itans no dia 15/08/2020
Pescaria em Itans

 

Fé, Texto e Contexto

Fé, Texto e Contexto

Autor Antônio Francisco de Sales Padilha*

No dia 23 de dezembro de 1957, um bimotor Douglas rasgou os céus de São Luís em direção ao continente, voando baixo sobre a baia de São Marcos, desaparecendo entre as nuvens e deixando para trás a capital do Maranhão. Após a travessia da baía, podiam ser descortinadas as praias que anunciavam a chegada no continente, mais precisamente no litoral norte da Baixada Ocidental Maranhense.

Depois a última praia, lá embaixo, abriu-se uma paisagem recortada: estendidas florestas pantanosas cortadas indiscriminadamente por muitos igarapés em que se espelhava o pálido azul do céu; vastos pampas ressecados pelo forte verão tropical; pequenas ilhas, espalhadas como oásis de palmeiras; verdes bosques esmeraldinos, onde se escondem silenciosos povoados, e mais longe emergem as cidadezinhas interioranas.

São Bento era uma dessas cidadezinhas interioranas avistadas. E, para o povo dessa cidade, era uma tarde de júbilo e festa a chegada dos padres piamartinos, pois, durante a última década, a paróquia de São Bento passou por um período de muita carência de padres que permanecessem na cidade. O último vigário, o padre José de Jesus Travassos Furtado, tinha sido acometido de uma enfermidade psíquica, que não foi debelada e ele nunca se recuperou.

Havia também um mito de que São Bento havia sido excomungada pelo Bispo por conta de uma parte de sua população ter aceito a ideia de que alguns padres da Igreja Brasileira poderiam tomar conta da Igreja e passarem a ser os mentores espirituais da gente da cidade. Felizmente, a outra parte, que pelo visto era bem maior, não permitiu que os padres da Igreja Brasileira passassem do aeroporto, tendo que retornar para a cidade de Pinheiro, de onde haviam vindo. Ademais, para completar essa dádiva, os padres chegariam na antevéspera do Natal, o que intensificava a esperança de que São Bento voltasse a ter uma ação firme da Igreja, tal qual havia tido com a presença do sambentuense e agora Bispo Dom Phelipe Condurú Pacheco.

Por conta de tudo isso, os católicos fervorosos, as autoridades, os professores, os estudantes e as pessoas de todas as classes sociais, cruzaram o pequeno riacho da Velha Bárbara, equilibrando-se em troncos de palmeiras, que serviam de ponte, sob a luz forte dos raios de sol que resplandeciam nas águas outrora cristalinas do velho riacho, em direção ao Aeroporto para esperar os padres que iriam viver, revolucionar, educar, amar e serem amados pelo povo de São Bento.

Os músicos da Orquestra, conduzidos pelo Maestro Antônio Manoel Padilha, todos a postos. Os estudantes com suas bandeirinhas em punho, algumas pessoas mais afoitas aquecendo as mãos para as palmas, as autoridades limpando a garganta para evitar qualquer pigarro na hora do discurso, afinal, aquele momento, tão esperado, era um momento glorioso e nada poderia dar errado.

O campo de pouso, na verdade uma estrada de piçarra, misturada em alguns pontos com um gramado, onde o gado sonolento pastava ou deitava-se aproveitando os últimos raios de sol da ventilada tarde do fim do verão, precisava estar em condições para que o avião aterrissasse. Tão logo o roncar dos motores do DC 3 da AERONORTE foi ouvido, alguém lembrou de enxotar o gado da pista para deixá-la livre, a fim de que o bimotor pudesse pousar nas terras de São Bento, no Chão Bento. Assim foi que, em uma tarde de muito sol e muita luz, sob os acordes da Banda de Música, a saudação dos estudantes balançando as bandeirinhas e sob os efusivos aplausos dos populares, desembarcaram o Bispo Dom Alfonso Maria Ungarelli, o Padre Felix Pistone, o Padre Luigi Rebuffini, o Padre Lorenzo Franzoni e o Irmão Luigi Paoletti, – missionários pioneiros da Congregação “Sagrada Família Nazareth” de Brescia – Itália.

Ainda sob a calorosa salva de palmas, o prefeito da cidade, Sr. Benedito Maia Moniz, fez a saudação inicial, demonstrando a alegria do povo de São Bento com a chegada deles. Em seguida, a Professora Négile Atta também os saudou e disse-lhes da esperança de boas novas para a educação da cidade, que eles, com certeza, estavam trazendo.

A impressão que os padres tiveram foi que haviam chegado em um outro planeta, pois viam pessoas com traços físicos e trajes totalmente diferentes dos deles, falando uma língua incompreensível. Eles conheciam algumas palavras do português, mas não conseguiam identificar nenhuma delas. Uma coisa lhes chamou a atenção: uma invejável simplicidade e simpatia das pessoas, um calor humano incomparável.

Ainda sob os acordes da Banda de Música, rumaram para o centro da cidade em direção a casa cedida pela família de José Campos, preparada carinhosamente pela comunidade para abrigá-los. Receberam os votos de boas-vindas e saudações do Sr. Joaquim Silvestre Trinta, ilustre cidadão sambentuense, intérprete dos sentimentos de alegria dos seus conterrâneos e dos eclesiásticos filhos da terra, Dom Luís de Brito e Dom Felipe Condurú Pacheco.

Neste ano de 2017 completarão sessenta anos que esses seres de luz aportaram em nossa terra, trazendo consigo a esperança da paz, da alegria e do amor. Muitos foram os que tiveram a oportunidade de serem educados no seu Ginásio Industrial Piamarta, onde aprenderam um ofício e se tornaram cidadãos de bem. Não ficaram apenas na educação, ensinaram a criar os peixes em cativeiro, trouxeram o primeiro trator para ajudar na implementação das novas técnicas agrícolas para melhorar a produção, criaram o banco rural, para proteger o trabalhador rural da ganância dos comerciantes, criaram as cooperativas para a construção de casas aos mais necessitados, apoiaram as artes: a pintura, o teatro, a música, implantaram a primeira sala de cinema da cidade, incentivaram o desporto, cuidaram dos doentes, lhes fornecendo medicamentos, dos leprosos, criaram o Recanto da Paz, a casa dos especiais.

Enfim, a Baixada foi sendo mudada a partir de novos paradigmas trazidos por eles. Prece e Trabalho, o lema do seu mentor – Santo Giovanini Piamarta – foi implementado vigorosamente. Ensinando a rezar e a trabalhar, os padres Piamarta revolucionaram esse pequeno São Bento, esse Chão Bento, cada dia mais abençoado com as suas presenças.

Crônica publicada no Livro ECOS DA BAIXADA, páginas 90/94.

* Antônio Francisco de Sales Padilha é natural de São Bento (MA). É bacharel em Trompete e Licenciado em Música pela UnB, Mestre em Regência e Doutor em Música pelas Universidades de Aveiro/Viena. Foi Diretor da Escola de Música do Maranhão, Secretário de Estado da Cultura e Chefe do Departamento de Artes da UFMA. É autor dos livros, entre eles A linguagem dos Tons, A Construção Ilu- sória da Realidade, Direção, Ansiedade e Performance.