A SECA NA BAIXADA, O ANCESTRAL DESAFIO

A SECA NA BAIXADA, O ANCESTRAL DESAFIO

Foi amplamente divulgado pela imprensa que, neste ano de 2023, ocorreu a maior seca dos últimos 10 anos na microrregião da baixada maranhense e causou a morte de milhares de peixes. Para os baixadeiros, esse fato é uma tragédia anunciada e provocou debates sobre a necessidade de construção dos Diques da Baixada, que ajudariam combater os efeitos da seca inclemente.

A ideia é compor uma COMISSÃO para elaborar a pauta para um SEMINÁRIO ou coisa parecida onde técnicos, estudiosos da Baixada e outras instituições públicas e privadas, prefeitos, técnicos do Governo, principalmente da área de infraestrutura, meio ambiente, etc. Nesse sentido, o presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), Expedito Morais, compilou as sugestões abaixo:
 
  1. As ideias e ações discutidas e implementadas até agora no território da Baixada não foram suficientes para evitar tragédias como essas. Até porque, são intervenções (obras) localizadas e normalmente sem uma metodologia construtiva adequada;
  2. Não existe até a presente data consenso entre os baixadeiros, técnicos, estudiosos e poderes públicos  sobre os tipos de ações possíveis de serem  implementadas  e capazes de corrigir estes ciclos de escassez de água ou de excesso;
  3. Os DIQUES DA BAIXADA,   BARRAGENS DE ENSEADAS, AÇUDES, TAPAGENS – como alguns pensam, não serão a solução que a Baixada necessita. São de fundamental importância como parte de um conjunto de intervenção que provavelmente pode e deve acontecer;
  4. Não vamos encontrar a forma de superar este ancestral desafio se não formos capazes de envolver todos os atores numa elevada discussão técnica, científica, para definirmos um Plano de ações concretas, razoáveis e possíveis;
  5. Esta PRESIDÊNCIA está disposta a organizar este debate em ambiente apropriado e presencial. Não é possível tal discussão via WhatsApp;
  6. Vamos formar uma comissão Organizadora, pois, 
  7. O GOVERNADOR BRANDÃO quer saber o quê, como e quando podem ser feitas essas obras. Em conversa com EDUARDO e outros, demonstrou sua preocupação. Então, vamos às soluções. Será nossa grande oportunidade.
Expedito Moraes
Presidente do FDBM

“TESOS E ENSEDAS” E OS DESAFIOS DA BAIXADA

“TESOS E ENSEDAS” E OS DESAFIOS DA BAIXADA

Por Expedito Moraes

A Baixada Maranhense corresponde à região do entorno do Golfão, caracterizada por relevo plano a suavemente ondulado contendo extensas áreas rebaixadas que são alagadas durante o período chuvoso, dando origem a extensos lagos interligados por um sistema de drenagem com canais divagantes, associados aos baixos cursos dos rios Mearim, Pindaré e Pericumã.

Constitui um ambiente rebaixado, de formação sedimentar recente, ponteado de relevos residuais, formando outeiros e superfícies tabulares cujas bordas decaem em colinas de declividades variadas. Os lagos transbordam durante o período chuvoso e servem como vias de comunicação entre as cidades e os povoados, substituindo parcialmente as estradas. Durante o período seco, o cenário hídrico transforma-se em grandes extensões de campos ressequidos. O desafio é encontrar uma situação de equilíbrio nesta região que poderá ser muito rica. Uma delas seria a ligação entre os “TESOS” atravessando as imensas “ENSEADAS”.

Postado em 2013.

DIQUES E BARRAGENS NA BAIXADA MARANHENSE

DIQUES E BARRAGENS NA BAIXADA MARANHENSE

Por Expedito Moraes

Primeiro capitulo

Ontem (08/12/2023), o Jornal Nacional divulgou uma matéria que enfatizava as mazelas provocadas pela seca nos campos da Baixada. Na matéria aparece, em destaque, os campos “esturricados”, principalmente, do município de Bacurituba.
Por volta de 2013 a 2015 tive o oportunidade de conhecer melhor as questões mais emblemáticas da região da Baixada e Litoral Ocidental. Nesse período, como Secretário Adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Social do Governo do Estado (Sedes), coordenei uma equipe que acreditava que as Barragens de Enseadas eram capazes de minimizar muito a calamidade causada pela seca.
Os campos que hoje estão esturricados, há seis meses estavam alagados ou submersos. Precisamos entender a diferença entre os Diques da Baixada e as Barragens de Enseadas e outros tipos de acumuladores de água.
Os DIQUES da BAIXADA, têm como principal função evitar o avanço de água salgada nos campos que margeiam a Baía de São Marcos ou que adentram pelos igarapés, principalmente no verão nas fases de lua cheia e nova.
A permanência de água doce, proveniente do período chuvoso, entre os aterros do dique e o campo não permanece o verão todo; em condições normais de médio inverno e média seca, nos meses de agosto para a frente já terá sofrido um abaixamento grande causado pela evaporação e percolação do solo. Poucos lugares ficarão com água acumulada até o inverno seguinte.
Porém, já existem inúmeras barragens de enseadas, açudes, diques de produção (réplica das valas de 12X200 metros que deu certo em ANAJATUBA), e outros tipos de acumuladores de água artificiais e lagoas naturais que minimizaram, ao longo desses anos, um pouco a extrema carência de água e pescado.
Como vimos, ontem na matéria jornalística, em Bacurituba, mesmo no meio dos torrões e capim seco, ainda, permanecia água e lama em alguns açudes, onde o gado mata a sede, mas morre atolado.
Conheci muito bem esse lugar, caminhando a pé na companhia do saudoso Xisto, então, prefeito do Município. Era um entusiasta deste tipo de prevenção.
Definimos uns cinco locais que o Estado do Maranhão, com recurso do BNDES deveria intervir, para construir 3 barragens de um teso a outro e duas seriam restauração e adequação.
Durante, aqueles 2 anos, fizemos levantamento de aproximadamente 100 locais possíveis deste tipo de intervenção. No final do Governo de Arnaldo Melo, os técnicos terceirizados do BNDES, engenheiros e assistentes sociais da Sedes deixaram aprovados recursos suficientes para construir mais de 50 barragens, inclusive Maria Rita. Ocorre, que no governo seguinte tinha gente que não via esse tipo de empreendimento capaz de trazer os benefícios esperados.
 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

Expedito MORAES, 09.12.23.

Fotos G1 e Jornal O Imparcial.

O NAUFRÁGIO DA LANCHA PROTEÇÃO DE SÃO JOSÉ, OU O PODER DA MÚSICA

O NAUFRÁGIO DA LANCHA PROTEÇÃO DE SÃO JOSÉ, OU O PODER DA MÚSICA

Por Gracilene Pinto

A noite estava amena naquela terça-feira, vinte e sete de outubro de 1965.

Os irmãos João e Manoel Pinto, primos da minha mãe por ser filhos de Mariana e Chico Pinto, de São Vicente Férrer, haviam embarcado cedo na lancha Proteção de São José, afim de ter o privilégio de escolher um bom local para armar suas redes brancas de fio tecido.

Havia três lanchas ancoradas no Porto de Rapôsa naquele dia: Fátima, Maria do Rosário e Proteção de São José. É provável que a escolha desta última haja sido influenciada pela devoção familiar ao santo que lhe emprestava o nome. Mas, também pode ter sido simplesmente porque com o grande fluxo de passageiros e cargas, a lotação das embarcações se completasse rapidamente, razão pela qual as lanchas quase sempre viajavam com excesso de carga.

As três lanchas zarparam juntas do Porto da Raposa com destino à Capital do estado, o que talvez fosse uma estratégia de autoproteção dos seus comandantes para enfrentar a aventuresca viagem com mais segurança, já que a perigosa travessia em mar aberto era tarefa para mestres experientes, e que, com a escuridão da noite, punha à prova até mesmo a coragem de quem já lhe conhecia os percalços, como escreveu Batista Azevedo, e, mais tarde, Raimundo Corrêa Cutrim em seu livro Perfil da Baixada Maranhense. Viajando próximas umas das outras, poderiam mais facilmente auxiliar-se em algum eventual problem. Mas, a Proteção de São José seguia serena, até onde se pode usar tal palavra para designar a movimentação de quem navega nas águas nada mansas do Golfão Maranhense no segundo semestre do ano.

Tendo em vista não ser a primeira vez que encaravam tal aventura, os irmãos João e Manoel Pinto estavam tranquilamente deitados em suas redes perfumadas de oriza e confortavelmente embrulhados nos alvos lençóis, desfrutando da boa música que tocava no rádio a pilhas da lancha. Com o balanço da maresia, terminaram por adormecer.

Porém, eis que inusitadamente próximo ao Porto do Itaqui, na altura de Tauá Redondo, já em plena baía de São Marcos, a lancha Proteção de São José chocou-se com os arrecifes de uma croa, e, em questão de minutos, ocorria a maior catástrofe marítima que até hoje teve por palco o Maranhão, com a embarcação partindo-se e ocasionando a morte de cerca de 270 pessoas, que poucos foram os sobreviventes, pois a tragédia ceifou a vida da maior parte dos passageiros e tripulantes da embarcação.

Quanto aos irmãos João e Manoel Pinto, tão confortáveis se achavam em suas redes macias, que não despertaram nem mesmo com os gritos e o vozerio do povo, grunhidos e cacarejos dos animais ou com o ensurdecedor barulho dos motores, ficando sepultados na Baía de São Marcos, pois seus corpos nunca foram encontrados.

Testemunhos dos poucos sobreviventes, dão conta de que, no exato momento do acidente, no rádio sintonizado com a Rádio Difusora do Maranhão tocava a magistral “Valsa da Meia Noite”. Aquela mesma música cuja autoria é atribuída por uns a Nullo Romani (que a gravou juntamente com seu conjunto) e por outros a Frank Amodio, sendo, tanto um como outro, dois ilustres desconhecidos.

Entre os poucos sobreviventes que tive conhecimento, estão Bijuca Figueiredo Marques (o Bijuca do São Francisco, que nadou do Boqueirão até o Cais da Sagração, em São Luís, onde chegou vivo, mas em estado tão lastimável, que sequer conseguia manter-se em pé); Pedrinho Duarte e sua esposa Dona Marinete (única mulher a se salvar), os quais perderam no sinistro sua primeira filha, de menos de dois meses; Pedro de Geraldo; Sandaia; Batista de Pacherá e Quidinho.

De algumas das vítimas, como os irmãos João e Manoel Pinto, Francisco Pires Corrêa, Bijuca do Goiabal e Zenaide Aranha, sequer seus corpos foram encontrados.

Em São João Batista, por iniciativa do então Vereador Zezi Serra, foi sancionada uma Lei Municipal que tornou o dia 27 de outubro, dia do naufrágio da lancha Proteção de São José, feriado municipal, em memória daqueles que sucumbiram nas águas da Baía de São Marcos.

Em São Vicente Férrer a “Valsa da Meia Noite” passou a ser considerada sinônimo de luto, tão grande é o poder da música que fica registrado como um verdadeiro marco em nosso espírito. E, a partir de então, Batista Souza, mais conhecido como Batista de Nhoí, proprietário do sistema de difusão sonora por autofalantes naquela cidade, enquanto viveu, antes de transmitir qualquer notícia fúnebre, sempre tocava a magistral Valsa da Meia Noite, honrando a memória, não só do falecido naquele momento, mas também dos conterrâneos vitimados na tragédia de 27 de outubro de 1965.

“DIÁLOGOS BAIXADEIROS – FALAS SOBRE A BAIXADA” É TEMA DE RODAS DE CONVERSA EM SÃO LUÍS

“DIÁLOGOS BAIXADEIROS – FALAS SOBRE A BAIXADA” É TEMA DE RODAS DE CONVERSA EM SÃO LUÍS

Vários membros do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense têm sido convidados como palestrantes do grandioso evento intitulado “Diálogos Baixadeiros – Falas sobre a Baixada” promovido pelo Departamento do Curso de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O evento foi idealizado pelo mestre Manoel Barros, professor titular do mencionado curso, membro das academias de Anajatuba e São João Batista e grande expoente do Fórum da Baixada.

Diversos olhares, percepções, vivências e memórias marcam o evento “Diálogos Baixadeiros – Falas sobre a Baixada”, Projeto de Extensão do Departamento de História da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) que ganhará nova edição em São Luís, a partir desta quinta-feira (14), das 14h às 17h30, com entrada gratuita.

Com o eixo central “Falas sobre a Baixada”, em cada um dos seis encontros, a segunda edição terá sempre quatro temas centrais, com convidados especiais, autoras e autores oriundos da Baixada. No primeiro encontro, os temas são: “A Baixada do Maranhão em serões e outras falas”, com Gracilente Pinto (de São Vicente Ferrer); “Vislumbres de Viana sob o olhar de Assis Galvão”, com Adalzira Galvão e Michela Galvão (de Viana); “Anajatuba e nossas esperanças”, com Mauro Rêgo (de Anajatuba); e “Linguajar típico da Baixada”, com Flávio Braga (de Peri Mirim).

Sob organização do professor Manoel de Jesus Barros Martins, do Departamento de História da UFMA, o evento conta com o apoio do Departamento de História, do Curso de História, do Centro de Ciências Humanas e do Centro Pedagógico Paulo Freire – local onde será realizado o evento, na sala 101, Asa Norte, a partir das 14h.

Para Manoel Martins, o evento é um importante espaço para que professores, alunos e o público em geral possa debater e conhecer mais sobre essa importante região do Maranhão.

“A Baixada conta com um quantitativo expressivo de autoras e autores cujas obras remetem ao entendimento de facetas muito caras à formação social maranhense, porém essa produção e seus autores nem sempre são reconhecidos”, afirma o professor.

“Diálogos Baixadeiros – Falas sobre a Baixada” será realizado em formato presencial, na UFMA. As Rodas de Conversa serão gravadas e disponibilizadas a seguir pelo canal oficial do evento no YouTube, pelo link: https://youtube.com/@BaixadadoMaranhao.

Histórico dos Diálogos Baixadeiros
A partir de maio deste ano, foram realizadas as primeiras Rodas de Conversa, no âmbito da disciplina “Baixada do Maranhão: trajetórias e perspectivas”, com o tema “Diálogos Baixadeiros”. Diferente da atual edição, que será realizado em seis datas, às quintas feiras, de 14.09 a 09.11, o evento de estreia foi realizado em cinco datas – nos dias 5, 12, 19 e 26 de maio e 2 de junho.
Os vídeos da primeira edição podem ser encontrados no YouTube, no canal @BaixadadoMaranhao. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail baixadadoma@gmail.com.

A IMORTALIDADE DE GONÇALVES DIAS

A IMORTALIDADE DE GONÇALVES DIAS

Por Gracilene Pinto

Não sei se pelo viés quase lendário da sua história com Ana Amélia; pelo caráter passional das suas obras românticas e nacionalistas, que casam tão bem com minha natureza poética; ou mesmo por seu natural poder de sedução, Gonçalves Dias sempre me encantou.   

O poeta consegue seduzir até depois da vida.   

Acresce a isso, o fato de eu ter lido durante toda a adolescência na parede frontal do Ginásio Costa Rodrigues os célebres versos da Canção do Tamoio:    

“Não chores, meu filho;  
Não chores, que a vida  
É luta renhida:  
Viver é lutar.  
A vida é combate,  
Que os fracos abate,  
Que os fortes, os bravos  
Só pode exaltar.”  

Certo é, que desde muito cedo me senti fascinada pelo poeta maranhense, por seu histórico de vida e pelos seus versos, que declamei muitas vezes.   

Há um poema dele que me inebria sobremaneira intitulado Leito de Folhas Verdes:    

Por que tardas, Jatir, que tanto a custo 
À voz do meu amor moves teus passos? 
Da noite a viração, movendo as folhas, 
Já nos cimos do bosque rumoreja. 
 
Eu sob a copa da mangueira altiva 
Nosso leito gentil cobri zelosa 
Com mimoso tapiz de folhas brandas, 
Onde o frouxo luar brinca entre flores. 
 
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco, 
Já solta o bogari mais doce aroma! 
Como prece de amor, como estas preces, 
No silêncio da noite o bosque exala. 
 
Brilha a lua no céu, brilham as estrelas, 
Correm perfumes no correr da brisa, 
A cujo influxo mágico respira-se 
Um quebranto de amor, melhor que a vida! 

Gonçalves Dias é, e eu me refiro a ele no presente porque ele continua vivo dentro de cada poeta, de cada coração maranhense, uma criatura tão sedutoramente especial que, até seus ídolos depois de conhecer suas obras, viravam seus fãs.   

O consagrado português Alexandre Herculano, por exemplo, não só se tornou um fã, e mais tarde amigo também, como, após ler seu primeiro livro, “Primeiros Cantos”, escreveu elogiosa crítica ao trabalho do poeta e maior expoente do romantismo e do indianismo brasileiro.  

Baixinho, feiinho fisicamente, e mulato, quando isso ainda era um verdadeiro estigma, além da origem pobre, Gonçalves Dias nasceu na maranhense Caxias em 10/agosto/1823, filho de um comerciante português de Trás-os-Montes com uma mestiça brasileira. O pai, logo separou-se da mãe e deu-lhe uma madrasta, que por sorte o estimou.    

Revelando ainda muito cedo inteligência e talento, tanto que, desde a meninice demonstrava paixão pela leitura e aos 10 anos de idade já fazia a escrituração simples da loja do pai, este desejou tivesse o filho uma educação que lhe possibilitasse desenvolver o intelecto e garantir-lhe um futuro promissor. Infelizmente, seu genitor faleceu antes de pôr em prática tal projeto.   

No entanto, a estrela do garoto brilhava, e havendo recebido apoio da madrasta e de outros mais, tais como, o Juiz da Comarca Dr. Antônio Manuel Fernandes Júnior (que depois foi desembargador) e uma comissão de conterrâneos, os quais contribuíram com quotas mensais para subsidiar ao menino a fim de que pudesse ir estudar em Coimbra, onde se tornou, além do poeta que era por nascimento, advogado, jornalista, etnógrafo, teatrólogo, ensaísta e articulista (artigos que ele escrevia, geralmente, sobre suas viagens de estudo para o Amazonas e demais lugares do Nordeste, e até alguns países europeus e Oceania, onde esteve em missão governamental).   

Foi assim que o menino franzino, Antônio Gonçalves Dias, tornou-se um intelectual, um poliglota, que, entre outras línguas, dominava o alemão e escreveu até um dicionário de Língua Tupi, que dizem ter sido encomendado por Dom Pedro II.   

Elogiado e paparicado por todos no Brasil e em Portugal, em razão do seu talento, tinha dificuldade, no entanto, de obter os resultados materiais necessários à sua subsistência. E, apesar dos elogios que choviam sobre os seus escritos, também não estava livre dos desgostos causados por algumas críticas infundadas.  

Por exemplo, tendo enviado por outra pessoa os dois dramas escritos em Coimbra, Patkull e Beatriz Cenci, ao Presidente do Conservatório Dramático (não queria que soubessem que os textos eram de sua autoria para não ter um julgamento avaliado e aprovado em homenagem ao seu nome), descobriram nos textos os avaliadores mil defeitos e galicismos imperdoáveis.  

Magoou-se o poeta ante a injustiça sofrida, pois sabia-se um purista, e despicou-se escrevendo Sextilhas do Frei Antão. O tipo de vingança das pessoas grandiosas de espírito. 

Em outra ocasião, em carta enviada ao seu amigo Teófilo Leal, Gonçalves Dias queixava-se de ter postulado junto aos amigos que o apresentassem ao imperador, o que ainda não acontecera.   

“… nossos grandes homens – disse ele – recebem-me com a carinha d´agua, namoram-me quase como se eu pudesse dispor de alguns votos, e estou certo que se for bem recebido pelo Imperador, a quem terei a honra de ser apresentado um destes dias, ninguém será mais festejado, mais gabado… pois, veremos se os bons olhos do nosso monarca farão mudar a minha sorte; de promessas já estou farto… qualquer dia.”  

No entanto, mais tarde foi efetivamente apresentado ao Imperador. E dizem ter sido Dom Pedro II um dos correspondentes com quem ele se comunicava com assiduidade. É verdade que pelo governo imperial foi encarregado de cumprir algumas missões.   

Provido a Secretário e Professor de Latim, do Liceu de Niterói, Gonçalves Dias recebia um magro salário que mal dava para garantir-lhe o sustento. E, quando as cadeiras do Liceu de Niterói foram extintas, para sobreviver com decência, fazia extratos das sessões da Câmara dos Deputados e também artigos humorísticos e folhetins para o Correio Mercantil. No ano seguinte foi redator dos discursos do Senado para o Jornal do Comércio.   

Finalmente, em 1849, foi nomeado Professor de História Pátria e Latim, do Real Colégio Pedro II. Esse emprego, que era desejado pelo poeta, se não era algo soberbo quanto à questão financeira, juntamente com os resultados advindos da pena literária lhe garantiria certa estabilidade e folga.  

Encarregado pelo Ministro do Império, Visconde de Monte Alegre, de coletar nos mosteiros e arquivos das câmaras municipais e secretarias das províncias ao Norte da Corte do Império os documentos mais importantes para o Arquivo Público, bem como, avaliar as condições da instrução pública nessas províncias, começou Gonçalves Dias por São Luís do Maranhão, a fim de abrandar as saudades da terra natal, pois dizia:   

Minha alma não está comigo… está a espreguiçar-se nas vagas de São Marcos, a rumorejar nas folhas dos mangues, a sussurrar nos leques das palmeiras…”     

Mas, deixemos de lado os dados biográficos. Afinal, de tanto que já foi falado sobre ele neste seu bi-centenário, essas informações quase todo mundo já sabe.  

Igualmente, não quero falar sobre o Gonçalves Dias funcionário público administrativo, que, nessa fase da sua vida pouco tempo dispunha até para sua verdadeira produção literária, e se decepcionava com os compatriotas, pois dizia:   

Tudo nesta terra é divino, exceto o homem que a habita.”  

 Vamos nos ater ao poeta e ao seu lado romântico, porque, entre tantas qualidades, atributos e conquistas, foi a poesia que o imortalizou definitivamente, quando, cheio de saudades da Pátria, escreveu a sua Canção do Exílio, um dos mais lindos poemas da língua portuguesa que, de tão belo e tão cheio de brasilidade, os compositores do Hino Nacional Brasileiro lhe roubaram alguns versos para mais enriquecer sua obra:   

Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá  
As aves que aqui gorjeiam   
Não gorjeiam como lá…   
…..  
Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá.    
sem qu´inda aviste as palmeiras onde canta o sabiá.   

Eu sempre acreditei que o que imortaliza o ser humano é sua obra, seu legado. E o que imortaliza o escritor é a sua capacidade de expressar os sentimentos de modo a perpetua-los no imaginário popular através dos tempos.    

De nada adiantam os títulos e as loas momentâneas, se a obra não tiver a força suficiente para se consagrar no imaginário popular e transcender no tempo, porque as criações morrerão com o autor.  A obra que não conseguir falar ao coração de gregos e troianos, dos intelectuais aos indivíduos mais simples, não terá cumprido seu papel.    

Por isso, considero que, o que realmente imortalizou Gonçalves Dias não foi só sua intelectualidade, a métrica, a erudição e o romantismo dos seus versos, mas, foi o modo como expressou suas emoções com tal profundidade, que fez com que sua obra conseguisse tocar no coração das pessoas e mexesse com os sentimentos mais lídimos, mesmo depois de passados dois séculos.    

Tudo isso, somado ao seu lendário e transcendental romance proibido com Ana Amélia, mexe com o imaginário popular, com a alma dos indivíduos, que se colocam no lugar do amante sofredor, para também vestir o manto do amor vitimado pela incompreensão.  

Todo mundo está careca de saber que Gonçalves Dias era apaixonado por Ana Amélia Ferreira do Vale. Embora, nas horas vagas, também haja se apaixonado por uma dúzia de outras mulheres, como Céline, em Bruxelas; Leontina e Natália, em Dresden, na Alemanha;  Joséphine e Eugénie N., em Paris, (por causa desta última Gonçalves Dias enfrentou a maior treta com a esposa, pois Olímpia, não se sabe como, teve conhecimento da relação dos dois e das cartas trocadas). Isto, sem falarmos na outra Amélia, a Amélia R., uma brasileirinha filha de um alto funcionário do Tesouro, que o conheceu enquanto passeava na Europa em companhia da mãe, e, com Gonçalves Dias, idealizava projetos de casamento futuro, sonhando acordada com o filhinho que teriam, que deveria chamar-se Antoninho.   

Enfim, um sedutor por excelência é o que foi o nosso Gonçalves Dias. A todas cortejava, à todas fazia promessas, e à todas piedosamente mentia, segundo a necessidade do momento.   

De acordo com Manuel Bandeira, estudioso e biógrafo de sua vida e obra 

nem o trabalho exaustivo das comissões, nem o peso dos íntimos desgostos, ser-lhe-iam entrave ao vezo de namorador impenitente… aquele homenzinho de um metro e cinquenta, coração agora ulcerado pela paixão de Ana Amélia, continuava o mesmo autêntico devastador de corações femininos, e nesta matéria aproveitou gulosamente as suas folgas de tempo nos quatro anos de Europa. O poeta queixava-se, era um chorão, mas o homem agia. Era junto às mulheres, como o viu João Francisco Lisboa, na festa de N. Sra. dos Remédios. Sabia falar, tinha lábia inesgotável.”     

Porém, isto, ao meu modo de ver, não significa, absolutamente, que não tivesse amado à Ana Amélia, ou que estivesse sempre mentindo para as outras Amélias.  

Quero mesmo crer que, no momento em que fazia promessas e juras às namoradas, fosse realmente o que sentia naquele momento o seu volúvel coração de poeta.  

Ou, quem sabe, muitas vezes mentisse apiedado por não conseguir sentir com a mesma intensidade a paixão despertada. Talvez a mentira fosse apenas um modo de retribuir de alguma forma o afeto recebido e não deixar a parceira constrangida por tê-lo amado.  

Quanto à Ana Amélia, seria verdadeiramente amor o que sentia pelo poeta ou apenas uma fantasia criada graças à proibição familiar?   

Segundo o  testemunho de um tal de Onestaldo de Pennafort, genro de um sobrinho de Ana Amélia, ela, que tinha um tipo mignon, vivos olhos negros e rasgados, e uma tal expressão de doçura e simpatia envolvente, nunca esqueceu de todo o poeta, e sobre ele, ainda na velhice, discorria com arroubos de sentimento. Foi uma musa digna do poeta. Não obstante, seguiu sua vida, chegando a casar-se duas vezes.    

E Gonçalves Dias, seria Ana Amélia sua alma gêmea ou apenas uma espécie de fata morgana, uma imagem idealizada do amor proibido que não pudera exaurir as emoções como devia?   

  Não se pode descartar de todo que Gonçalves Dias talvez não amasse verdadeiramente nem Ana, nem Amélia, nem Olímpia… amasse somente a ideia de um amor perfeito.  E assim, impossiblitado de ter em seus braços sua musa, imortalizou-a em seus versos, e amou-a tanto quanto alguém pode amar.   

Mas, também seguiu sua vida e casou-se com Olímpia, com quem teve uma filha, que, infelizmente, não viveu por muito tempo.   

É provável que, a seu modo, Gonçalves Dias tenha sentido algum afeto por Olímpia, pois casou-se com ela. Mas, o gênio forte desta, aliado à inquietude do marido, não permitiram que entre os dois fomentasse um amor do mesmo calibre e com o mesmo lirismo, a mesma transcendentalidade do amor que devotou à Ana Amélia.  

Porque o amor que sentimos por uma pessoa nunca é igual ao que sentimos por outra. Somente nas almas que do além se reconhecem, os corações pulsam no mesmo tom.  

E penso que, somente um amor assim, transcendental, poderia haver inspirado Gonçalves Dias a escrever, entre os outros tantos poemas maravilhosos da sua lavra, a mais bela declaração de amor em forma de poema que se conhece à paixão da sua vida, quando reviu Ana Amélia anos depois em Lisboa. Estou falando de Ainda Uma Vez Adeus.    

“Enfim te vejo! — enfim posso,  
Curvado a teus pés, dizer-te,  
Que não cessei de querer-te,  
Pesar de quanto sofri.  
…………..  
Adeus qu’eu parto, senhora;  
Negou-me o fado inimigo  
Passar a vida contigo,  
Ter sepultura entre os meus;  
Negou-me nesta hora extrema,  
Por extrema despedida,  
Ouvir-te a voz comovida  
Soluçar um breve Adeus!  
Lerás, porém, algum dia  
Meus versos d’alma arrancados,  
D’amargo pranto banhados,  
Com sangue escritos; — e então  
Confio que te comovas,  
Que a minha dor te apiade  
Que chores, não de saudade,  
Nem de amor, — de compaixão.  

O fato é que, quando se fala em Gonçalves Dias lembra-se logo de Ana Amélia. Ninguém pensa nos seus outros amores. Porém, sem querer de forma alguma desdourar a imagem do poeta, nem desmerecer seu amor pela maranhense, eu sempre me pergunto: teriam Ana Amélia e Gonçalves Dias sido felizes, se houvessem concretizado esse amor ideal, casado, gerado filhos, e vivido a rotina normal de qualquer casal?   

Pode ser que sim, pode ser que não.  

Talvez nem chegassem realmente até o casamento, porque muitas vezes a oposição familiar acaba dourando uma pílula, que afinal pode ser amarga, exacerbando em nós o desejo de possuir aquilo que nos é proibido. Isso, muitas vezes já restou comprovado. É o poder da ausência sobre a presença. Tanto que, muitos dos melhores textos de autores maranhenses foram escritos quando estavam fora do Maranhão. Gonçalves Dias não fugiu à regra, sublimando tal premissa com a Canção do Exílio.  

Consideremos que, Gonçalves Dias era um poeta, um romântico passional de alma inquieta, alguém que não se satisfaz com menos que a plenitude de um encontro de almas. Um homem cuja intelectualidade e expressividade verbal seduzia tanto às mulheres quanto aos homens. Os homens no sentido da amizade sincera. E, como poeta, incapaz de se ver refletido nuns olhos cheios de paixão sem empatizar-se com esses olhos, e com a dona dos tais olhos, fossem esses espelhos da alma negros, verdes, azuis ou castanhos.  

Teria Ana Amélia a fleuma, a sabedoria necessária para manter a harmonia do lar casada com um mulherengo, ou o poeta teria aquietado o coração se estivesse nos braços da sua musa?  

Não é demais lembrar novamente que ela, apesar de não haver esquecido o poeta dos belos versos e falar sedutor, como há testemunhos, foi capaz de reconstruir sua vida e casar-se e ter filhos com outros, pois casou-se duas vezes.  

Eis a questão que nunca se conseguirá responder!   

Isso acontece com os poetas e cantores, com os cantadores de boi, que volta e meia pelos arraiais maranhenses despertam desses amores efêmeros nas expectadoras. Estas, atraídas muitas vezes somente beleza da música e da voz, que nem todos os cantadores tem a sorte de ser fisicamente bonitos. Mas, tem carisma. E contam com a magia da música, que é embriagante. E, convenhamos, Gonçalves Dias não era bonito fisicamente. Mas, com certeza tinha muito talento e carisma. Tinha molho. Daí fazer o estrago que fazia.  

Eu, de fato acredito na sinceridade das declarações de amor de Gonçalves Dias por Ana Amélia. Afinal, foi um sonho que não se realizou, ficando apenas na dimensão do ideal, e isso tem bastante peso. 

Mas, não desacredito também da sinceridade do poeta quando fazia suas promessas e demonstrações de afeto pelas outras Amélias que passaram por sua vida.  

Talvez, nos momentos de paixão, ele próprio irrefletidamente acreditasse no amor que dizia sentir. Porém, passado o arroubo, conseguia ver o quanto fora impulsivo e talvez lhe viesse um arrependimento tardio. Quem sabe?   

Amigos, a verdade é que Ainda Uma Vez Adeus, mesmo passados tantos anos, ainda emociona a todos. E a Canção do Exílio, tão simples e eloquente, ainda hoje se impõe como o primeiro poema do simbolismo no Brasil, e, Gonçalves Dias, segundo Carpeaux, foi “o primeiro poeta verdadeiramente nacional”, também classificado por José Veríssimo como “o maior e mais completo poeta do Brasil”.  

Deste modo, para felicidade geral da Nação, o melhor mesmo é deixarmos de lado os alvitres e digressões filosóficas e aceitar a corrente que idealiza o amor através de Gonçalves Dias e Ana Amélia. Assim também viveremos felizes para sempre com nossas convicções.  

Pois, foi lembrando da saga de Antônio Gonçalves Dias que, em 03/11/2020, dia em que se rememorava o falecimento do poeta a bordo do navio Ville Bologne, na Baía de Cumã, eu me vi, de repente, meditando que, a despeito dos outros títulos auferidos por ele, a despeito de ser patrono da Cadeira nº 15, da Academia Brasileira de Letras, que eu saiba, o poeta não foi membro de nenhuma academia, só do Instituto Histórico, não precisou disso. Foi a sua obra que o imortalizou.    

Imaginei também que, que se a fé pública pode encantar Dom Sebastião na Ilha dos Lençóis, quem sabe também Gonçalves Dias não esteja encantado na Baía de Cumã, de onde já podia avistar suas amadas palmeiras, mesmo que, do sabiá só pudesse ouvir o canto em sua imaginação? Mas, convenhamos, imaginação de poeta é coisa milagrosa!   

E, naquele momento até pareceu-me ter ouvido Gonçalves Dias afirmando cheio de certezas:    

mentira, não morri! 
Não morri nem morrerei, 
Nem hoje nem nunca mais.    
Minha alma já fez morada 
Na pátria dos imortais.
Palestra de Gracilene Pinto na AMEI.

CELSO MAGALHÃES É NOSSO

CELSO MAGALHÃES É NOSSO

Por Ivaldo Castelo Branco Soares

Evoco as preces do Salvador para buscar forças de um libertador. Nós é que somos penalvenses, já perdemos o jugo dos poderosos, agora somos soberanos. Foi-se o império, foram-se as capitanias e também as províncias. Já fomos Grão-Pará, Maranhão Velho, Maranhão Novo e agora somos Novo Tempo.

Querem os apaixonados, os conservadores extremados, negar-nos o direito de homenagearmos nosso filho mas ilustre. Por quê? …

Celso Magalhães é penalvense sim! E mais, penalvense, da terra dos lagos, dos campos do remanso margeadas por araribas e criviris, do rio Maracu, lago Cajari e da ilha encantada do Formoso. E mais, porque Penalva foi a fonte de inspiração.

Unamos as forças, ilustres penalvenses, para resgatarmos com honra e memória do nosso conterrâneo. Vamos, como frente independente, fazer valer nosso direito. O direito natural de podermos dizer: Celso Magalhães é nosso!

CARLOS ALBERTO DE SÁ BARROS (CABEH)

Nasceu em Penalva (MA), em 17.11.1947. Casou-se em primeiras núpcias com Maria Helena Saldanha, de quem veio a separar-se. Contraiu segundas núpcias com Eliana Maria de Sousa Medeiros. Filho de Cornélia de Sá Barros e de Pedro Ernane Segadilha de Barros. Filhos: Carlos Alberto de Sá Barros Júnior e Daniela Maria de Sousa Medeiros Barros.

Carlos Alberto, o Cabé, maranhense de Penalva, escritor, compositor e cantor, interpreta neste disco as canções de sua autoria (letra e música). São poesias musicadas.
 
É dele a apresentação a seguir:
“Muitos compositores de renome, ainda que não bons cantores, fizeram (e continuam a fazer) o registro de suas músicas em discos e a elas dando uma interpretação própria através de suas vozes. Eu, que sempre estive ligado às artes e às letras através dos trabalhos que publiquei, sirvo-me, agora, sem a pretensão de ombrear-me a nenhum compositor de fama, de outro recurso – o CD – para divulgar parte dos ‘caminhos’ de minha vida. Tudo foi feito com seriedade, amor e muita emoção. É a homenagem que eu presto aos amigos que me encorajaram e à terra que me serviu de berço e inspiração. Sou grato ao Murilo Rêgo, diretor musical e arranjador, que deu vida às minhas canções com o seu talento e zelo.”

Faleceu em setembro de 2004. Atuou nas áreas de educação, comunicação e design; também foi escritor, compositor e músico.

ALDO DE JESUS MUNIZ LEITE

ALDO DE JESUS MUNIZ LEITE

Aldo Leite nasceu em Penalva, distante 254 km de São Luís. Ele era ator, diretor, dramaturgo e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Foi também carnavalesco da Escola de Samba Turma do Quinto e atuou como ator e diretor em diversos espetáculos, inclusive fora do país. Foi Professor Adjunto do Departamento de Artes da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

Sua peça mais famosa foi ‘Tempo de Espera’ com a qual venceu o prêmio Molière – o mais prestigiado prêmio da história teatral do Brasil. A última obra foi ‘Rainha da Zona’, com direção de Tácito Borralho.

Aldo Leite, foi uma das maiores expressões das artes cênicas do Maranhão, ao lado de Reynaldo Faray e Tácito Borralho, possui uma vasta experiência como ator, diretor e autor teatral. Sendo reconhecido nacional e internacionalmente ao ser premiado, na década de 1970, com o Prêmio Molière como Melhor Diretor de Teatro. 

Inicia suas peripécias no teatro encenando, ainda adolescente, no quintal de casa e no clube da cidade de Penalva esquetes e números musicais, tendo como atores irmãos, primos e colegas da escola.

Com sua transferência para São Luís com o objetivo de cursar o ginásio, atual Ensino Médio, Aldo Leite conhece Mary e Ubiratan Teixeira, entrando para o grupo teatral do Mestre Bira e participando da montagem de Simbita e o Dragão de Lúcia Benedetti, no Teatro Arthur Azevedo. 

Nos anos 60 conhece Reynaldo Faray que o convida para participar do elenco de Branca de Neve e os Sete Anos, então produzido pelo Clube das Mães. A partir daí participou ativamente do Grupo TEMA – Teatro Experimental do Maranhão, trabalhando como ator em espetáculos infantis, infanto-juvenis e adultos. 

Faz vestibular para o Curso de Jornalismo uma parceria da Secretaria de Educação do Estado e da USP, a UFMA ainda não tinha o curso na sua grade curricular. Os professores do curso vinham de São Paulo, entre eles, Miroel Silveira e Alberto Guzik do departamento de Teatro da USP, que logo após o curso vão assistir a montagem  “O TEMA Conta Zumbi” de Gianfrancesco Guarnieri, ao final da apresentação procuram Aldo Leite e o aconselham a mudar para a Escola de Comunicação e Artes – ECA e fazer o Curso de Bacharel em Teatro, em São Paulo.

Ainda no Curso da USP em 1975, vem a São Luís sendo convidado por Reynaldo Faray para participar do elenco de Quem Casa, quer Casa de Martins Pena e viajar pelo interior do estado apresentando o espetáculo para alunos do Mobral. Dessa experiência surge a ideia de escrever Tempo de Espera, a partir das pesquisas realizadas com os alunos do Mobral e da realidade social das pessoas das cidades por onde o grupo passava.

Com a conclusão do curso em São Paulo, volta para São Luís em 1977, sendo contratado pela UFMA para dirigir o Grupo Gangorra, desenvolvendo intensa atividade artístico-cultural com o grupo universitário e o Grupo Mutirão.

TEXTOS TEATRAIS:

– Tempo de Espera

– Classe A, ha! ha! ha!… (inédita)

– ABC da Cultura Maranhense

– Aves de Arribação

– Maria Arcângela (adaptação do conto homônimo de Erasmo Dias)

– Arca de Noé

– A Rainha da Zona

– O Castigo do Santo

– O Pleito

– Um Raio de Luar

– O Chá das Quintas

– Papo de Guará

– Quem bem me Avisa, meu Amigo é

– Além do Arco-íris (inédita)

– Alô, Amém, Adeus (inédita)

 

LIVROS PUBLICADOS:

2007 – Memorial do Teatro Maranhense – EdFUNC

2008 – Cinco Textos Teatrais – EdFUN

2008 – Três Textos Teatrais – EdFUNC

 

TRABALHOS COMO DIRETOR TEATRAL:

1975 – Tempo de Espera de Aldo Leite (Grupo Mutirão).

1977 – Em Moeda Corrente do País de Abílio Pereira (Grupo Gangorra).

1978 – Pedreiras das Almas de Jorge de Andrade (Grupo Gangorra).

1979 – Aluga-se uma Barriga de Jurandir Pereira (Grupo Gangorra).

1979 – ABC da Cultura Maranhense de Aldo Leite (Grupo Gangorra).

1979 – Os Saltimbancos de Chico Buarque (com os grupos Mutirão e Gangorra).

1980 – Os Perseguidos de João Mohana (com os grupos Mutirão e Gangorra).

1980 – O Gato Errado de Fernando Strático (Grupo Gangorra).

1981 – Aves de Arribação de Aldo Leite (com os grupos Mutirão e Gangorra).

1986 – A Casa de Bernarda Alba de Garcia Lorca (com os grupos Mutirão e Gangorra).

1987 – Cenas de um Casamento de vários autores (Grupo Gangorra).

1987 – O Tribunal dos Divórcios de Cervantes (Grupo Gangorra).

1987 – O Defunto de René Obaldia (Grupo Gangorra).

1999 – Um Raio de Luar de Aldo Leite (Grupo Gangorra).

2009 – A Consulta de Athur Azevedo (com Tourinho e Glória Corrêa)

 

TRABALHOS COMO ATOR:

SÃO LUÍS/MA.

– Branca de Neve e os Sete Anões

– Iaiá Boneca

– Socayte em Baby-dool de Henrique Pongetti – Grupo TEMA

– O Beijo no Asfalto de Nelson Rodrigues – Grupo TEMA

– A Revolução do Beatos de Dias Gomes – Grupo TEMA

– TEMA Conta Zumbi de Gianfrancesco Guarnieri – Grupo TEMA

– Zoo Story de Edward Albee – Grupo TEMA- Direção Facury Heluy

– Em Tempo do Amor ao Próximo de Arthur Azevedo – Grupo TEMA

– A Via Sacra de Henri Ghéon – Grupo TEMA

– Os Mistérios do Sexo de Coelho Neto – Grupo TEMA

– Quem Casa quer Casa de Martins Pena – Grupo TEMA

– Por Causa de Inês de João Mohana – Grupo TEMA

– A Casa de Orates de Arthur Azevedo – Grupo TEMA

– A Consulta de Arthur Azevedo – Grupo TEMA

– Cazumbá de Américo Azevedo Neto – Grupo Cazumbá

– Simbita e o Dragão de Lúcia Benedetti – Direção Ubiratan Teixeira

– O Médico à Força de Molière – Direção Ubiratan Teixeira

– O Processo de Jesus de Diego Fabri – Direção Ubiratan Teixeira

– O Mártir do Calvário de Eduardo Cucena  – Cia. Cecílio Sá

–  Maria Arcângela de Aldo Leite – Grupo TEMA

– O Cavaleiro do Destino de Tácito Borralho e Josias Sobrinho – Coteatro – Direção Tácito Borralho.

– Marat Sade de Peter Slader– Coteatro – Direção Marcelo Flexa

– El Rey Dom Sebastião de Tácito Borralho – Coteatro –Direção Tácito Borralho

 

SÃO PAULO/SP.

– A Viagem de Carlos Queiroz Teles – Direção Celso Nunes.

– Morte e Vida Severina de Cabral de Melo Neto

– Lúcia Elétrica de Oliveira de Cláudia de Castro.

 

CINEMA

– A Faca e o Rio de Nelson Pereira dos Santos

– Carlota Joaquina de Carla Camurati

 

PRÊMIOS:

1970 – Melhor Ator por Zoo Story de Edward Albee  – Festival de Teatro de Arcozêlo – Rio de Janeiro/RJ.

1975 – Representante da Região Norte II – 1º Festival Nacional de Teatro Amador –Fortaleza/CE.

– 1976 – Um dos Melhores Espetáculos de São Paulo de 1976  – Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA/SNT – São Paulo/SP.

– 1976 – Revelação de Diretor –  Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA/SNT – São Paulo/SP.

– 1976 – Melhor Produção de 1976 – Prêmio Governador do Estado de São Paulo – São Paulo/SP.

– 1976 – Menção Especial: Grupo Mutirão – Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA/SNT – São Paulo/SP.

1977 – Prêmio Molière – Melhor Diretor  – Rio de Janeiro/RJ.

1977 – Prêmio MEC/Troféu Mambembe – Melhor Autor – Rio de Janeiro/RJ.

1977 – Prêmio MEC/Troféu Mambembe – Revelação Diretor – Rio de Janeiro/RJ.

1976 – Representante do Brasil – XVI Festival Internacional de Teatro – Nancy/FR.

1999 – Concurso Literário Cidade de São Luís: categoria Teatro – O Chá das Cinco.

 2005 – Concurso Literário Cidade de São Luís: categoria Teatro – A Rainha da Zona.

 

CARGOS EXERCIDOS:

1977 – Presidente da MARATUR –São Luís/MA.

1977 – Presidente da Fundação Cultural de São Luís –São Luís/MA.

1977 – Presidente da Fundação Cultural de São Luís –São Luís/MA.

1977 – Presidente da Fundação Cultural de São Luís –São Luís/MA.

O teatrólogo maranhense Aldo Leite morreu no início da manhã de sábado (05/11/2016), aos 75 anos, em São Luís (MA). Ele estava internado na capital maranhense há alguns dias depois que ter sido encontrado desmaiado em sua residência. O motivo da morte não foi informado.

Aldo Leite e César Boaes contracenando (Fonte G1)

Academias na Baixada, a vez de Penalva

Academias na Baixada, a vez de Penalva

Foi realizada a primeira reunião para a instalação da Academia de Ciências, Artes e Letras de Penalva, no dia 24 de de maio de 2023, no Espaço Cultural da Livraria AMEI em São Luís. O evento contou com o apoio do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), com a presença do presidente e vice-presidente da entidade, Expedito Nunes Moraes e Ana Creusa Martins dos Santos. Atuou como Secretário da reunião Gilmar Pereira.

Participantes: Alberto Muniz, Ana Creusa Martins dos Santos, Célia Leite, Carlos César Silva Brito, Expedito Moraes, Raimundo Balby, Mario Garcês e Luciana Arruda Garcês e Gilmar Pereira, que lavrou a presente Ata: 

Às 17:0 horas do dia 24 do mês de maio do ano de 2023, na Associação Maranhense de Escritores Independentes – AMEI, foi realizada a primeira reunião para discutir um plano para instalação da fundação da Academia de Letras e Artes de Penalva. O Sr. Carlos César Silva Brito, presidiu a reunião para deliberar a respeito das questões abaixo: 

  1. a) a relação dos fundadores e estabelecimento de regras;
  2. b) formação da comissão;
  3. c) reunião de posse: administrativa e solene;
  4. d) sede provisória;
  5. e) mandato e presidência: duração de 2 anos;
  6. f) nomes: 40 cadeiras;
  7. g) patronos: pessoas falecidas e figuras expressivas.

Levando-se em consideração todas as questões aqui debatidas, foi estabelecido também, a respeito do número de cadeiras, a escolha do nome dos patronos, do principal patrono penalvense para ser o patrono da Academia, dos membros fundadores (12 fundadores), no mínimo, a relação da diretoria e a data da reunião da fundação da Academia.

Ademais, foi sugerida elaboração do Estatuto, registro em Cartório e inscrição no CNPJ.

Além disso, na reunião foi comentado a respeito do papel da Academia – que vive do passado – como instituição literária que valoriza a língua, a arte e a literatura, como destaque, foram citadas as Academias da Baixada Maranhense que são valorizadas por todo o diferencial que possuem.

Ao final da reunião, foram feitas algumas observações como: a elaboração da Assembleia de Fundação, agendar a primeira reunião em Penalva/MA e por último, a formação da primeira Diretoria Executiva da Academia.

Sendo o que havia para o momento, deu-se por encerrada a reunião às 19:00 horas e, para constar, eu, Gilmar Pereira Santos, lavrei a presente ata, que após lida e aprovada, segue assinada por mim e pelos demais participantes.