O Fórum da Baixada parabeniza Elizeu Gomes pela eleição à presidência da Associação de Piscicultores de Itans

O Fórum da Baixada parabeniza Elizeu Gomes pela eleição à presidência da Associação de Piscicultores de Itans

O presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), em nome de todos os forense, parabeniza Elizeu Gomes Silva  pela sua eleição à presidência da Associação de Piscicultores do Povoado de Itans (APPI), bem como deseja uma gestão com sabedoria e muitos resultados para a comunidade de Itans, município de Matinha e para todo Maranhão. 

A eleição correu ontem, 12 de junho. Elizeu foi eleito à presidência da APPI, para biênio 2021-2023, juntamente com seu vice-presidente, Adilson de Jesus Silva. Narlon Silva, vice-prefeito de Matinha que presidia a entidade, fez a transmissão do cargo à nova diretoria eleita.

Elizeu tem grandes desafios pela frente, um deles é dar continuidade ao empreendimento de sucesso em Itans e oferecer soluções criativas para o futuro. O empreendimento que agora preside vive dias de prosperidade e se tomou exemplo para Maranhão. O milagre ocorrido em Itans é fruto da criação do polo de piscicultura que vem transformando a vida de pequenos agricultores que antes sofriam para cultivar lavouras de subsistência, em cidadãos cujo a melhoria da qualidade de vida é notável.

Na oportunidade, o FDBM parabeniza a todos os piscicultores que contribuíram para o sucesso que serve de exemplo para todo estado e para o país e que, com a eleição de Elizeu deve continuar e aperfeiçoar uma iniciativa que está dando certo. Parabéns.

Fonte Blog de Jaílson Mendes e informações dos forenses.

RELATO DA REUNIÃO DA DIRETORIA DO FÓRUM EM DEFESA DA BAIXADA MARANHENSE – FDBM OCORRIDA EM  18/10/2017

Reunião presidida por Nélio Júnior, secretariado por Ana Creusa, foram discutidos os seguintes itens e respectivas deliberações

1) Ata da Reunião anterior, ocorrida em 30/08/2017 – lida e aprovada;

2) Exposição sobre a viagem a Bacurituba e Cajapió, acompanhando a Codevasf na área de inserção dos Diques da Baixada. O forense Expedito relatou que durante a expedição ocorreram reuniões nos municípios de Bacurituba e Cajapió. Em Bacurituba a reunião aconteceu na sede da Prefeitura com a presença de vereadores, secretários municipais, técnicos da Codevasf e FDBM, este representado pelos forenses Expedito Moraes e Antônio Valente.

• Em Bacurituba, o prefeito não estava presente à reunião porque estava em São Luís, mas fez a convocação de seus auxiliares e Câmara de Vereadores.

• Em Cajapió ocorreu com a presença do Prefeito Marcone, a reunião foi bastante proveitosa, inclusive com a presença da maioria dos secretários municipais e vereadores.

Foram dois dias de expedição. Na saída de Cajapió, como os técnicos da Codevasf teriam que visitar os municípios de Arari e Anajatuba, os expedicionários convidaram os técnicos para ver uma produção de arroz irrigado em Cajari, a fim de que constatassem a viabilidade do projeto em outras regiões da Baixada.

Ressaltou o expedicionário que a proposta da Codevasf não se prende exclusivamente à construção da estrutura e benefícios específicos como: contenção da entrada da água salgada nos campos e nem tampouco na retenção da água doce proveniente de chuvas, mas sim de um plano de desenvolvimento por meio de outras intervenções. Por isso, os expedicionários procuraram mostrar a viabilidade da região para construção de canais que conservem a água, bem como atividades de piscicultura, meliponicultura, caprinos e atividades ligadas à agricultura em geral.

Relatou que encaminhou à Codevasf os projetos de arranjos produtivos para a Baixada, disponibilizados pelo Sebrae ao FDBM pelo Superintendente, João Martins e dos canais de Anajatuba, disponibilizados pelo forense Eduardo Castelo Branco.

Armando Costa ressaltou a necessidade da participação das comunidades desde a concepção dos projetos e que algumas comunidades, que estavam na concepção original do projeto dos Diques da Baixada, foram excluídas e que as comunidades já tinham conhecimento desse fato e que estavam pedindo esclarecimentos.

Expedito lembrou que apenas podemos pedir a participação popular após os estudos técnicos e de impacto ambiental, para não gerar expectativas que não poderão ser cumpridas.

Chico Gomes fez breve relato de algumas obras de contenção de água doce na região de Viana, de baixo custo e grande impacto social e econômico. Ficou decidido que ambos: Armando Costa e Chico Gomes comporão o Projeto do Fórum para os Disques da Baixada, cujo gestor é Alexandre Abreu e que marcarão uma reunião para tratar especificamente desse tema, inclusive para agendar expedições às áreas de inserção dos Diques da Baixada e que a primeira expedição deve ocorrer antes do dia 15 de dezembro.

 3) Análise para estabelecer parcerias com algumas instituições, como: AHINOR, CODEVASF, SEBRAE, UFMA, UEMA, Secretarias e outras.

Ficou decidido que o Fórum proporá a celebração dos convênios de cooperação técnica aos órgãos e instituições que tenham atuação nas áreas de interesse.

4) Informes sobre recadastramento dos forenses
Ana Creusa informou aos presentes que a 1ª Secretária, Elinajara Pereira, já concluiu as planilhas com todos associados ao Fórum, faltando apenas alguns contatos para atualização e verificação do cumprimento das obrigações estatutárias.

5) Análise sobre o futuro das Câmaras Temáticas
Nélio discorreu sobre a necessidade de reavaliar a subsistências das Câmaras Temáticas, vez que não estão funcionando a contento. Ana Creusa falou que a proposta atual do Fórum é trabalhar com projetos, a saber: Diques da Baixada, Academias na Baixada, Ecos da Baixada, Turismo na Baixada, Projeto do IHGB e Apoio Institucional, os quais tem gestores, que são os líderes que se destacam naturalmente na atividade.  Foi decidido, por unanimidade, que as Câmaras Temáticas deverão ser extintas, faltando examinar a forma adequada de extinção, de acordo com o Estatuto Social.

6) Informes sobre o lançamento da obra Ecos da Baixada
Foi solicitado a Gracilene Pinto que falasse sobre o assunto, esta, após destacar e elogiar o Projeto e a atuação de seu gestor, o Presidente de Honra do Fórum Flávio Braga, informou que o lançamento da obra será na AABB no dia 14 de novembro e que todos os forenses devem divulgar. Leonardo Cardoso expôs algumas dificuldades de ordem financeira. Expedito e Chico Gomes ficaram de estudar algumas maneiras de solicitar apoio institucional ao projeto.

7) Confraternização do Fórum – ano 2017
Nélio avisou que José Maria Braga conseguiu na AABB que a Confraternização seja realizada no dia 15 de dezembro, uma sexta-feira. Foi decidido que Ana Creusa e Nélio Júnior reunir-se-ão para tratar dos detalhes da confraternização, bem como pediram apoio de todos. Nessa data deverão ser homenageados os aniversariantes do segundo semestre e entregues algumas comendas a forenses que se destacaram durante o ano.

8) Outros assuntos
8.1) Nélio informou que dia 19/10/2017 estará na Igreja da Matriz em Viana, para garantir que relíquias históricas sejam preservadas e que irá defender que as obras sejam remanejadas para o Museu de Arte Sacra, para fins de preservar o patrimônio histórico e cultural. Foi aprovado que ele represente o FDBM nesse Evento;

8.2) Manoel Barros: a) discorreu sobre a importância de Graça Leite de Pinheiro, com a obra “Lá Vem Elas”; levantar a grande produção literária e científica de baixadeiros e/ou sobre a Baixada; b) convidou o Fórum para visitar o Laboratório de Arqueologia da UFMA e c) convidou os forenses para o lançamento do livro de Pollyanna Gouveia Mendonça Muniz, de Viana, que ocorrerá no dia 23/10/2017 na AMEI.
8.3) Ana Creusa informou que o livro Serões da Baixada Maranhense, de Gracilene Pinto será lançado no dia 26/11/2017 na AMEI.

A Baixada tem pressa!

Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, 18 de outubro de 2017.

A Associação dos Filhos e Amigos de Cururupu pede providências urgentes e cabíveis para regularizar os serviços de Ferry Boat

A Associação dos Filhos e Amigos de Cururupu pede providências urgentes e cabíveis para regularizar os serviços de Ferry Boat

A entidade civil,  por meio de Representação, solicitou  à Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Público do Maranhão (MOB) que sejam adotadas providências urgentes e cabíveis no sentido de regularizar a situação dos serviços, assegurando a integridade à vida de todos os cidadãos  que utilizam os serviços portuários de ferry boats.

A Associação dos Filhos e Amigos de Cururupu (AFAC) justificou o seu pedido, pois representa a população dos municípios de Cururupu, Guimarães, Alcântara, Bequimão, Central do Maranhão, Cedral, Porto Rico, Mirinzal, Serrano do Maranhão, Bacuri e Apicum  Açú, que integram a microrregião do Litoral Ocidental Maranhense, que utilizam o serviço portuário de ferry boats para travessia da Baía de São Marcos, com trajeto São Luís–Cujupe e Cujupe-São Luís.

No documento a AFAC destacou que, apesar de anunciada por diversas vezes o processo de Licitação para que outras empresas possam explorar os serviços com qualidade, tal fato ainda não se concretizou e que os ferry boats são muito antigos, já possuindo vida útil bastante comprometida e que o incêndio ocorrido em uma das embarcações no último domingo (6) deixou os usuários desse transporte em estado de alerta, pois o acidente poderia ter ocorrido em alto mar, podendo atingir características de tragédia.

Por fim, a entidade reitera providências cabíveis e enérgicas por parte do Poder Público. O documento foi assinado pelo Presidente da entidade, Dr. Paulo Silvestre Avelar Silva e pelo Assessor Jurídico, Dr. Francisco Sales da Costa Filho.

A BAIXADA TEM PRESSA

A BAIXADA TEM PRESSA

Por Gracilene Pinto

Amigos baixadeiros, as mensagens do nosso ilustre confrade, Dr. Expedito Moraes, nos levam a refletir sobre tudo o que está acontecendo.
Os nossos melhores sonhos, e mesmo aqueles que julgávamos mais difíceis de acontecer, estão a caminho de sua concretude, estão em vias de realizar-se. Mas, sua realização vai depender muito de todos nós, não esqueçamos disto. Vai depender de agirmos com sabedoria para aproveitar o ensejo, no sentido de canalizar tudo isso a nosso favor.
Grandes oportunidades de progresso estão se apresentando, como nunca antes, para o Maranhão e para a nossa Baixada.

A nós, forenses, cabe nos conscientizar da nossa grande responsabilidade, estar atentos ao nosso foco e imbuídos do nosso importante papel neste latifúndio, que é de orientadores, apoiadores e fomentadores de ações que possibilitem à Baixada tirar o máximo proveito das oportunidades que se nos apresentam, para trazer o progresso e mudar, para melhor, o destino da nossa gente.

Há quanto tempo sonhamos em ver a nossa região saindo do marasmo, crescendo, e o nosso povo saindo da situação de miséria que sempre esteve para uma vida com dignidade?
Pois, agora é a hora de usarmos nossa inteligência emocional para não perder essas oportunidades. Não podemos agora esquecer nossos propósitos nem desviar do nosso foco, que é o progresso da Baixada.

A BAIXADA é nosso berço e precisa de todos nós unidos e focados no objetivo comum: o bem maior da nossa região e do nosso povo.
A BAIXADA precisa de todos nós e, como gosta de dizer Dra. Ana Creusa, A BAIXADA TEM PRESSA! Foco e fé, minha gente, por favor! Unidos somos mais fortes!

DIQUES DA BAIXADA: Codevasf acompanha os estudos de Impacto Ambiental para construção da obra

DIQUES DA BAIXADA: Codevasf acompanha os estudos de Impacto Ambiental para construção da obra

No início de abril, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) solicitou aos companheiros informações sobre o nível das águas nos campos. A pergunta era para dar uma resposta aos técnicos da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) que consultaram a instituição devido a uma tomada de posição da empresa contratada para fazer o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) dos Diques da Baixada, pois a empresa estava alegando que tinha informações que os campos já estavam secando.

Sabe-se que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) são fundamentais para realização dos Diques da Baixada, pois são documentos técnicos multidisciplinares com objetivo de realizar avaliação ampla e completa dos impactos ambientais significativos e indicar as medidas mitigadoras correspondentes e que deveria ser feito nos períodos de cheia e seca na Baixada Maranhense.

Expedito Moraes, vice-presidente do FDBM, recebeu as informações de que o campo ainda estava cheio. As informações foram repassadas aos técnicos da CODEVASF. Entretanto, logo em seguida, recebeu informação que empresa não viria, até porque já tinha material suficiente para elaborar os relatórios.

A obra dos Diques da Baixada é considerada a redenção social e econômica para os municípios da Baixada Maranhense.  Com recursos garantidos pelo Senador Roberto Rocha, a Codevasf já contratou e concluiu a cartografia, a conclusão dos levantamentos de impactos ambientais deverão ser concluídos até fevereiro do ano que vem, deixando tudo pronto para a conclusão do projeto executivo e finalmente execução da importante obra aguardada pelos baixadeiros há mais de três décadas.

MEMÓRIAS RADIOFÔNICAS

MEMÓRIAS RADIOFÔNICAS

Por Luiz Pedro*

O rádio ainda é o meio de comunicação de massas mais presente na vida das pessoas, seja pelo imediatismo seja pela facilidade de acesso a ele, presente nos lares, nos carros e, mais recente- mente, nos celulares. Se isso acontece nos dias atuais, imagine em épocas passadas, como as décadas de 50, 60 e 70 do século passado. O Maranhão, até os anos 50, não possuía rodovias. O movimento de pessoas e cargas era feito por embarcações e pelos trens da São Luís-Teresina. Os aviões eram utilizados por pessoas de posses ou em alguns casos emergenciais.

Já as comunicações eram extremamente escassas. As cartas demoravam semanas para chegar ao destino e mesmo os telegramas só chegavam a poucos pontos em determina- das cidades do interior. Ligações telefônicas eram difíceis, os telefones, raros e os enlaces interurbanos demoravam horas para se completar, quando se completavam.

Nesse ambiente, o rádio tinha importância fundamental. Através dele, informação, entretenimento e serviços chegavam ao mais distante povoado do interior, ainda mais depois do rádio transistorizado, que utilizava pilha ou bate- ria, uma vez que energia elétrica era pouquíssimo difundida. A radiofonia maranhense existia desde 1941, com a fundação da hoje Rádio Timbira. Mas é com a criação das rádios Ribamar (hoje Cidade) e Difusora que os programas radiofônicos ganham o gosto das multidões e lançam nomes de locutores que eram tão prestigiados quanto os atores globais da atualidade.

Foi na o final da década de 50 que surgiu um programa que veio a fazer história no rádio maranhense: o Correio do Interior. A fórmula era simples: pessoas que queriam se comunicar com parentes ou amigos no interior, especialmente nos municípios da Baixada, redigiam avisos que eram lidos pelo locutor do programa.

Zé Leite, Fernando Cutrim, Ricardo Rodrigues, César Roberto Maciel, Fernando Sousa e Almeida Filho emprestaram a sua voz para os avisos de viagens, de acidentes, de mortes, de nascimento de filhos e netos e de coisas prosaicas como preparar uma montaria para esperar um viajante que subia os rios da Baixada. O programa ia ao ar às 8 da noite, após a Voz do Brasil.

O sucesso era tanto que os avisos invadiam outros pro- gramas da Difusora, como o Correio Musical Eucalol, de 8 às 10 horas, e de 16 às 17 horas, e o Quem Manda é Você, comandado por Zé Branco, nas manhãs de segunda a sexta. Nem os domingos escapavam: os avisos apareciam no Do- mingo é nosso, que teve Lima Júnior, Don Ivan e Leonor Filho como apresentadores.

A fórmula foi copiada sem o mesmo sucesso por emissoras como a Ribamar e a Educadora. Esta, aliás, mantém avisos em sua programação até hoje, mas as comunicações fáceis fizeram a fórmula murchar.

Meu amigo Gojoba, o jornalista e radialista José Ribamar Gomes, durante um curto período recebia os avisos a serem divulgados e cobrava pela transmissão das notas, tudo devidamente contabilizado num bloco de recibos que, ao final do dia, era eventualmente arrecadado por Magno Bacelar, um dos donos da emissora.

O sucesso do programa era tamanho que os Correios entraram com uma ação tentando proibir a divulgação dos avisos por concorrência ilegal. O caso não prosperou porque os Bacelar conseguiram na Assembleia Legislativa aprovar para o programa um título de utilidade pública e, assim, tudo continuou como dantes.

Registre-se que, nessa época, a Difusora operava em ondas curtas e ondas tropicais, além das ondas médias até hoje existentes. As ondas tropicais e curtas chegavam aos recantos mais longínquos, dentro e fora do Brasil.

O Correio do Interior era uma fonte importante de recursos para a Difusora. Gojoba calcula que, a preços de hoje, a emissora faturava cerca de 150 mil reais mensais com os avisos, dinheiro providencial para pagar os “vales” que os trabalhadores da casa pediam.

A maior renda do programa, deveu-se a uma tragédia. O naufrágio da Lancha Proteção de São José, ocorrido no dia 27 de outubro de 1965, que deixou centenas de vítimas. O número exato de mortos e desaparecidos não se sabe, pois não havia o controle de passageiros à época.

A lancha que partira do porto da Raposa, em São João Batista, afundou à noite após se chocar com recifes, já próximo à costa de São Luís. Entre os sobreviventes, que permanece vivo até os dias atuais, está o comerciante Juarez Diniz Cutrim, dono de um bar tradicional na Belira.

Nessa noite, sobreviventes faziam fila diante dos microfones da Difusora para, com suas vozes, tranquilizarem os familiares no interior.

*Luiz Pedro de Oliveira é natural de Juazeiro do Norte (CE). Jornalista. Foi deputado estadual por duas legislaturas. Foi chefe de gabinete do governador Jackson Lago. É baixadeiro por adoção, amor e convicção. Coator do livro Ecos da Baixada.

O NOSSO PRETO DOEGNES!

O NOSSO PRETO DOEGNES!

Por Elizeu Cardoso*

Para quem não o conheceu.

A primeira vez em que vi Doegnes, foi ali num palco do Fesmap, cantando “Mamãe eu tô com uma vontade louca de ver o dia sair pela boca”, clássico de César Teixeira, no disco Bandeira de Aço. A minha irmã Ducarmo Cardoso me arrastava sempre para esses eventos culturais, onde fui conhecendo os artistas da minha cidade. Fiquei paralisado ao vê-lo soltar a aquela voz tão bonita e rara, que todo pinheirense reconhece como a alma da nossa cidade. Uma África tão nossa, amalgamada nos tambores, carnavais e bumba-meu-boi do Maranhão. Depois o reconheci frequentando a nossa casa, só então descobri que ele e Ducarmo eram parceiros na música desde a escola Anchieta.

Um dia aconteceu algo inexplicável, um milagre diante de mim, ainda com olhos e ouvidos de menino. Ele chegou numa bicicleta em nossa casa e entregou uma letra que Gico havia compilado do livro As Veias Abertas da América Latina, do intelectual uruguaio Eduardo Galeano. Ducarmo, compositora que é, foi olhando e compondo ali mesmo, sem instrumento algum. Logo, estavam ensaiando, os dois decidindo partes e vozes, numa das músicas mais bonitas que já ouvi. Parceiros perfeitos!

Quando cresci me tornei compositor e a nossa relação se estreitou. Bastava pisar em Pinheiro, e lá estávamos reunidos em cantorias e boemias, lá por casa, bares e na beira do rio Pericumã. Num desses encontros, Tontom que era anfitrião e cinegrafista, achou de gravar no seu quintal um momento em que Doegnes se mostra em plenitude. Com um balde na mão entoa a toada Batalhão do Amor, do meu irmão Abraão Cardoso. Um canto que emociona todo mundo que assiste, e ao fim se derrama em seus bordões e brincadeiras, como era de sua alma, música e alegria como uma coisa só. “Urubu levou a chave”! E explodimos em gargalhadas.

Estávamos preparando uma gravação para o dia 13 de maio deste ano, em homenagem ao Festival Ginga Zé Macaco, quando a sua família realiza o maior festival de tambor-de-crioula do Maranhão, mas a pandemia adiou este encontro. Há poucos anos, aproveitando que todos estávamos nessa data por lá, o seu irmão Gilmar, idealizou o Tributo à Doegnes, sempre no dia anterior, 12 de maio. Na última edição, já com o dia clareando na praça do Centenário, sem ninguém querer dormir, ele sorrindo me disse: Meu preto, nós vamos ter que mudar essa data, que assim não tem quem aguente. Todo ano a gente amanhece, e hoje ainda tem o festival!

Doegnes é um ícone para o Maranhão, na dimensão de mestre da cultura popular, que se sentia à vontade numa festança de tambor-de-crioula, num bumba-meu-boi, numa roda de samba, ou num palco diante de uma multidão no carnaval. É daqueles artistas em qualquer lugar em que estivesse, emocionava. Com a corda na cintura, esmurrando um tambor grande, e soltando a voz, a gente compreendia mais facilmente como a arte é necessária aos homens. De onde vinha aquela voz? A transcendência do canto e das mãos? A ginga de tantas ancestralidades, numa cantorias de muitos povos que para cá vieram, nos ensinamentos do pai Zé Macaco e tantos outros.

Em qualquer lugar do mundo, um pinheirense hoje guardará a tua presença, pois não será fácil a tua despedida tão inesperada e breve. A cidade chora, o Pericumã desce mais lento, os campos perdem um pouco do verde, e o azul do céu fica mais pálido. Mas sabemos que vai para um lugar melhor, e a vida que escreveu diante de tanta gente, só nos tornou melhores e mais alegres. A grandeza de alguém está em como chega às outras pessoas, e tu tão bem sabia chegar para nunca mais partir.

Imagino meu preto, tu chegando no céu. São Benedito de braços abertos, numa roda de tambor, com teu o pai Zé Macaco, Dona Catarina, Venâncio, Coisinha, e tantos mestres da cultura te recebendo, e tu pronunciando alegre aquele teu Oiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Que beleeeezaaaa! Depois, já com a corda na cintura e sentado no tambor grande, dá aquela gargalhada que Deus te emprestou e que agora recebe.

Vá em paz, meu preto, mas tu continua na gente para sempre porque a tua música e a tua simplicidade, te fazem uma luz na eternidade!!!

Elizeu Cardoso, professor, músico, compositor, poeta e escritor.

PESCA-VIDA

PESCA-VIDA

Por José Carlos*

Em nossa cidade, como em tantas e tantas da nossa imensa Baixada, devemos muito e muito aos conterrâneos, que dedicaram boa parte da vida, se não toda, “à sagrada arte”: a arte do pescar. Verdadeiros heróis a nos saciar com o alimento mais consagrado, principalmente o retirado dos rios, em especial do Pericumã (!!!).

Essa admiração sempre me acompanha: foi, é e sempre será forte!  Dos pescadores, as primeiras lembranças que tenho são, na Ponta da Capoeira, as da minha avó, Dedé, que se “equipava” como uma verdadeira “astronauta” – essa era a impressão que eu tinha na época – a ir à pesca: camisa manga comprida, do meu avô; calça larga, do meu avô; um lenço, que lhe pendia da cabeça, cobrindo-lhe o pescoço; um chapéu de aba terrivelmente larga, para a proteger do sol inclemente; deslizando-flutuando suave e serena, pela enseada, em uma imensa canoa.

Interessante é que a pescaria, da vovó, era antecedida de uns preparativos, os quais eram um verdadeiro ritual: alguém ia verificar os “baixos”, para se certificar “do tempo certo”. Depois, saía com uma enxada ou um “chacho”, às costas, e uma lata. Seguiam-se, então, as enxadadas na terra encharcada, a fim de capturar as melhores minhocas, que virariam apetitosas iscas.

A vovó era mestra em pescar acará. Acará pitanga, para nos oferecer um escabeche, suculento, fornecedor de tanta “sustança”, feito na mais perfeita frigideira de barro, temperado com o mais puro azeite de côco e com o estalar da lenha seca, que me “contava” segredos e segredos do reino do faz de contas.

Também, ainda, alcancei Antônio do Rosário, meu avô, sair para pescar, à noite, a fim de fazer “a ceia de bagre”, madrugada a dentro, ocasião em que eu e as demais crianças dormíamos por não “aguentar” esperar, sendo despertos apenas para desfrutarmos de tão rico e delicioso pasto.

Embora criado nessa atmosfera, que muito me seduzia, nunca fui um pescador – nem para contar histórias – salvo algumas tentativas de capturar piabas “na garrafa”, o que, venhamos, não é glória alguma.

Entretanto a magia da pesca “pescava-me” e se coroava com o espetáculo pujante, durante “as cheias”, quando “os pampinhas e as piabinhas” pululavam na correnteza da primeira boca, enchendo os cofos-pescadores, como esquecidos ali, em uma torrente constante, dando-me a certeza de que jamais acabariam; e, definitivamente, se completava, quando eu saía para comprar “uma pratada de peixe”, “costume” visto, por mim, só em Pinheiro, após esperar tirar “o mato”.

Quanta coragem! Seu Urbano, “Manel” Campeiro, Madeira, Zé Vaqueiro (…); ou vendo Camburão e Carioca ir buscar as mais belas traíras, sem algum apetrecho, em um longo e silencioso mergulho; ou encontrar Cruzeiro, totalmente ébrio e “cinza”, a oferecer sua produção do dia, a fim de poder tomar mais um São João da Barra, vindo da barragem da Justina. Barragem prodigiosa, a qual trazia uma figura, por demais interessante, a vender “o peixe do dia”, dona Leonília, da família Paulo Coró, que era a pescadora preferida da vovó e muito me impressionava pela idade avançada, mas com um vigor absurdo.

Entretanto, o apogeu das pescarias era o espetáculo proporcionado por Fula, com seu búzio, chamando-nos a lhe comprar pescados e entretendo-nos com suas histórias, ditos e relaxos, que marcaram várias e várias gerações, com a certeza de que a “fartura” era certa.
Tantas lembranças, que se apresentam deliciosas, fumegantes e apetitosas como “uma pratada de angu, com iscas de jabiraca”!

Delícias, dessa época, que me fizeram herdeiro de hábitos (e bons), que ainda mantenho (até hoje): assar peixe, cheio, na brasa; escabechar traíra e cabeça-gorda, ao leite de côco; fazer um “cozidão”, de bagrinho; e, o mais saboroso de todos, fritar piabas, enfiadas em espetinhos de talos de folhas de coqueiro (!!!).

 

ZÉ CARLOS (José Carlos Gonçalves Filho) é natural de Pinheiro, na Baixada Maranhense. Estudou o curso “primário” no Grupo Escolar Odorico Mendes e o “ginásio” e o “curso científico” no Colégio Pinheirense. Formou-se em Letras Modernas, pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É membro da Academia de Letras, Artes, Ciência e Agremiação de Saberes Culturais (ALEART), fundador da cadeira de número 10, tendo como patrono Odorico Mendes. Atualmente, desempenha as funções de revisor, escritor, letrista e professor de Redação, Língua e Literatura Brasileira e Portuguesa, para o ensino médio. Função, esta, desempenhada em diversos estabelecimentos de ensino do Maranhão.

MAJESTADE DA LUA

MAJESTADE DA LUA

Autora Gracilene Pinto

Enquanto os sinos ressoam
Na alta torre da Matriz,
Desce o escuro da noite
Sobre a velha São Luís.
Em alguns becos as luzes
Mal dominam a escuridão,
Fazendo evocar o medo
Das lendas de assombração.
Porém, logo no horizonte
Surge um disco de prata
Que é um chamado aos poetas,
Um convite à serenata.
A claridade se derrama
E a majestade da lua
Faz a noite vida dia.
A cidade se engalana,
Em cada praça, cada rua,
Para a festa da poesia.

Imagem Luar de Penalva/Maranhão por Anatalio

ESPIANDO A CIDADE DA JANELA DOS MIRANTES NAS NOITES DE LUA CHEIA

ESPIANDO A CIDADE DA JANELA DOS MIRANTES NAS NOITES DE LUA CHEIA

Autor Expedito Moraes

Sou apaixonado pela LUA CHEIA. Não tanto quanto Catulo da Paixão Cearense. Como não sou músico e violeiro, escrevi isto em 2014, numa dessas noites quando ela banhava esta cidade de luz prateada.

Dizem que do alto desses prédios coloniais, das janelas dos mirantes, surgem em noites de lua cheia personagens que se debruçam sobre os telhados e se deleitam com o luar, com o silêncio da noite e a brisa morna que sibila pelas esquinas da cidade. Juram os que dizem, que nessas noites, ouvem soluços, lamentos e prantos tão intensos que escorrem pelos telhados dos casarios.

Os que dizem suspeitam serem aquelas mesmas madames que, outrora, por não poderem acompanhar seus filhos partirem para Portugal até o porto por ser um ambiente impróprio para mulheres, subiam ao Mirante e das janelas balançavam seus lenços brancos como despedida e com eles enxugavam suas lágrimas dolorosas de saudade.

Outros que veem e ouvem os gemidos destas almas afirmam que estas, apenas continuam a lamentar e indignarem-se por verem tudo que construíram com tanto esforço e dificuldade, caindo, abandonado e desvalorizado. Choram e lamentam ao perceberem que a cidade que criaram com tanto zelo, viveram e deixaram como herança o maior acervo arquitetônico colonial da América do sul e os ingratos herdeiros não souberam valorizar.
Dezembro de 2014