Ata da reunião do dia 29.07.2018

Ata da quarta reunião da ALCAP- Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense –  Casa de Naísa Amorim.

Aos vinte e nove dias do mês de julho do corrente ano de dois mil e dezoito, às onze horas e um minuto, nas dependências do Sítio Jurema, da Família Santos, situado no povoado Cametá, nesta cidade de Peri-Mirim-MA, ocorreu a quarta reunião da ALCAP- Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense Casa de Naísa Amorim. Fizeram-se presentes dezessete confrades: Diêgo Nunes Boaes, Ataniêta Márcia Nunes Martins, Elinalva de Jesus Campos, Eni do Rosário Pereira Amorim, Nani Sebastiana Pereira Silva, Maria Nasaré Silva, Jailson de Jesus Alves Sousa, Jessythannya Carvalho Santos, Ana Creusa Martins dos Santos, Graça Maria França Pereira, Antônio João França Pereira, Raimundo Martins Campelo, José Ribamar Martins Bordalo, Edna Jara Abreu Santos, Liliene da Glória Costa Ferreira, José Sodré Ferreira Neto e Clarice Martins dos Santos. Houve a justificativa por parte do secretário de alguns membros que tiveram compromissos nesse dia e ainda por conta de questão de saúde. A reunião foi iniciada com as boas vindas dada pela presidente empossada, Eni do Rosário Pereira Amorim, que em seguida falou sobre a reunião com a diretoria ocorrida na última quinta-feira para levantar pontos estratégicos em relação à posse dos acadêmicos, dando continuidade a reunião, foram enumeradas algumas sugestões que foram aprovadas por unanimidade, tais como: 01. Local da Posse dos Acadêmicos: Auditório Antônio João Pereira, localizado no bairro do Portinho, ao lado do Sindicato dos Pescadores Profissionais, Artesanais, Marisqueiros e Criadores de Peixe de Peri-Mirim; 02. Data e hora da Posse dos Acadêmicos: dia 15/12/2018 às 19:30h; 03. Confecção dos Certificados da Posse dos Acadêmicos, ficando sob a responsabilidade da confreira Nasaré Silva a confecção e os demais membros da ALCAP o papel propício para a certificação; 04. Fogos após o evento será de responsabilidade de todos, através de colaboração que será dividido e divulgado o preço no grupo da Academia de Letras, como o caso do capelo (roupa dos acadêmicos), cerimonial e coquetel; 05. A forma de angariar fundos para ajudar nas despesas da posse: foi discutida a possibilidade de fazer um bingo, já de antemão o confrade Antônio João França Pereira se colocou a disposição para doar um milheiro de tijolo para colocar como premiação, os confrades Eni, Nasaré e Bordalo ficaram responsáveis de conversar com alguns empresários da cidade (Jorge, Ismael e Bitinha) para ver a possibilidade de doação de algum objeto para o bingo. A data do bingo ficou para ser analisada, e o confrade Diêgo Nunes Boaes se responsabilizou em ver a data da festa de Gildásio para ser marcado o bingo. Nas vendas do dia 07 de setembro ficaram encarregados: Diêgo, Tatá e Nani para venda de água e na venda de lanche no lançamento do CD da cantora Sara Vitória no dia 03 de novembro, proposto pela confreira Liliene da Glória Costa Ferreira; 06. A parte musical do evento: o confrade Antônio João França Pereira ficou responsável de conversar com um músico da terra, Rogério França; 07. Quadro da dona da casa- Naísa Amorim: Será doado pelo filho, Doutor Douglas Airton Ferreira Amorim. A presidente abriu o espaço para se discutir outros assuntos, na ocasião o confrade Antônio João França Pereira colocou um ponto que por todos foi dado como importante, a questão do fotógrafo, na qual o confrade José Ribamar Martins Bordalo se responsabilizou em falar com o seu genro, o profissional Magno. O confrade Raimundo Martins Campelo deu sua contribuição ao que diz respeito o compromisso dos confrades às reuniões, tendo em vista que os que não compareceram na reunião na Jurema, que moram em Peri-Mirim, se justificaram em relação as suas ausências. Houve uma sugestão dado pelo confrade Antônio João França Pereira, a confecção do calendário da ALCAP, na qual serão agendadas as reuniões da Academia para que todos possam participar, sem colocar nenhum outro compromisso para os dias das reuniões, por unanimidade todos acataram a proposta, mas tendo alguns dias para descartar a possibilidade de haver reunião, como é o caso do sábado dia todo, domingo pela manhã e do primeiro final de semana do mês, são dias onde a maioria dos acadêmicos está compromissado e não podem se desfazer de tais compromissos. Tendo em vista acertar mais alguns pontos em relação à posse, a presidente marcou uma reunião com a diretoria em sua residência dia 31/07/2018 às 19:30h, onde posteriormente será divulgado no grupo da ALCAP as propostas juntamente com a data para a próxima reunião. Ainda nos assuntos diversos, a confrade Ana Creusa Martins dos Santos destacou a importância de se fazer a obra coletiva e após cada acadêmico poderá publicar suas obras, falou da conversa que teve com a diretoria do SEBRAE e que poderá ser uma parceria de extrema importância para a ALCAP em relação às publicações. Encerramos a reunião com o coquetel dos aniversariantes do semestre, de fevereiro a julho, tendo em vista que não tem nenhum aniversariante em janeiro. Nada mais havendo a tratar, a presidente agradeceu a todos os presentes a sua colaboração e deu por encerrada a reunião. E para constar, eu, Diêgo Nunes Boaes, lavrei a presente Ata que depois de lida e aprovada, será assinada por mim e pela presidente.

Peri-Mirim, 29 de julho de 2018.

Eni do Rosário Pereira Amorim

Presidente

Diêgo Nunes Boaes                                           

1º Secretário                                                             

 

Casamento Comunitário em Peri-Mirim

No dia 13 de junho de 2018, próxima quarta-feira, ocorrerá no clube da cidade o 1º Casamento Comunitário de Peri-Mirim, sob direção da MM Juíza Michelle Amorim Sanches Sousa Diniz.

 O Projeto “Casamentos Comunitários” foi instituído pelo Poder Judiciário Maranhense desde 1998. O procedimento gratuito está disposto no Provimento N° 10/2013 da Corregedoria Geral da Justiça (CGJ-MA).

A gratuidade inclui a expedição de 2ª via do assento de nascimento ou casamento, se necessário. A Corregedoria Geral da Justiça disponibiliza apoio logístico aos magistrados para concretização do Projeto Casamentos Comunitários, especialmente junto aos cartórios.

A sociedade Perimiriense foi convidada a participar do evento, para tanto, a Juíza realizou reuniões e ensaios com os convocados, entre eles a recém-criada Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense – ALCAP que participará do evento com o objetivo de demonstrar seu apoio aos valores da Família.

Durante o evento, será realizado o pré-lançamento da 2ª edição do Livro “Curiosidades Históricas de Peri-Mirim”, de autoria do membro da Academia Perimiriense, Francisco Viegas Paz.

Como parte da programação e divulgação, Ana Creusa, presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense – FDBM e o autor da obra foram os entrevistados do Programa da Difusora AM “Nossa terra, nossa gente”, apresentado por Willian Rio Branco.

Na oportunidade, os entrevistados destacaram o empenho dos acadêmicos em demonstrar seu apoio incondicional ao Casamento Comunitário, bem como discorreram sobre os projetos do Fórum da Baixada, como os Projetos Diques da Baixada e Academias na Baixada.

Enfatizaram, ainda, o empenho da Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes de Peri-Mirim, Eni Amorim e sua equipe que, atendendo ao convite da Juíza Michelle Amorim Sanches Sousa Diniz ajudará na recepção dos casais, bem como dos juízes convidados que virão de outros municípios da Baixada para Peri-Mirim.

Peri-Mirim realiza a II reunião preparatória para implantação da Academia

Neste domingo, 15 de abril, ocorreu a II reunião para instalação da Academia de Letras, Ciências e Artes de Peri-Mirim, a fim de debater os assuntos constantes da pauta. A reunião foi presidida por Ana Creusa, representando o “Projeto Academias na Baixada” do Fórum da em Defesa da Baixada Maranhense  (FDBM), secretariando os trabalhos, atuou Diêgo Nunes.

A reunião ocorreu em Peri-Mirim e contou com a presença da Secretária de Educação Municipal, Alda Ribeiro. A Secretaria de Cultura enviou representante. O FDBM foi representado por quatro forenses: Ana Creusa, Ana Cléres, Manoel Braga e Vescelau Júnior.

Iniciou-se com uma breve apresentação de todos, em seguida foi lida e aprovada a Ata da reunião do dia 04/03/2018. Foi eleita, por unanimidade, a logomarca apresentada pelo confrade Francisco Viegas Paz. A nomenclatura vencedora foi Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP). Ficou decidido que a proposta do estatuto precisa ser estudada com mais cuidado, a qual será encaminhada aos participantes para estudo. A provação será feita na próxima reunião, marcada para o dia 20/05/2018.

Também ficou decidido que na próxima reunião será eleita a Diretoria Executiva e sorteadas as cadeiras, ocasião em que cada acadêmico apresentará a sua biografia e do seu patrono.

Foi lançada a Campanha para e reedição da obra “Curiosidades Históricas de Peri-Mirim”, sendo lançada uma rifa, cujo valor ser consignado como crédito para a aquisição da obra.

Foi formada uma comissão para estudar a realização de um evento cultural nas férias de julho para as crianças do município.

Ao final, fomos agraciados com um momento cultural denominado “Memórias da Roça”, em que foram apresentados utensílios e artesanatos próprios da Baixada: abano, mensaba, pilão, coco babaçu, caldeirão, rede, socó, tarrafa e outros, seguido de um belo relato histórico realizado pela confrade Eni Amorim. E, para não faltar nada, foi servida uma merenda com bolo de tapioca, café com leite, queijo, mingau de milho e de tapioca.

Destaque-se a organização dos eventos feitos por uma competente comissão, que conta com o entusiasmo de todos, cuja palavra de ordem é: “UNIÃO”.

Relatório da primeira reunião da Comissão da Academia de Letras, Ciências e Artes de Peri-Mirim – ALCAP

Aos dezoito dias do mês de março de dois mil e dezoito, ocorreu às 15:00h na residência de Eni do Rosário Pereira Amorim em Peri-Mirim, a reunião da Comissão de estudo da Academia de Letras, Ciências e Artes de Peri-Mirim (ALCAP), responsável pelo estudo da minuta do Estatuto. Foi realizada a leitura e tendo como referência o Estatuto da Academia de Letras de Matinha, compareceram à reunião: Diêgo Nunes Boaes e Edna Jara Abreu Santos membros da comissão e Eni do Rosário Pereira Amorim convidada. Na ocasião foram discutidas ações relevantes à organização da fundação, denominação e finalidade da Academia de Letras, Ciências e Artes de Peri-Mirim (ALCAP), e sobre as questões a serem levadas para a reunião do dia 15 de abril, bem como a eleição para a diretoria, meios para arrecadar fundos para academia, votação da sigla, slogan e patrono da mesma. Foi decidido o nome de alguns idosos que podem contribuir com a historiografia da cidade de Peri-Mirim, e selecionados para apresentar na reunião: Dona Mirian, Terezinha Nunes, Luís Bode e Madalena, Mundinho Campelo, Sipreto e Dona Antônia sua mãe, Walton Barreira, Zé Nunes, De Jesus, Ana Lúcia de Almeida, Cassiano, Dona Maria de Bento, seu Cassiano e Manuel Porco, Procório, dona Ana e seu Carico, Javandira, Pastor Claudionor e dona Elisia, Rosilda Castro, Fátima Guterres, Anastácio e Valdemar Corrêa, seu Vavá do Campo de Pouso e esposa, dona Eni Nunes, Dorado, seu Raul Mendes e dona Constância. Nada mais a declarar foi encerrada a reunião.

Casa na árvore

Sonho de toda criança 
Feita de madeira, ferro, tecido e muita emoção 
A casa da árvore se torna um espaço para a recreação, espaço de trabalho, habitação e observação.

De degrau em degrau, 
de galho em galho, 
com delicadas mãos, 
Feita sem nenhum atrapalho

Planejada, com meses 
de projetos bem sucedidos,
No alto da azeitoneira divisa com a paparaubeira. 
Com amarros corridos

Assento triangular 
e de cor alaranjado 
laterais de cortinas de tecido
para esconder do sol avantajado.

Cada galho tem um degrau
Que espalha o cansaço ao subir
Porém, uma sensação boa ao chegar
Naquele belo local pude sentir

A vista de cima, 
dá-se ao campo radiante
que no inverno nos propicia 
um cenário exuberante. 

A 14 metros aproximadamente, 
levou um mês de construção.
Na descida pude sentir extremamente 
o calor da emoção. 

Naquele lindo lugar 
O forte vento,
A paz e a tranquilidade, 
É que nos permite passar mais tempo.

O que vale é a aventura
O desejo de passar mais tempo ali
De fazer mil e uma peripécias 
E lá mesmo se divertir.

Diêgo Nunes

Ata da primeira reunião preparatória de fundação da Academia Peri-miriense

Aos quatro dias do mês de março de dois mil e dezoito às quatorze horas, reuniram-se na residência do senhor professor Venceslau Pereira Júnior, situada na Rua Desembargador Pereira Júnior – Centro, na cidade de Peri-Mirim, Maranhão, os senhores Ana Creusa Martins dos Santos, Diêgo Nunes Boaes, Carlos Pereira Oliveira, Maria Amélia Pinheiro Martins dos Santos, José Ribamar Martins Bordalo, Adelaide Pereira Mendes, Josiana Silva, Marcijunes Silva Gomes, Arlindo Cristino Fonseca Ribeiro, Edna Jara Abreu Santos, Laura Andrelynne Durans Duarte, Venceslau Pereira Júnior, Ana Cléres Santos Ferreira, Ronya Durans Pereira e Paulo Sérgio Corrêa,  com o fito de estudarem a possibilidade de fundarem uma confraria cultural, ideia liderada pelo Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), por meio do Projeto Academias na Baixada. A reunião foi presidida por Ana Creusa Martins dos Santos e secretariada por Diêgo Nunes Boaes. A reunião contou com a participação de quinze pessoas, sendo eles: acadêmicos, profissionais da educação e artistas da terra. A senhora Ana Creusa abriu a discussão acerca dos mecanismos e propostas necessárias para a organização e criação da Academia, tendo como base, prestigiar inúmeras pessoas que muito contribuem com a cultura, literatura e música. A mesma representou os senhores Francisco Viegas Paz, Flávio Braga e ainda o casal Antônio João França e Graça Pereira. Em seguida foi realizada a apresentação dos presentes, cada um falou sua formação, experiência, ocupação no município e as expectativas esperadas na formação da Academia Peri-miriense de Letras, Artes e Ciências. Na ocasião foram lembrados nomes de personagens que fizeram e fazem parte da história do município, como é o caso do saudoso professor João Garcia Furtado quem na memória de muitos batizou Peri-Mirim como a “Metrópole da cultura brasileira”, além dele foram citados:  Carro Pique, Santiago, Flávio Braga, Antônio João França Pereira, Francisco Viegas, Abacaxé, Vavá Melo, Maria Rosa Gomes, Ana Creusa e tantos outros que contribuíram e que ainda contribuem com a nossa história. Em seguida, Ana Creusa deu continuidade falando a respeito do site do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e que o mesmo criou o projeto academias na baixada com a visão de participação de todos que contribuem com a cultura e história dos municípios, e ainda sobre a importância de se criar um menu para a Academia Peri-miriense de Letras, Artes e Ciências, na qual os envolvidos com a Academia poderão publicar seus trabalhos. Houve um momento cultural, com uma toada cantada pelo compositor da terra, o senhor Carlos Pereira Oliveira, vulgo “Carro Píque”, onde abrilhantou com uma de suas toadas de maior sucesso, da copa de 70. Mostrando o real sentido e significado da academia, que se trata de uma união de valores voltados para o bem da história e cultura de Peri-Mirim. Logo depois foi criada uma comissão para estudar e expor a minuta do estatuto na próxima reunião e que ficará responsável pelos trabalhos. Os indicados foram: Diêgo Nunes Boaes, Edna Jara Abreu Santos e Marcijunes Silva Gomes, bem como deliberaram sobre a criação do grupo do WhatsApp e a extensão do convite para participar às pessoas que têm interesse e perfil para participar da academia. Para finalizar, foram colocados assuntos para a pauta da próxima reunião: discussão da minuta de estatuto proposta pela Comissão; escolha da sigla da Academia Peri-miriense de Letras, Artes e Ciências. Ao final, comprometeram-se a convidar outras pessoas que se identifiquem com a academia para fazer parte da próxima reunião, marcada para o dia quinze de abril, às quinze horas, no prédio do Centro Educacional Artur Teixeira de Carvalho. A reunião foi encerrada com um coquetel. Nada mais havendo a tratar, a presidente agradeceu a todos os presentes a sua colaboração e deu por encerrada a reunião, decidiu seria lavrada pelo secretário, que depois de lida e achada conforme será assinada por todos os presentes. Peri-Mirim, 4 de março de 2018.

Estatuto e Atas das sessões

Quebradeira de coco

Quebradeira de coco solteira, que cedo levanta, passa o café no velho bule, no fogareiro de barro, utilizando o carvão feito da casca do coco babaçu. Pega um pano, faz dele uma rodilha, uma proteção para a cabeça, pega sua “manchada”, sua “mancepa” e uma lata de meio quilo, este último era para medir a quantia de amêndoa de coco, colocava-os dentro do cofo e depois sobre sua cabeça, enrolava o vestido para ficar mais curto e colocava a mão na cintura para servir de contra-peso.

Segue para o mato para juntar coco. Junta um, dois, um aqui outro acolá, enche o cofo até transbordar, procura um local e os despeja, ficando um sobre o outro formando uma ruma. Ao terminar de juntar o coco, ela pega um tronco forte cortado ou raiz de mangueira ou de cajueiro, prega a “manchada” sobre o tronco com auxílio da “mancepa”, espécie de martelo de madeira, e assenta sobre o chão.

Começa a quebrar, em suas “mancepadas”, inicia uma de suas cantorias para ver o tempo passar ligeiro. Como passa-tempo aquelas cantigas de caixa eram as que se sobressaiam e lhe davam companhia naquele dia. Colocava as amêndoas dentro do cofo e as cascas do lado, estas iriam mais tarde para a caeira, um buraco feito para queimar as cascas transformando-as em carvão, que mais tarde também serviria, tanto para usar no preparo da alimentação, quanto para vender.

A quebradeira já de costas doídas daquele dia inteiro de batalho, chega em casa com seu cofo de amêndoas. Uma parte para venda, outra para alimentação das criações e  para a fabricação do azeite. Ela separa as da venda, soca no pilão as amêndoas que irá utilizar em casa, uma parte do bagaço serve de alimento para as galinhas caipiras, a outra vai para o caldeirão, que logo transformará em azeite.

O leite de coco serve para engrossar o caldo do peixe consertado em “tic tic” e também para ajudar na fabricação dos deliciosos bolos de tapioca. Das cascas ela retira o fubá para fazer mingau para as crianças menores da casa. E coloca na caeira o restante, ascende a caeira, cobre com as pindobas, palhas verdes de babaçu, e bastante terra, para abafar. E aguarda que o fogo faz sua parte.

No fim do dia ela retorna para tirar o carvão. Leva para casa os cofos fardos, e a casa enche de alegria. Prepara o mingau para os menores dormirem. E na ceia da noite prepara a mesa com aquele peixinho gostoso da água doce, e de sobremesa aquele café cheiroso, torrado com erva-doce, com o delicioso bolo de tapioca, digno de uma mulher guerreira. E assim é a história que se inicia dia após dia.

Diêgo Nunes

Vida na roça

Vida na roça

Em meus tempos de criança, meu avô me acordava às 5h da manhã, antes do galo do terreiro cantar, pegava a sua foice e íamos a pé pelo campo, sentido povoado Canaranas em Peri-Mirim, era o mês de novembro, tempo de fazer roçado, íamos andando nos torrões que o tempo tinha marcado pela seca. Eu carregava uma garrafa térmica com bastante água e gelo para que até meio-dia tivéssemos o que beber. Minha avó preparava farofa de ovo para levarmos como merenda, às vezes colocava uma carninha seca frita, quando tinha, mas a farinha d´água não podia faltar. Ao chegar na casa da minha bisavó, recebíamos a benção dela e partimos para o roçado do meu avô, Domingos, vulgo Duro.

Entrávamos mato a dentro, ele cortava todos os matos e eu os puxava e os arrumava, deixamos que o tempo tomasse conta e todos secassem. Podíamos ouvir longe, aqueles toques nas madeiras. Após três dias de sol intenso, voltávamos para o roçado e tocávamos fogo em todas as plantas derribadas e já totalmente secas. O fogo se cabia de torrar tudo.  Os talos meu avô fazia questão de pegar todos eles, pois iriam servir para o cercado da roça. Eu os arrumava, os matos que não queimavam, fazíamos as rumas, chamadas de coivara para que queimassem também. O suor escorria aos nossos rostos, e a cor da tisna do carvão, criado a partir da queima, transcendência nosso corpo, os ombros avermelhados e feridos ficavam.

Depois que estava completamente limpo todo o roçado, iniciávamos a cercar, meu avô tirava os morões e os cipós, ele sempre tirava e eu era responsável em carregar as coisas necessárias para dentro da futura roça, levava nos ombros, mas quando não dava conta, arrastava-os.  Ele fazia os buracos, colocávamos os morões, socávamos com um pedaço de pau um pouco fino, para que o morão ficasse bem firme. Metíamos os talos secos, entremeávamos um com outros entrelaçados ficavam bem firmes, os cipós serviam para amarrar as pontas dos talos entre um e outro e ainda para segurar junto dos morões. Após tudo isso, limpávamos todo o roçado e aguardávamos o início das chuvas. Minha bisavó Tonha e minha tia bisavó Lica chegavam de surpresa para pegar a madeira que havia queimado para servir de lenha em suas cozinhas.

Ao início das chuvas, geralmente nos meses de janeiro para fevereiro, começávamos a nos preparar para as plantações, levávamos milho, feijão, maxixe, maniva e arroz para o plantio. O arroz era plantado nas áreas mais baixas, devido ao escoramento d´água e o alagamento. Geralmente ia conosco, meus tios, primos e avós. A família toda ocupava o roçado, para passar o dia todo. Era feito até uma pequena cabana improvisada. Minha avó levava o nosso almoço para a roça, e várias mangas doadas pela bisa Tonha, juntamente com um punhado de farinha. Uma manga para cada um e farinha para saboreamos com a manga era distribuído para todos, até no almoço a farinha não podia faltar, pois como bom baixadeiro, comer sem a preciosa farinha d´água parece que o comer não desce.

Eu plantava junto com meu avó e meus primos os caroços de milho e ajudamos os tios no plantio da maniva, minha avó e minha bisa plantavam o feijão e o arroz, meus tios plantavam maniva e maxixe. Deles o que mais demorava era a maniva, ao chegarmos, meu avó e meus tios pegavam os troncos das manivas secas e decotavam, ou seja, cortava todos em tamanhos pequenos e iguais, com auxilio do facão ou patacho e um tronco de árvore que era colocado transversalmente apoiado em uma pendoveira. Juntávamos os pedaços de maniva com tamanho de um palmo e colocávamos nos cofos, os destinados a plantá-las amarravam o cofo nas cinturas.

Os milhos, e as demais sementes eram despejadas nas cuias que serviam de suporte para colocar nas covas abertas pelas enxadas. As manivas eram colocadas de duas em duas, as cabeças dos pedaços de maniva ficavam juntas, para que ao crescer acompanhassem só um ritmo. O milho era colocado 2 ou 3 sementes em cada cova, quando o milho era bonito e de belas espigas colocávamos 2 caroços, mas quando eram espigas pequenas colocávamos 3 caroços, as covas eram feitas em sentido dobrado, duas covas juntas, pois se morresse o milho plantado em uma, a outra ficaria para suprir aquele vago. O arroz era plantado com auxílio de uma máquina, 5 em 5 caroços para cada cova e eram bem próximas as covas uma das outras. O feijão era semeado também na baixa e colocado 3 ou 4 sementes nas covas, as folhas do arroz cobriam as covas abafando e servindo de estrume para as covas de feijão para que crescessem mais rápido e dessem bons e belos pés de feijão. Os pedaços secos de maxixe eram atirados junto das covas de maniva.

Em meio a muita chuva, as plantações cresciam, junto dela vários matos também, meu avô e eu íamos para a roça, para capinar com o auxílio de um patacho e ver se não tinha furos feitos por porcos nas cercas do roçado. O que me faz às vezes rir é que meu primo mais velho, quando meu avô dizia: – vamos plantar rápido para ir cedo pra casa. Ele enchia de 8, 9 e até 10 caroços as covas de milho. Só descobríamos quando chegávamos para capinar.

No mês de abril íamos colher as espigas de milho, era a parte que mais gostava, pois pensava logo em comê-las assadas, cozidas, feitas pamonhas e canjicas. Minha avó separava as espigas moles serviam para comer cozida, um pouco mais dura, assávamos ou eram raladas para fazer canjica ou pamonha, as muito duras eram utilizadas para alimentar as criações de galinha, pato e porco.

Naquela vida de roça, lembro-me dos pés de frutinha do mato, maracujazinho, murta, ingá e veludo eram as frutas que mais apreciava. Lembro-me também do cansaço, mas da única maneira que tínhamos de ajudar no sustento de casa, de como meu avô havia criado seus 6 filhos, na luta e no batalho, nos cabos da enxada e da foice, às vezes reclamava de acordar cedo, mas muito aprendi com meu avô, dos valores que ele me ensinou levo para a vida toda.

Diêgo Nunes.

O Convento das freiras canadenses

Por Eni Amorim

Esse Convento, velho, maltratado, guarda histórias de uma pequena e pacata cidade chamada Peri-Mirim. Esse casarão, outrora imponente, fora construído para abrigar as freiras da Missão de Sherbrook (Canadá) na década de 60. Ficando o convento abandonado, meus pais foram convidados para tomarem conta dele, desde então iniciamos uma nova história da nossa vida naquele local. Papai (Jair Amorim), mamãe Inácia Amorim, eu primogênita, com sete anos de idade na época e mais quatro irmãos… Vivíamos assustados, a priori, pelas histórias de assombrações que emergiam do senso popular: diziam que o casarão era assombrado e que tinha uma freira de chamató (tamanco) que aparecia na calada da noite e corria pelo casarão fazendo um barulho ensurdecedor pelo toc, toc dos tamancos  e outras tantas histórias… (eu particularmente nunca vi nenhuma freira de chamató por lá…). Vivemos por lá cerca de 10 anos e foram tempos maravilhosos, tínhamos um quarteirão só para nós, era espaço suficiente para aprontarmos mil e uma peripécias… 
Após nossa saída do casarão, outras histórias continuaram a serem reescritas por outros atores, e, de repente, a notícia de que o mesmo seria destruído… E eu na minha insignificância juntei minha voz a todas as vozes dos filhos de Peri-Mirim para clamar que sejam feitos novos projetos que não sacrifiquem o velho casarão e sim, procedam a uma Reforma para que ali possa pulsar a vida que outrora pulsou. 
A história precisa continuar e os nossos representantes precisam ver as coisas com um olhar diferente, focado na cultura de um povo, afinal é para isso que nós os colocamos para nos representarem dignamente. 

Velho Casarão

Vendo-te definhar nas sombras das tuas ruínas, 
Remoto-me para o período da tua aurora juventude, onde reinavas majestoso na imponência do tempo.
Guardas em tuas ruínas histórias e lendas de personagens que habitaram dentro de ti; Histórias de amores e desamores, esperanças, alegrias, tristezas, angústias, perdas e reencontros, chegadas e partidas…
Nas histórias do senso comum que brotam da imaginação de uma gente humilde surge a lenda da ’’Freira de chamató’’ (tamanco). (Eis que na calada da noite uma freira de chamató passeia pelas varandas do casarão com seu toc, toc irritante.) Lenda essa que fez o casarão tomar uma conotação de ‘’Casarão mal assombrado’’.
Guardastes no teu abrigo: religiosos, trabalhadores, viajantes, vendedores e moribundos… 
Abrigas nas tuas entranhas histórias de muitos atores, cada qual com sua singularidade que lhe é peculiar.
Agora que a velhice chegou e que não tens mais o vigor de outrora, 
Jazes esquecido ao relento e aos maus tratos,

Não passas de escombros e de local para deposição de excrementos humanos e abrigo para os animais que perambulam pelas ruas da cidade.
E você, velho casarão, aguarda que o tempo complete o seu processo de oxidação, enquanto você figurará nos fragmentos de uma história nas névoas do tempo.