Eu perdi o padrinho Sebastião Furtado

Eu perdi o padrinho Sebastião Furtado

Autor Nonato Reis*

Uma semana depois do falecimento da Madrinha Cici, foi a vez de o padrinho Sebastião Furtado fazer o mesmo caminho do plano celestial. Desnecessário dizer o quanto isso me afeta. O padrinho faz parte da minha infância e de toda a minha vida, como a seiva que percorre o caule e as folhas da árvore. Reproduzo aqui a crônica que lhe fiz para o livro A Fazenda Bacazinho, que mostra a sua importância para o Ibacazinho e também para Viana.

SEBASTIÃO FURTADO, A ANDORINHA QUE VEZ VERÃO

Dizem, e isso vem da Grécia antiga, que uma andorinha só não faz verão. Sebastião da Silva Furtado, hoje com 85 anos, pregou esse postulado de Aristóteles e o refez. Agindo solitariamente, confiando apenas na força dos seus princípios, fez história em Viana. Numa época em que a voz que se ouvia era a dos quartéis e a lei que pairava sobre todos era a dos fuzis, ele deu as costas para o regime, elegeu-se vereador por dois mandatos, tornou-se presidente da Câmara Municipal e quase chegou lá, como prefeito da cidade.

Os anos 50 foram difíceis. Perplexo, o país assistiu ao suicídio de Getúlio Vargas. No Maranhão, São Luís foi palco de uma greve política sangrenta, que tentou impedir a posse do governador Eugênio Barros, eleito por força de um processo eleitoral viciado. A Baixada Maranhense padeceu com a pior estiagem de todos os tempos. Em Viana, o Igarapé do Engenho, então perene e abundante, secou e o seu leito virou estrada de carro de boi.

É nesse ambiente conturbado que o jovem Sebastião começa a escrever os capítulos mais importantes de sua vida. Conhece Ceciliana, então menina de 16 anos, e com ela decide trocar alianças. ‘Raptou’ a garota e a levou para a casa de um parente. À noite, o dono da casa tentou colocar o casal em quartos separados. Sebastião reagiu. “Eu não roubei mulher para dormir sozinho”. Pegou a moça e a levou para a casa dos pais dele que, a contragosto, tiveram que “engolir” a decisão do filho.

Trabalhou duro com o pai na roça e na pequena criação de gado. Um dia o padre Manoel Arouche, vigário de Viana, chamou Antoninho Furtado, pai de Sebastião, e fez-lhe o convite. Queria que ele cuidasse do gado da Santa (sim, nessa época, Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Viana, era uma das maiores fazendeiras da região).

Antoninho chamou o filho e disse que só aceitaria a proposta, se ele o ajudasse. Sebastião coçou a cabeça, não tinha nada a perder. “Pai, se outros toparam, por que a gente vai desistir? A gente encara e mostra que sabe fazer”. Vaqueiro da Santa, ganhou visibilidade. Em pouco tempo tornou-se presidente da Associação dos Criadores do Município.

Ele tinha um açougue no mercado municipal. O lugar era uma bagunça. O tráfico de influência predominava. Quase nunca sobrava carne para os pobres. O prefeito Lino Lopes baixou portaria regulamentando a venda do produto. Todos teriam que obedecer à ordem de chegada. Um emissário do prefeito foi direto ao balcão. Queria quatro postas de carne. “O senhor vá para a fila”, advertiu Sebastião com sua voz grave e decidida. O emissário resistiu. Estava ali a mando do prefeito, não podia ir para a fila. “Por representar o prefeito o senhor devia ser o primeiro a obedecer à ordem dele. Ou o senhor entra na fila ou não lhe atendo”.

Dom Hélio de Campos chegara a Viana para chefiar a diocese local, substituindo a Dom Hamleto de Angelis. De visão política progressista, líder por vocação, Dom Hélio percebeu o isolamento da cidade do resto do Estado. A única ligação com São Luís era feita por via marítima, em lanchas que transportavam desde manufaturas a animais e gente. As viagens eram longas e perigosas.

Dom Hélio entendeu que era preciso construir uma estrada de rodagem ligando Viana a Arari. Deu início então a uma luta inglória, que o levaria diversas vezes a São Luís e Brasília, tentando convencer as autoridades a mandar construir a estrada. Mobilizou as entidades de classe e o povo. Foi como atear fogo em canavial.

De pronto recebeu o apoio de Sebastião Furtado, então líder classista rural, e também do padre Eider Furtado, tio de Sebastião e adepto da Teoria da Libertação. “A gente começou a entupir a mesa do ministro Mário Andreazza (Transportes) de telegramas, cobrando a licitação da estrada”. Ele deve ter ficado zonzo com tanta aporrinhação”.

Dom Hélio foi a Brasília. Na Base Aérea encontrou com José Sarney e pediu-lhe apoio, que o negou. “Sarney disse que o projeto não era viável, que a Baixada era uma região pobre”. Dom Hélio não desistiu, percorreu a esplanada dos ministérios, solicitou audiências. Em São Luís pediu o apoio do governador da época, que também o negou. A luta prosseguiu até que o Estado, vencido, decidiu abrir licitação e assinar a ordem de serviço.

À frente de uma comissão, Sebastião Furtado veio a São Luís assistir ao desfecho do processo licitatório no DER/MA. O grupo se alojou no Seminário Santo Antônio, onde confeccionou faixas e cartazes. Na volta a Viana, encontraram a cidade em festa. Uma multidão retirou Sebastião do ônibus e o carregou nos braços, agradecida. “Foi uma emoção enorme. Jamais esqueci”.

A conquista da rodovia deu-lhe visibilidade. Em 1972 Dom Hélio o chamou para comunicar que ele seria o candidato da Igreja e dos trabalhadores rurais à Câmara Municipal. “Mas como? Eu não entendo nada desse negócio de política!”. A decisão estava tomada. A igreja jamais se envolveu abertamente na campanha, mas ele recebeu o apoio em massa do sindicato de trabalhadores rurais e, concorrendo pelo MDB, elegeu-se único vereador de oposição.

Começava a jornada solitária da água contra o rochedo. Combateu a gestão de Walber Duailibe do começo ao fim. Na Câmara, que tinha 9 vereadores, o placar a favor do prefeito era vergonhoso: 8 a 1. Mesmo assim, articulou e conseguiu o cargo de secretário geral da Mesa, que na hierarquia do parlamento é o segundo em importância.

Seu primeiro projeto restabeleceu a dignidade da Câmara, ao transferir a sede do Parlamento, alojada no prédio da prefeitura, para outro imóvel. “Era um absurdo a Câmara funcionar ao lado do gabinete do prefeito, como um biombo”. O prefeito não queria o projeto, mas Sebastião, mesmo sozinho, articulou com os colegas de ofício e sua proposição foi aprovada por unanimidade.

Também apresentou projetos para a construção de escolas em duas localidades. O prefeito, dessa vez, agiu rápido e a Câmara rejeitou as matérias. Sebastião não se deu por vencido. Fez reuniões com as comunidades beneficiadas pelos projetos e, em sistema de mutirão, ergueu as duas escolas em barro e palhas de babaçu. Os salários dos professores pagava com recursos próprios, isso numa época em que os vereadores não possuíam remuneração.

Em 1976 concorreu à reeleição e ganhou. Na hora de montar a chapa da Mesa Diretora, aplicou um golpe de mestre. Havia dois grupos com igual número de vereadores disputando a presidência, um ligado ao prefeito eleito e o outro, ao candidato derrotado. Era o fiel da balança. Para qualquer lado que pendesse, levaria a eleição. Foi assediado pelos dois grupos e para todos repetiu a mesma história: seria candidato de si mesmo. Na última hora o prefeito o procurou e aceitou que figurasse na cabeça da chapa. Tornou-se assim presidente da Câmara, sem pertencer a grupo algum.

Era o tempo das baionetas e o verde-oliva metia medo. Um dia recebeu a visita de um coronal do Exército, que veio de Fortaleza com a missão de fazer aprovar um projeto de interesse do bispo Dom Adalberto. Sem meias palavras ordenou que Sebastião aprovasse a matéria. “Quem aprova ou rejeita são os vereadores, não o presidente”. O militar não quis saber, queria o projeto aprovado por ele e ponto. “Então o senhor faça aprovar um projeto que dê essa prerrogativa ao presidente”, rebateu.

Em 1982, lançou-se candidato a prefeito, enfrentando duas forças exponenciais. Teve quase 3.000 votos. O eleito recebeu pouco mais de 4.000. “Perdi porque não tinha apoio político nem material, mas o povo me apoiou”. Deixou a política e foi cuidar da vida. No dia em que completou 80 anos, comemorou a data ao lado da família e dos amigos. Eu quis saber o que passa pela cabeça de quem chega a essa idade, lúcido e admirado. “Dá vontade de ser eterno, de gozar a vida e jamais morrer”. A história tem a capacidade de imortalizar seus personagens.

* Nonato Reis é natural de Viana. Jornalista, poeta e escritor. Foi correspondente em São Luís da Folha de São Paulo em 1993 e colunista do Jornal Pequeno, no período de 2011 a 2017.

Vai cover na roça

Vai cover na roça

Autor Expedito Moraes*

“A única coisa que sabemos sobre o futuro é que ele será diferente” Peter Drucker.

Para nós, baixadeiros, a expressão “vai chover na minha roça” significa a certeza que de que haverá fartura. É a garantia de boa colheita. Da mesma forma, costumamos usá-la quando vislumbramos uma oportunidade de ganhar dinheiro, obter melhoria e prosperidade.

Entretanto, para que haja fartura, o pedaço de terra precisa estar roçado, capinado, destocado, limpo e cercado, para quando as primeiras chuvas caírem ter início o plantio. A colheita, para ser boa, depende de planejamento, ainda que mínimo, e noção das condições naturais. Vários fatores devem ser observados antes, durante e depois do plantio. O roceiro ou lavrador, em primeiro lugar, precisa definir o que vai plantar e para isso precisa saber o que “vai dar dinheiro” na próxima safra. Se não tiver uma boa semente e quantidade necessária para produzir o quanto deseja, terá que comprar.

Ter um pedaço de terra “que tudo dá” é fundamental. Precisa saber o momento exato do plantio e evitar pragas e ervas daninhas. E, finalmente a colheita, o armazenamento e a comercialização. Enfim, o lavrador, para fazer uma roça e ser bem sucedido, depende de um certo aprendizado. Aprendizado este passado de pai pra filho.

Precisamos, urgente, aprender a produzir mais e melhor. Para mudar, precisamos fazer o que sempre fizemos de modo diferente. Precisamos de novos conhecimentos, tecnologia e eficácia. A busca da produção eficaz implica em constante aprimoramento do processo produtivo. E isto só é possível por meio de conhecimento, capacitação e vontade firme para quebrar paradigmas.

Bill Gates afirma que, para se ter sucesso nos negócios, basta perceber para onde o mundo se dirige e chegar lá primeiro e Adam Smith dizia que a geração de riqueza de uma nação depende do desenvolvimento e crescimento econômico de cada cidadão.

A nossa roça são as microrregiões da Baixada e Litoral Ocidental, esse imenso território que vai receber “chuva” de investimentos nos próximos anos. Bilhões de reais serão investidos em projetos grandiosos. Anunciam o CEA-CENTRO ESPACIAL DE ALCÂNTARA, o TAP-TERMINAL PORTUÁRIO DE ALCÂNTARA, a BR-308, a PONTE LIGANDO BACABEIRA A CAJAPIÓ, OS DIQUES DA BAIXADA e outros que serão agregados a esses MEGAS PROJETOS. Sonho? Com certeza, não.

Este texto eu publiquei há mais ou menos 2 ou 3 anos. O objetivo era alertar para esta realidade. O Fórum da Baixada, no final de 2019, já procurando antecipar-se à implantação destes projetos, iniciou um processo de Cooperação Técnica com a UFMA (criamos um Grupo de Trabalho); no Centro de Lançamento de Alcântara fomos gentilmente recebidos em visita técnica e iniciamos tratativas de parcerias; estamos permanentemente acompanhando o processo de elaboração do projeto dos Diques da Baixada junto à CODEVASF. Fala-se em criação de consórcios de municípios em várias regiões, nos parece bom.

OBS: Nesta semana o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes, esteve em São Luís e ouviu isto da FIEMA, leiam a matéria seguinte: https://globoplay.globo.com/v/9244852/

Reunião do FDBM e UFMA

Visita do FDBM ao DNIT

Visita do FDBM ao Centro Espacial de Alcântara

*Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021).

A Baixada é só uma, e uma só!

A Baixada é só uma, e uma só!

Autor Elizeu Cardoso

Desde que vi a nova regionalização do Maranhão que fiquei mudo. Perdi a fala, feito criança amuada, e ando meio empacado, não vou mentir, burro brabo que pode é apanhar, mas não arreda o pé.

Estava todo mundo lá na Baixada, povo de riso fácil e histórias de nunca acabar, e alguém teve a descabida ideia. Homens fechados em salas de vidro e ar modificado, com caneta e lápis, notebook, smartphone e gps, decidiram: A Baixada é muito grande, vamos subdividir!

De uma canetada levaram Alcântara, Bequimão, Bacurituba e Cajapió, para um tal “Litoral”, ao lado de Mirinzal, Central do Maranhão, Guimarães, Cururupu, Cedral, Porto Rico, Serrano do Maranhão, Bacuri e Apicum-Açu.

São meio tanso, né? Pensam que só porque uns têm rios e outros têm mar, o sal há de nos separar. Deixem de bobagens, doutores! O que nos une, eu nem queria, mas vou elencar:

– É a curacanga, bola de fogo que anda por tudo quanto é lugar. Nesse pedaço de terra todo mundo já viu, até as crianças que acabam de nascer, é só perguntar.

– É a travessia no ferry-boat. Quando a gente deixa a cidade grande e ri até com o vento, assim que avista o Cujupe, vem tudo no pensamento.

– É o quintal cheio de fruta, o poço e a cerca velha. Na mesa da cozinha duas comidas sagradas: Na hora do almoço e do jantar a farinha de mandioca, e no meio da tarde, todo mundo reunido tomando café preto e um bolo de tapioca.

– É a conversa na boca da noite, a rua é o quintal da gente. Os vizinhos são tudo irmão, os mais velhos tudo tios, e se ficar magro é doença, porque lá ninguém tem fastio. É manga, milho, abacate, araticum, jenipapo, bagre, tapiaca, muçum, caranguejo, camarão, sururu, acará, piaba e traíra.

Deixem como estava, sei dessa ciência um pouquinho. A Geografia é mãe, desde os gregos, que sempre acha um jeitinho. Já ouviram falar da velha que olhou a foto da neta e disse: Benzadeus, retrato é coisa que parece! Do outro que só andava em linha reta na sua bicicleta? Bastava chegar num canto que descia, para arrumar a direção? Do casal que criou um sapo como se fosse um filho? Do pistoleiro que acabou uma festa fazendo o som de tiro com a boca? De Dom Sebastião e seus cachorros andando na noite escura? Do vendedor de ovos que comprava e revendia pelo mesmo valor, apenas porque o trabalho enobrece o homem? Tudo coisas de lá.

Essas coisas não cabem em mapas, senhores, porque são cartografias das falas, dos risos, das memórias, dos cheiros, das cantorias, dos tambores e das festanças. A Baixada não cabe nem nela mesma, repare bem como a gente a leva para tudo quanto é lugar. Mas se ainda assim tiverem dúvida do que vos alerto e protesto, mandem uma pessoa dessas, de qualquer lugar falar. Bastará abrir a boca que vai sair de uma vez, pois por mais que falemos português, é a alma que determina, o nosso sotaque é baixadês!

Para onde vão os desempregados?

Para onde vão os desempregados?

Lourival Serejo

A matemática e a estatística têm sido aliadas dos estudos sociais por alertarem para situações nem sempre percebidas pela sociedade e pelos governantes. Nenhum gestor responsável, hoje, pode ignorar a avaliação dos números, principalmente se exerce um cargo político.

Esta crônica se vale da comparação de números para acionar o botão de alarme da questão do desemprego.

Nosso Tribunal de Justiça vai realizar concurso para preenchimento de 63 vagas de servidores. Para esse número irrisório de lugares, inscreveram-se 98 mil candidatos. Como milhares não pagaram as inscrições, o número ficou reduzido para 65 mil. Serão, portanto, 65 mil candidatos, concorrendo por 63 vagas, respeita- das as respectivas divisões por cargos. Antes, os concursos eram locais ou, no máximo, regionais. Hoje, não, são nacionais. Inscrevem-se candidatos de todos os rincões do país.

O que significam esses números?

Não há maior alarme social do que esse para alertar os governantes sobre o índice de desemprego no Brasil e o perigo que esse problema representa para a estabilidade social e econômica da sociedade.

Pressionados pelo desemprego, os jovens tendem a buscar qualquer tipo de alternativa para superarem a situação em que se encontram. Dentre essas opções, surge o crime, de braços abertos para acolhê-los.

Criou-se uma Força Nacional para combater a violência; os Secretário de Segurança reúnem-se constantemente para discutirem políticas de repressão ao crime; o Ministério da Justiça oferece apoio aos estados nessas ações e, agora, está pedindo apoio econômico da Fiesp e de bancos oficiais para essas medidas; a imprensa denuncia diariamente atos de violência praticados em todos os cantos do país.

E para combater o desemprego, o que se anda fazendo? Desemprego também é violência. Violência contra a dignidade do cidadão, contra seu direito ao trabalho. Já calcularam as situações de jovens desempregados sem celulares, sem roupas, sem tênis, sem poderem ir a uma festa, sem poderem beber uma cerveja nos finais de semana, sem poderem ir a um estádio de futebol, sem nada, sem nada. Alguns mais desesperados circulam pelas ruas como zumbis.

A cada progresso da inteligência artificial, o desemprego tende a aumentar. Essa proporção cruel vai piorar as coisas. Por mais que se evite assumir uma postura negativa, esses números aqui expostos confirmam o aspecto – ou espectro? – alarmante da situação.

O desemprego, que é um problema político, pode tornar-se um caso de polícia, uma vez que o destino de muitos jovens, principalmente os mais pobres, é acabar, mais cedo ou mais tarde, numa prisão qualquer, acusados da prática de algum crime, levados pelo ócio ou pelo desespero.

Lembrem-se daquele político do Império: “Façamos a revolução antes que o povo a faça?” Já imaginaram essa massa de desempregados ocupando as ruas como em 2013? Será que levarão flores nas mãos?

Os números desproporcionais do concurso do Tribunal de Justiça ex- põem uma das causas mais imediatas da criminalidade: o desemprego. Será preciso mais evidência para deduzir- se que é a clientela de desempregados que aumenta as fileiras do crime?

Quisera estar errado, como se estivesse pregando profecias de Cassandra, ao pintar esse quadro negro do futuro. Mas o problema do desemprego não está sendo levado a sério no Brasil. Se os líderes políticos tivessem mais compromisso com a República, não estariam dormindo sossegados.

Artigo publicado no Jornal O Imparcial do dia 26/09/2019.

Lourival de Jesus Serejo Sousa é natural de Viana, membro da Academia Vianense de Letras . Formou-se em Direito, em 1976, mais detalhes em http://www.academiamaranhense.org.br/lourival-de-jesus-serejo-sousa/

Parasita em Peixe Nativo da Baixada Maranhense

Parasita em Peixe Nativo da Baixada Maranhense

Hoplias malabaricus, da família Erythridea conhecido popularmente como traíra é um peixe piscívoro, o que favorece a ingestão de parasitos externos (Etoparasitos), principalmente do filo nematoda.

O filo NEMATODA, do gênero Anisakis são endoparasitos cilíndricos e alongados, conhecidos popularmente como vermes do intestino. Esse parasita possui ciclo de vida indireto, necessitando de um hospedeiro intermediário (PORTZ, et al, 2013; SANTOS et.al. 2013).

Os Nematóides adultos são encontrados parasitando principalmente o trato digestório dos peixes, assim como demais órgãos e estruturas, enquanto que as larvas podem se encistar na musculatura e em demais órgãos (MACIEL, 2013; EIRAS et.al., 2013). No peixe pode provocar (intestino), ulceração e perfuração gástrica, causando grave processo anemiante.

Seu desenvolvimento no hospedeiro intermediário “é essencial para o fechamento do seu clico de desenvolvimento, vertebrados tais como: mamíferos, aves, peixes” Invertebrados tais como: microcrustáceos, larvas de insetos e oligoquetos (THATCHER, 2006; PORTZ , et. al. 2013).

Quanto ao manejo sanitário verifica-se que esses vermes se desenvolvem em um ambiente poluído, uma vez que esse parasita atua como indicador de alteração na qualidade sanitária do ambiente, causando estresse no animal e baixa imunidade a doenças. Gera perda econômica em relação ao peixe comercializado com vermes, alimento preparado de forma não adequada pode causar problemas a saúde humana.

Como profilaxia, deve-se evitar o lançamento de dejetos nossos rios e lagos, como principal medida a ser tomada para evitar esse tipo de problema.

 Olinda Nova do Maranhão 22 de agosto de 2019

Texto: Wenison Penha, Graduado em Engenharia de Pesca – UEMA  

Contato: Email: wenysson@hotmail.com / fone: (98) 9849-8531.

 

Conhecendo a Baixada Maranhense

A região é uma das mais ricas do Maranhão em diversidade de vegetação e fauna, mas sofre com os problemas de desenvolvimento.

Para os maranhenses, o termo Baixada é bastante conhecido e muito utilizado principalmente pelas pessoas provenientes desta região e espalhadas pelo restante do estado. Mas o que é realmente a Baixada Maranhense e o que ela representa para o Maranhão? A Baixada Maranhense localiza-se no extremo norte do estado do Maranhão, abrange 21 municípios e tem 1.775.035,6 hectares de extensão. Pinheiro, com uma população de 78 mil pessoas, é considerado o município mais populoso entre os que integram esta região.

É composta por 21 municípios – Anajatuba, Ariri, Bela Vista do Maranhão, Cajari, Conceição do La- go-Açu, Igarapé do Meio, Matinha, Monção, Olinda Nova do Maranhão, Palmeirândia, Pedro do Rosá- rio, Penalva, Peri-mirim, Pinheiro, Presidente Sarney, Santa Helena, São Bento, São João Batista, São Vicente Férrer, Viana e Vitória do Mearim.

Conhecendo a Baixada Maranhense

A região é uma das mais ricas do Maranhão em diversidade de vegetação e fauna, mas sofre com os problemas de desenvolvimento.

Para os maranhenses, o termo Baixada é bastante conhecido e muito utilizado principalmente pelas pessoas provenientes desta região e espalhadas pelo restante do estado. Mas o que é realmente a Baixada Maranhense e o que ela representa para o Maranhão? A Baixada Maranhense localiza-se no extremo norte do estado do Maranhão, abrange 21 municípios e tem 1.775.035,6 hectares de extensão. Pinheiro, com uma população de 78 mil pessoas, é considerado o município mais populoso entre os que integram esta região.

É composta por 21 municípios – Anajatuba, Ariri, Bela Vista do Maranhão, Cajari, Conceição do La- go-Açu, Igarapé do Meio, Matinha, Monção, Olinda Nova do Maranhão, Palmeirândia, Pedro do Rosá- rio, Penalva, Peri-mirim, Pinheiro, Presidente Sarney, Santa Helena, São Bento, São João Batista, São Vicente Férrer, Viana e Vitória do Mearim.

A Baixada Maranhense possui uma população predominantemente rural, com exceção de Arari, Pinheiro, Santa Helena, São Bento e Viana, que apresentam a população urbana como mais expressiva, segundo o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Características

A área é reconhecida principalmente por conta de seus imensos campos, que podem ser divididos em inundáveis e tesos. Na época das chuvas, de dezembro a julho, os campos baixos ficam alagados, restando ilhas de terras firmes e áreas de campos em terreno um pouco elevado, chamadas regionalmente de “teso”.

Durante as cheias, ocorre o transbordamento dos rios, formando-se numerosos lagos. Os rios da Baixada Maranhense são típicos de planícies, caracterizados por baixo declive nos trechos médio e baixo. A região é drenada pelos rios Mearim, Pindaré, Grajaú, Pericumã e afluentes. Além dos campos, há quatro vegetações importantes para a caracterização da Baixada: manguezais, babaçuais, matas de galeria e Floresta Amazônica.

Nos estuários, os manguezais ocorrem penetrando os igarapés, por entre os campos, até onde existe influência das marés. Os babaçuais ou cocais são um tipo de ecossistema característico da área. O solo é argiloso, pouco consolidado, com grande retenção de água.

Área de proteção

A região foi transformada em Área de Proteção por meio de um decreto estadual em 1991. Em 2000, a Área de Proteção da Baixada Maranhense ganhou a classificação de Sítio Ramsar. O governo federal inclui nesta lista as áreas úmidas do Brasil que precisam ser protegidas. Além da Baixada, o Maranhão tem outros dois locais deste tipo: Parque Estadual Marinho do Parcel de Manoel Luiz (2000) e Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses (1997).

O Ramsar foi criado em uma convenção mundial realizada no Irã em 1971. Em 2011, a Convenção das Zonas Úmidas (Ramsar) descreveu a importância da conservação da Baixada Maranhense.

“A APA da Baixada Maranhense é uma área de rica biodiversidade, pois incorpora uma complexa interface de ecossistemas, incluindo manguezais, babaçuais, campos abertos e inundáveis, estuários, lagunas e matas ciliares. Esse mosaico de fisionomias e sua extensão na paisagem torna a APA uma unidade de conservação de extrema importância, pois permite a ocorrência de processos ecológicos de grande escala, além de que a área de manguezal funciona como regulador local dos estoques pesqueiros”, descreve o documento.

Ecossistemas localizados na zona de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, com influência dos ambientes costeiros e marinhos, destacando-se as zonas úmidas que proporcionam habitat para diversas espécies aquáticas, incluindo aves, em abundância, além de espécies vegetais (castanheira, gameleira, embaúba, cedro e babaçu) que são importantes para a economia das populações locais.

Campos inundáveis

São o sistema ecológico mais representativo na região, dominado por herbáceas (gramíneas e ciperáceas) e sofre inundação sazonalmente. Predomina a água doce, mas há incursões de água salobra nas partes mais próximas à costa. A salinidade também varia sazonalmente, sendo, mesmo nessas áreas, 100% doce na época chuvosa e salobra, na seca.

Rios e igarapés

São um conjunto bastante complexo, variando desde nascentes em bacias locais até rios de grande porte, de bacias bastante extensas. Inclui alguns igarapés que secam por inteiro na época seca.

Tesos

São ilhas de terra firme (campos herbáceos) inseridas no meio de uma matriz formada por campos inundáveis e estuário. A altura chega a um máximo 10m, com média de 5m. A vegetação inclui palmeiras, floresta pré-amazônica e arbustos. Em algumas áreas há presença de cactáceas consorciadas com mata amazônica. É o lugar preferido para ocupação humana e pecuária bovina ou para criação de outros animais domésticos.

Complexo de lagos

Domina a parte mais meridional do Sítio Ramsar, com a exploração mais intensa de recursos pesqueiros. Apresenta bastante sazonalidade, com conectividade entre os lagos no auge da época chuvosa, que é interrompida quando o nível da água baixa com a seca. A água é 100% doce, normalmente, mas alguns lagos (por ex., o lago Viana) excepcionalmente sofrem incursão de água salgada durante intensas secas. Há presença de macrófitas aquáticas e igapós.

Manguezais e estuários

São vegetações dominadas por Avicennia, Rhizophora, Laguncularia. Há grande diversidade fisionômica, com vegetação que varia de pequeno a grande porte, com árvores de até 30m. Os manguezais ocorrem desde o início da influência da maré, na foz dos rios Pindaré, Mearim, Turiaçu e Pericumã e se estendem ao longo da baía de São Marcos, inclusive ocupando a grande maioria da Ilha do Caranguejo. O estuário inclui extensas áreas de apicuns (clareiras com areia e lama nos manguezais – áreas mais procuradas para criação de camarão em cativeiro). O estuário é muito importante para a vida aquática, incluindo peixes-boi, botos e várias espécies de peixes que utilizam a área em suas rotas migratórias, etc. O mangue abriga o caranguejo, de altíssima importância econômica local.

Matas de terra firme

Este alvo abriga tanto manchas de mata de terra firme pré-amazônica, como os babaçuais, capoeira e matas ciliares. A maior parte da população humana está nessas áreas, onde, inclusive, se localizam as sedes da maioria dos municípios. São ricas em palmeiras de importância econômica. Esta é a zona de uso mais intensivo na APA

Ictiofauna

A ictiofauna inclui espécies endêmicas da bacia amazônica e espécies estuarinas. As espécies de maior importância econômica incluem, no estuário: camurim, sardinha e bagre de água salobra, e, nos lagos e rios de água doce: surubim, curimatã, pescada, piaba, traíra, jeju, piranha, mandi, cascudo etc. Há tanto camarões de água salgada/salobra como espécies de água doce.

Espécies caçadas

Inclui as seguintes espécies de aves: jaçanã (Jacana jacana), o piaçoca (Prophyru- la martinica), inhambus, patos e outras aves caçadas para o comércio, como curió e demais Sporophilas, além de algumas espécies de psitacídeos. Entre os mamíferos: tatus, tamanduás, capivaras, primatas, veados, cutias e pacas. Entre os répteis: quelônios dos mais diversos e o jacaré (Caiman crocodilus).

Desenvolvimento

Em 2016, pesquisadores do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepa) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) destacaram a importância do uso de indicadores sociais como base para as atividades de planejamento e formulação de políticas públicas nas diferentes esferas do governo.

Os estudiosos realizaram uma pesquisa no intuito de conhecer a realidade socioambiental dos municípios da Baixada Maranhense, para que as políticas públicas sejam elaboradas conforme a situação de cada um, no que se refere ao desenvolvimento. O grupo busca elaborar um sistema de indicadores para avaliar a qualidade urbana dos municípios  que compõem a região. Segundo a coordenadora da pesquisa, Zulimar Márita Ribeiro Rodrigues, doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo(USP), no Maranhão, as cidades crescem sem planejamento prévio, ocasionando a acentuação dos aspectos negativos como ausência de saneamento básico, baixos indicadores sociais, violência urbana, dentre outros.

“Tomando com base este índice, para diagnosticar a qualidade dos municípios da Baixada Maranhense, percebe-se que todas as cidades são classificadas como ‘Desenvolvimento Médio’ dentro do limite mínimo para estar neste intervalo. Ou seja, a média dos municípios da referida região é de 0,584”, afirma Márita.

Os intervalos considerados pelo Pnud, para classificar o IDHM, são de: baixo (menor que 0,500), médio (0,500 a 0,800) e alto (superior a 0,800). Esses índices e indicadores como instrumentos para medir e informar sobre as cidades podem ser classificados em duas formas: indicadores intermunicipais e intramunicipais.

O Maranhão é o segundo estado do país com menor IDH. Diante desta realidade, o governo do estado implementou o Plano de Ação “Mais IDH” com a intenção de promover a superação da extrema pobreza e das desigualdades sociais no meio urbano e rural, por meio de estratégia de desenvolvimento territorial sustentável, com políticas públicas que valorizem a diversidade social, cultural, econômica, política, institucional e ambiental das regiões do estado.

O programa definiu como prioridade os 30 municípios do estado com menor desempenho no Índice de Desenvolvimento Humano. Entre eles três municípios da Baixada Maranhense: Cajari, Conceição do Lago-Açú e Pedro do Rosário.

Artigo publicado no Jornal O Imparcial de 24 de outubro de 2017. Autor George Raposo. E-mail: gdinamite@gmail.com

 

Campos da Baixada voltam a ser livres

Operação durante a Semana da Água eliminou cercamentos ilegais na região e devolveu o acesso aos campos inundáveis.

Na semana em que o mundo celebra o Dia Internacional da Água, o Governo do Maranhão realiza mais uma etapa da operação que assegura o livre acesso de comunidades tradicionais ao bem mais precioso do planeta, a água.  A Operação Baixada Livre, que durante toda a semana libertou os campos da baixada maranhense dos cercamentos ilegais, devolveu às comunidades do município de Matinha o acesso aos campos inundáveis da baixada, principal fonte de vida da região.

A operação, coordenada pelas secretarias de estado do Meio Ambiente (Sema), Direitos Humanos e Participação Popular (Sedih-pop), Agricultura Familiar (SAF), Igualdade Racial (Seir), Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), Batalhão de  Bombeiros Ambiental (BBA), Polícia Militar, Polícia Civil, com o apoio da Cemar, retirou o total de 21,4km de cercas e aplicou 11 autuações, no território que compreende 1.600 hectares de terras, localizados em SesMaria do Jardim, composto pelas comunidades quilombolas de Bom Jesus, Patos e São Caetano.

A atividade teve caráter fiscalizador e também educativo, pois durante a operação foram feitos todos os procedimentos legais de notificação, autuação e também orientação dos proprietários de terras nas regiões próximas aos campos inundáveis, que embora façam parte do território de propriedade desses fazendeiros, permanecem sob proteção do estado, por meio do Decreto Estadual n º 11.900 de junho de 1991, que criou a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baixada Maranhense.

“A utilização de cercas em áreas inundáveis, sobretudo as cercas com eletrificação, são de uso proibido conforme o novo código florestal. Por meio da lei federal nº 12.651 de 25 de maio de 2012, fica previsto pela que em áreas de preservação permanente a manutenção do perímetro mínimo de proteção seja de pelo menos 30 metros. Por isso a Sema realizou os procedimentos administrativos como autos de infração e apreensão dos materiais que são usados nas práticas dos ilícitos ambientais. Os proprietários autuados têm o prazo legal de 20 dias para se defender e caso isso não ocorra, vão responder por uso de área indevida conforme a legislação ambiental”, esclarece o superintendente de Fiscalização da Sema, Fábio Henrique Sousa.

Para o secretário adjunto dos Direitos Humanos da Sedihpop, Jonata Galvão, a privação do uso da água às comunidades tradicionais interfere diretamente no seu modo de vida. “As comunidades tradicionais têm uma relação com a água, especialmente nos campos da baixada, que significam a vida, o trabalho, lazer, significa seu moo de vida. Garantir esse acesso é garantir que as pessoas tenham vida digna. A água não pode ser propriedade de ninguém, ela é pública, é de utilidade para todas as pessoas, especialmente para aquelas que dependem desse recurso hídrico para sua sobrevivência, sua cultura e também para seu modo tradicional de viver.”, ressalta o secretário. Em 1991, a Organização das Nações Unidas divulgou a Declaração Universal dos Direitos da Água como forma de promover a reflexão acerca da importância da preservação dos recursos hídricos do planeta, bem como a sua utilização de forma racional. Em seu primeiro artigo a Declaração define a água como um patrimônio universal e em seu artigo oitavo, que a utilização desse re- curso implica respeito à lei, pois o equilíbrio do nosso planeta de- pende da preservação da água e de seus ciclos.

O secretário de Estado de Igualdade Racial, Gerson Pinheiro, afirma que a atividade do estado durante essa semana é um marco para a preservação da vida e da natureza no Maranhão. “É de fundamental importância que no dia mundial da água o estado do maranhão esteja fazendo essa ação, onde está se retirando as cercas e arames eletrificados dos campos naturais da baixada maranhense, principalmente essa ação que é feita no território de SesMaria dos Jardins, onde as comunidades quilombolas tinham sido impedidas de ter acesso a água e aos recursos dos campos naturais. Água não pode ser cercada, a água deve ser livre para a utilização da comunidade”, avalia.

Matéria publicada no Jornal O Imparcial do dia 25/03/2018. Todos os direitos reservados ao respectivo Jornal. 

A Baixada descortina sua singular epopeia

O lançamento do Livro Ecos da Baixada que ocorreu no dia 14 de novembro de 2017, foi um marco na história da literatura maranhense, notadamente nos anais das letras baixadeiras, e revelou-se um evento grandioso para o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense – FDBM.

Importante destacar que o citado Fórum é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, o qual trabalha por sua região e por sua gente, visando chamar a atenção do Poder Público para os graves problemas enfrentados por aquele conjunto de municípios, bem como auxilia as comunidades locais a superarem obstáculos ao seu desenvolvimento.

O evento foi um “sucesso retumbante”, conforme relato de muitos participantes. Segundo o imortal, membro da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, foi “o dia em que a Baixada parou o trânsito da Avenida dos Holandeses, em São Luís”, algo inimaginável para os 32 escritores das crônicas e para a maioria dos baixadeiros ali presentes.

Na abertura, Simão Pedro, professor de música e natural de Matinha, interpretou o Hino Nacional e uma Canção em homenagem à Baixada, de autoria de Gracilene Pinto, natural de São Vicente Férrer, cujas crônicas o leitor pode encontrar nas páginas 156 e 191.

Em seguida, o “Poema para a Baixada Maranhense” foi declamado pelo seu autor, Hilton Mendonça, natural de Arari. O belo poema consta no introito da obra. Hilton também empresta o seu talento literário por meio de duas crônicas que poderão ser encontradas nas páginas 143 e 180.

Elinajara Pereira, natural de Bequimão, declamou o poema denominado “Ecos …”, composto por Rafael Marques em homenagem aos Ecos da Baixada e à sua amiga Elinajara, esta possui uma bela crônica, que pode ser encontrada na página 56.

 A Presidente do Fórum da Baixada, Ana Creusa, ressaltou a importância da união dos baixadeiros em prol da Baixada, e destacou que o Fórum é composto de pessoas com tendências e preferências, teorias, modelos e concepções políticas diferentes. Porém, o que os une é o sentimento único de amor à Baixada, que os torna irmãos. Os textos de Ana Creusa estão nas páginas 67 e 160.

Em sua fala, o primeiro Presidente do Fórum da Baixada, idealizador e organizador da obra, Flávio Braga, natural de Peri-Mirim, agradeceu aos ecoerios, como carinhosamente são chamados os cronistas, e ainda discorreu sobre a importância da obra Ecos da Baixada para região. As belas crônicas de Flávio estão dispostas nas páginas 83 e 98.

O Superintendente do Sebrae, João Martins, natural de Bequimão, demonstrou apoio ao Fórum da Baixada, do qual é filiado. Em sua fala, destacou a importância da obra “Ecos da Baixada”, a qual ajudará a Baixada a ecoar longe, inclusive em Brasília e outros recantos do Brasil, quiçá do exterior.

O Presidente da Academia Maranhense de Letras, brincou que os ecos da Baixada chegaram a Itapecuru, sua terra natal, e que a Baixada parou o trânsito de uma das principais avenidas de São Luís.

Natalino Salgado, com seu talento peculiar, brindou os baixadeiros com a crônica “A Baixada Maranhense e sua Vocação para a Grandeza”, que pode ser encontrada à página 35.  Como representante dos ecoeiros, saudou a todos. Em seguida, nos brindou com um texto dedicado a seu pai, matéria que evidencia o amor do seu genitor pela a sua bela Cururupu.

Em seguida foi servido um coquetel que, como se diz na Baixada “não deu para quem quis”.

Foi gratificante ver tantas pessoas disputando autógrafos, tirando fotos e fazendo selfies com os ecoeiros, numa verdadeira pororoca de emoções, como disse o ecoeiro Manoel Barros, natural de São João Batista, ao descrever o festival de emoções, envolvidas em todo o processo de lançamento do livro Ecos da Baixada.

Eis que a Baixada descortina sua singular epopeia, por meio dos Ecos da Baixada!!!

Texto de Ana Creusa, presidente do FDBM e cronista do livro. Revisão de Hilton Mendonça, escritor, compositor e cronista do livro.

 

ACHADOS PRÉ-HISTÓRICOS DOS POVOS DA BAIXADA

Na manhã do dia 11 de janeiro de 2018, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense – FDBM visitou o Laboratório de Arqueologia da UFMA, em companhia do forense Prof. Mestre Manoel Barros e do aluno bolsista do Curso de História Flaviomiro Mendonça, que apresentou aos presentes, parte do grande acervo do Laboratório de Arqueologia, que é composto de peças de povos pré-históricos que habitavam em estearias, que são sítios arqueológicos específicos da Baixada Maranhense.

O acervo é composto por cerâmicas (vasilhames, estatuetas, pratos, cálices, peças de tecelagem) e ferramentas de pedra. Segundo explicou Flaviomiro Mendonça, as estearias foram habitações coletivas de povos antigos da Baixada, construídas no leito dos rios, fixadas por meio de estacas.

Foram encontradas urnas funerárias que, segundo os achados arqueológicos, os mortos primeiramente eram enterrados em covas comuns e depois apenas os ossos eram depositados em urnas de acordo com o tamanho do esqueleto.

Também foram coletados vários restos de madeira utilizados na construção das estearias. Esses fragmentos já foram catalogados e serão objeto de estudo em Universidade dos EUA, a fim de identificar a variedade da madeira.

Na oportunidade, o Prof. Manoel Barros discorreu sobre a importância do baixadeiro Raimundo Lopes para a arqueologia da Baixada.

Os forenses ficaram impressionados com a quantidade de informações que aquele laboratório possui sobre os ancestrais dos baixadeiros.

Todos saíram com a certeza de que precisam conhecer melhor essa preciosidade histórica da Baixada Maranhense, sob a guarda profissional e atenciosa do Laboratório de Arqueologia da UFMA.