DIQUES E BARRAGENS NA BAIXADA MARANHENSE

Por Expedito Moraes

Primeiro capitulo

Ontem (08/12/2023), o Jornal Nacional divulgou uma matéria que enfatizava as mazelas provocadas pela seca nos campos da Baixada. Na matéria aparece, em destaque, os campos “esturricados”, principalmente, do município de Bacurituba.
Por volta de 2013 a 2015 tive o oportunidade de conhecer melhor as questões mais emblemáticas da região da Baixada e Litoral Ocidental. Nesse período, como Secretário Adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo do Estado (Sedes), coordenei uma equipe que acreditava que as Barragens de Enseadas eram capazes de minimizar muito a calamidade causada pela seca.
Os campos que hoje estão esturricados, há seis meses estavam alagados ou submersos. Precisamos entender a diferença entre os Diques da Baixada e as Barragens de Enseadas e outros tipos de acumuladores de água.
Os DIQUES da BAIXADA, têm como principal função evitar o avanço de água salgada nos campos que margeiam a Baía de São Marcos ou que adentram pelos igarapés, principalmente no verão nas fases de lua cheia e nova.
A permanência de água doce, proveniente do período chuvoso, entre os aterros do dique e o campo não permanece o verão todo; em condições normais de médio inverno e média seca, nos meses de agosto para a frente já terá sofrido um abaixamento grande causado pela evaporação e percolação do solo. Poucos lugares ficarão com água acumulada até o inverno seguinte.
Porém, já existem inúmeras barragens de enseadas, açudes, diques de produção (réplica das valas de 12X200 metros que deu certo em ANAJATUBA), e outros tipos de acumuladores de água artificiais e lagoas naturais que minimizaram, ao longo desses anos, um pouco a extrema carência de água e pescado.
Como vimos, ontem na matéria jornalística, em Bacurituba, mesmo no meio dos torrões e capim seco, ainda, permanecia água e lama em alguns açudes, onde o gado mata a sede, mas morre atolado.
Conheci muito bem esse lugar, caminhando a pé na companhia do saudoso Xisto, então, prefeito do Município. Era um entusiasta deste tipo de prevenção.
Definimos uns cinco locais que o Estado do Maranhão, com recurso do BNDES deveria intervir, para construir 3 barragens de um teso a outro e duas seriam restauração e adequação.
Durante, aqueles 2 anos, fizemos levantamento de aproximadamente 100 locais possíveis deste tipo de intervenção. No final do Governo de Arnaldo Melo, os técnicos terceirizados do BNDES, engenheiros e assistentes sociais da Sedes deixaram aprovados recursos suficientes para construir mais de 50 barragens, inclusive Maria Rita. Ocorre, que no governo seguinte tinha gente que não via esse tipo de empreendimento capaz de trazer os benefícios esperados.
 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

Expedito MORAES, 09.12.23.

Fotos G1 e Jornal O Imparcial.

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