MENSAGEM GRACILENE PINTO AOS SEUS CONFRADES E CONFREIRAS DA ACADEMIA JOANINA DE LETRAS, CIÊNCIAS E SABERES CULTURAIS

MENSAGEM GRACILENE PINTO AOS SEUS CONFRADES E CONFREIRAS DA ACADEMIA JOANINA DE LETRAS, CIÊNCIAS E SABERES CULTURAIS

Por Gracilene Pinto

Somente hoje (31/10/2021), passados já dois dias do ato de criação da Academia Joanina de Letras, Ciências e Saberes Culturais, venho manifestar-me para me congratular com os prezados confrades e confreiras.

Aproveitando o ensejo, esclareço que meu silêncio não significa ausência ou desinteresse, pois, apesar das múltiplas tarefas e assuntos, de ordem particular, que requisitaram minha atenção nestes dias, estive muito bem representada em nosso evento pelo nobre colega, Dr. Eulálio Figueiredo, e, dentro do possível, acompanhei amiúde os acontecimentos torcendo e aplaudindo todo o feito.

Além disso, acredito que somente agora, serenados os ânimos, poderemos refletir sobre o verdadeiro sentido do memorável acontecimento e a responsabilidade desse ato advinda, e por nós assumida, ante a cultura de São João Batista. Responsabilidade esta, que não se limita a promover belos eventos nem outorgar títulos. Mas, a responsabilidade de transmitir um legado que auxilie na preservação e no engrandecimento da nossa cultura, ratificando aos pósteros a importância da valorização histórica e cultural do nosso povo e da nossa terra. Porque o que imortaliza o homem são suas obras, não os títulos.

A palavra academia provém do grego Akadémia, bosque de oliveiras e platános próximo à Atenas, frequentado pelo herói Academus, onde, no ano 387a.C., fundou Platão uma escola livre com a finalidade de ensinar filosofia à adultos letrados. Uma espécie de pós-graduação. Tal conceito, se disseminou pela região, vigorando por cerca de novecentos anos.

Posteriormente, em Florença, berço italiano de cultura, capital da Toscana e paridouro de grandes nomes da História, tais como, Durante Alighiére (mais conhecido como Dante), Michelangelo, Leonardo Da Vinci, Nicolau Maquiavel, Donatello, Botticelli, Boccaccio, Brunelleschi, e tantos outros, no ano de 1440 foi fundada a Accademia Platônica.

Em nossos tempos, o termo se tornou mais popular e menos erudito, sendo usado cotidianamente para denominar lugares onde se desenvolvem práticas desportivas. Como as academias de ginástica, por exemplo.

Mas, para mim, a verdadeira acepção da palavra continua sendo a platônica, qual seja, uma organização de teor literário, científico ou artístico, como a escola filosófica de Platão.

Nessa linha, a criação de uma Academia é, portanto, um grande feito. E ninguém realiza grandes feitos se não tiver a ousadia de sonhar com coisas grandiosas. Daí, dizer-se que o sonho é o desejo da alma, porque é a partir dele que nascem as grandes realizações. Um sonho, nada mais é, do que a vontade incontrolável de realizar alguma coisa que desejamos com paixão. E, os grandes feitos se tornam realidade muito mais facilmente quando sonhados em conjunto, comungados por muitos. Pois, quando um grupo se une em prol de um mesmo ideal, a energia motriz do projeto se vê multiplicada. Isso é científico. É radiônica pura.

Eu sempre acreditei que títulos não importam. Importam as pessoas. Importa a firmeza de caráter e a dignidade com que elas encaram a vida, e o amor e a dedicação que colocam naquilo que fazem.

Não somos muitos nesta agremiação, se comparados à população do Brasil ou mesmo à de São João Batista. Mas, se mantivermos ao longo do caminho a capacidade de coesão, a força e a resiliência deste primeiro momento, que é apenas a etapa inicial da concretização do sonho, o sucesso virá como meritório prêmio. Porque o sucesso de um projeto subsiste, principalmente, no ideal comum e na capacidade de resistir ao tempo e às intempéries. O sucesso será certo se nos permitirmos alimentar o sonho de deixar aos pósteros um legado que eternize a nossa história e não deixe morrer a singular cultura que faz parte de nós, porque está em nossa própria essência.

A realização deste ideal deve-se à pessoas, como o atual, e merecidamente, Presidente desta nobre instituição cultural, Marcondes Serra Ribeiro; como Manoel Barros, Batista Azevedo, Eulálio Figueiredo (que representou a mim e a Dra. Elymar Figueiredo, impossibilitadas de comparecer ao evento de criação); Luiz Figueiredo e Raimundo Cutrim; Ana Márcia Araújo e Edinete Alves; Ana Creusa Martins, que, representando o Fórum da Baixada, tanto apoiou e estimulou a realização deste sonho antigo; e a todos os demais participantes, pois, com determinação, coragem, espírito de liderança e resiliência, seguiram em frente, tudo fazendo para que as coisas ocorressem de maneira satisfatória e com o garbo que o projeto merece.

Parabenizo a todos os confrades e confreiras desta nossa recém-nascida Academia Joanina de Letras, Ciências e Saberes Culturais, com especial destaque para Marcondes Serra Ribeiro, que, como todos sabem, deu o sangue para que o evento tivesse a grandeza necessária e se perpetuasse no coração de todos. E, aproveito a ocasião para agradecer à minha filha, Márcia Fernanda Gonçalves, à minha amiga Dilercy Adler e a Eulálio Figueiredo, pelo estímulo para que me decidisse a fazer parte desta digníssima agremiação. Tendo o último, me concedido a subida honra de representar-me, por procuração, no evento do dia 29/10/2021.

Dias atrás, falei ao Marcondes sobre a ideia de iniciarmos, desde já, os fundamentos de uma biblioteca em nossa academia. Ele, como sempre receptivo às boas sugestões, respondeu de imediato: estamos juntos! E, de pronto, foi criada uma estante com obras dos novos acadêmicos para abrilhantar o evento de criação. Minha nova sugestão é que se busque, junto a Secretaria Municipal de Educação, a implantação de um projeto que inclua no cronograma escolar municipal as obras dos escritores conterrâneos, na qualidade de paradidáticos.

Porém, necessário se faz lembrar, que não só de momentos festivos é feita a nossa estrada. Agora é hora de cada membro assumir a responsabilidade do seu posto, enquanto representante da cultura joanina, e desenvolver um trabalho, com o olhar voltado para o futuro porém sem esquecer o passado, visando sempre a preservação da nossa identidade e do nosso patrimônio cultural, de modo a deixar um legado que sirva de exemplo às novas gerações.

Existem lutas sem causa. Mas, não há vitória sem razão. Todos somos movidos pelos nossos sonhos, pela nossa paixão, por aquilo à que aspira a nossa alma. Essa é a mais forte razão para a peleja. Porque, se tivermos um ideal, o sonho nos dará asas. E então, poderemos até perder algumas batalhas, mas, ao final, venceremos a guerra e hastearemos o nosso pavilhão no pico mais alto, cantando o hino da vitória.

Talento, boa vontade e inspiração, esta, sempre renovada ante a beleza natural com que Deus agraciou este torrão, nunca faltaram aos filhos desta terra. Por isso, considero que todos os que se habilitaram a fazer parte desta Academia Joanina de Letras, Ciências e Saberes Culturais são pessoas capacitadas e comprometidas a desenvolver sua missão de modo a engrandecer o Município de São João Batista e a herança cultural deixada por nossos avós, honrando, deste modo, sua memória. Sendo assim, temos em nossas mãos tudo que se faz necessário para realizar a contento esta missão, que, de acordo com o ideal filosófico de Platão, deve ser sempre a busca do conhecimento.

Confiança em Deus, fé na vida e pé na tábua!
Foi dada a largada!
Que o Senhor nos abençoe a todos!

DISCURSO FEITO POR OCASIÃO DA FUNDAÇÃO DA ACADEMIA JOANINA

DISCURSO FEITO POR OCASIÃO DA FUNDAÇÃO DA ACADEMIA JOANINA

Por Eulálio Figueiredo*

Bom dia confrade e confreiras.

Transcrevo abaixo o breve discurso que fiz por ocasião da fundação da Academia Joanina de Letras, Ciências e Saberes Culturais de nossa terra São João Batista. Foi um momento de muita responsabilidade e cautela, haja vista o nível cultural dos presentes e a gentileza dos que me distinguiram para essa missão. Obrigado a todos. Segue o texto do discurso verbal abaixo:
DISCURSO FEITO POR OCASIÃO DA FUNDAÇÃO DA ACADEMIA JOANINA DE LETRAS, CIÊNCIAS E SABERES CULTURAIS DA MINHA QUERIDA TERRA SAO JOÃO BATISTA.

Após saudar as autoridades, confrades, confreiras e os cidadãos presentes.

Esto brevis, et placebis.

Nesta bela manhã de glória, de regozijo, de júbilo e de incontrolável alegria, sob o afago do sol que brilha em todo seu esplendor, está sendo lançada a pedra filosofal, sobre a qual se edificará a Academia Joanina de Letras, Ciências e Saberes Culturais, maior casa de cultura da nossa querida terra mãe São João Batista, que nossos hermanos castelhanos chamam de La Pacha Mama.

Estamos no mês de outubro, considerado no calendário anual como o mês das missões. Nada mais justo que nossa academia obtenha sua certidão de nascimento exatamente nesta áurea missionária, em que os idealizadores desse projeto de mãos dadas com os membros fundadores e efetivos, hoje aqui comparecem para prestarem contas da missão cumprida, sob as bênçãos de Deus e de Nossa Senhora.

O que nos conforta neste momento é saber que todos nós estamos irmanados em busca de um mesmo objetivo, qual seja a criação de uma casa que pretende congregar homens e mulheres imbuídos do propósito de disseminar letras, ciência e saberes culturais na terra onde nasceram e onde, por alguma razão, fixaram raízes que se transformaram em árvores frutíferas e sombreiras.

A academia que hoje vem à luz, sob o comando de tão ilustres e eméritos confrades e confreiras, que se unem num afetuoso amplexo, será a flâmula que hastearemos bem alto no pavilhão de nossa terra para o sopro incontido dos ventos joaninos e orgulho de nossos conterrâneos.

Será também a insígnia que nosso intrépido peito, impulsionado por corações que pulsam sem parar, palpitantes de alegria e de emoções, ostentará doravante, semelhante ao vestíbulo ou portal que conduz ao páramo cerúleo onde habitam os deuses do olimpo.
Sim. Estamos todos contagiados neste momento de júbilo, porque o nascimento desta casa de cultura é uma marco histórico para nossa cidade que um dia, pelos mares de Cabral, nos conduziu à capital do estado e foi a porta de entrada para a região da baixada maranhense através do porto da Raposa.

Junto com a Academia Joanina de Letras, Ciências e Saberes Culturais também nasceu, hoje, embora de forma embrionária, a biblioteca dessa entidade, a partir da estante de livros (expostos na antessala deste prédio) já publicados pelos membros fundadores e definitivos que criaram essa confraria de notáveis escoliastas.

Os que hoje compareceram para esta solenidade, em solo joanino, serão testemunhas oculares da concretização desse grande projeto idealizado pelos confrades e confreiras da academia nascitura, que tem como patrono o jurista e professor Fran Figueiredo, um dos seus filhos mais ilustres, pelo exemplo de vida e por tudo que representou para sua geração e para o povo de nossa cidade.

Meu desejo ab imo pectore é que a novel academia não seja apenas uma casa de encontros de boêmios inveterados, de intelectuais descompromissados com as artes ou de nefelibatas sonhadores, mas um panteão literário, onde sejam preservados os costumes, os hábitos, a cultura e toda a tradição de nosso povo, contada pela memória e criatividade de nossos confrades e confreiras para conhecimento da posteridade in saecula saeculorum.

Muito obrigado.
José Eulálio Figueiredo de Almeida.