FERRY-BOAT: Fórum da Baixada participa de Audiência Pública realizada pela MOB

FERRY-BOAT: Fórum da Baixada participa de Audiência Pública realizada pela MOB

Na tarde desta quinta-feira, dia 18 de março de 2021, a convite do seu Presidente da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB), Daniel Carvalho, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) participou de Audiência Pública, promovida pela MOB.

Por conta da pandemia, a audiência pública foi realizada on line por meio do aplicativo Teams. A referida audiência tratou sobre a licitação do serviço de Ferry-Boat no Estado do Maranhão, bem como a disponibilização de melhorias urgentes nesse serviço de grande relevância para os maranhenses.

Participaram do evento mais de 30 (trinta) pessoas, incluindo várias autoridades, entre elas: o Vice-Governador do Estado, Carlos Brandão; a Deputada Estadual, Thaíza Hortegal; a Promotora de Justiça, Lítia Cavalcanti; o Juiz de Direito, Douglas Martins; a Diretora do Procon, Karen Barros; o Capitão dos Portos; o Diretor dos Terminais Externos da Emap, Ted Lago; o Secretário Adjunto da SEFAZ, Magno Vasconcelos; o membro da Comissão de Direito Marítimo da OAB, Najla, entre outras.

Pelo FDBM participaram os forenses: Ana Creusa, Elinajara Pereira, Expedito Moraes e Ribeiro Júnior. Alguns forenses assistiram ao evento pelo Canal do Youtube, disponibilizado pela MOB.

O Vice-Governador iniciou a reunião, cumprimentando os participantes. Discorreu sobre as obras realizadas nos terminais de passageiros, que visaram dar mais conforto aos usuários e que agora se encara os desafios da licitação, construir um edital adequado às necessidades dos serviços. Por fim, afirmou que a Baixada é prioridade para o Governo.

A Promotora de Justiça do Consumidor, Lítia Cavalcante, falou sobre a luta empreendida pelo Ministério Público, com a finalidade de melhorias nos serviços de ferry-boat.

A Deputada Estadual Thaíza Hortegal também falou sobre a importância do serviço para a população da Baixada e Karen Barros do Procon falou do sofrimento da população usuária dos serviços.

Posteriormente, foram facultadas as inscrições para manifestações, as quais seriam realizadas após a apresentação do Presidente da MOB, Daniel Carvalho.

Na apresentação, Daniel Carvalho, apresentou considerações sobre a nova proposta de Licitação para Concessão do Serviço Público de Transporte Aquaviário Intermunicipal de Passageiros, Cargas e Veículos de Navegação Marítima entre o Terminal Marítimo Ponta da Espera e o Terminal Marítimo do Cujupe no Estado do Maranhão, que consta no Processo Administrativo nº 031522/2021, que está disponível no sistema e-processo do Governo do Estado.

A proposta contempla vários itens, como: Redução do valor da outorga, proporcionando que os valores arrecadados retornem ao sistema como investimento e melhorias; Idade média da frota, prevendo idade máxima das embarcações; Renovação da frota e previsão de novas embarcações; Melhoria e conforto das cabines de passageiros; Isolamento acústico nas casas de máquinas; Manutenções preventivas; Melhoria no sistema de venda antecipada (fim do sistema misto); Aumento dos pontos de vendas, entre outras.

Após a apresentação, o Presidente da MOB franqueou a palavra aos inscritos. Expedito Moraes do FDBM foi o primeiro a usar da palavra. Após os cumprimentos de praxe, ele discorreu sobre a luta dos baixadeiros e demais usuários dos serviços de Ferry Boat. Lembrou de outros eventos que o Fórum já participou, sempre reivindicando melhorias no serviço que, até o momento, não foram realizadas e que tem esperança que o processo licitatório se realize. Lembrou que os serviços nos tempos de pandemia foram reduzidos, mas que essa demanda reprimida virá, tão logo essa fase crítica amenize, mas que necessita de planejamento, para que não haja colapso do sistema. Solicitou providências referente ao embarque e desembarque de passageiros e carros, para que ambos sejam feitos em momentos diferentes.

O representante do FDBM ainda falou sobre algumas sugestões apresentadas pelos forenses que estavam assistindo à audiência pelo Youtube, como: o alcance internacional do edital, tempo máximo de viagem, menor intervalo entre as viagens, antecipação do horário de viagens e conforto dos passageiros. Estas últimas indagações foram realizadas pelo Dr. Gusmão, Prof. da UEMA e Gestor do Projeto Bosques na Baixada do FDBM.

Mais alguns participantes se manifestaram, como o Capitão dos Portos que lembrou que a manutenção preventiva das embarcações é fundamental. Hugo Veiga, Secretário-Adjunto do Turismo falou que é necessário que tenham mais postos de vendas à disposição dos usuários. Que estão em estudo a efetivação de terminal de vendas em Pinheiro e no Povoado Três Marias, em Peri-Mirim.

Lítia Cavalcante disse que já visitou o local e que considera adequada a instalação do Posto de Vendas no Povoado de Três Marias, pois se trata de uma confluência de estradas que ligam alguns municípios. Karen Barros do Procon, lembrou que os Vivas podem ser utilizados como postos de vendas, bastando que se instale o sistema.

Após a manifestação de todos os inscritos, o Presidente da MOB, Daniel Carvalho, encerrou a reunião, declinando o nome de todos os participantes e despediu-se com a costumeira delicadeza.

O FDBM agradece o convite e renova a esperança de que os serviços do Ferry Boat sejam melhorados, pois sem eles funcionando adequadamente, não se pode falar em desenvolvimento da Baixada, Litoral Ocidental e Noroeste do Estado; muito menos falar-se em turismo, que seria um eixo propulsor de trabalho.

João Martins está de volta à presidência do Fórum da Baixada

João Martins está de volta à presidência do Fórum da Baixada

Companheiros,

O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) está de parabéns. Havia uma expectativa de alguns colegas que João Martins eleito prefeito de Bequimão, não pudesse ou não quisesse continuar na presidência do Fórum. A primeira hipótese não existe, pois não há impedimento. A segunda foi descartada em uma reunião remota acontecida nesta segunda feira (15.03.2021), na qual João foi convencido por mim, Antônio Valente e Ana Creusa a continuar sua Gestão. Aliás, foi eleito democraticamente.

JOĀO MARTINS continua Presidente do Fórum. O fato de ser Prefeito não o impede legalmente desta função; muito pelo contrário, possibilita que este Fórum, tenha uma dimensão mais política e mais capaz de realizar uma série de ações já planejadas e outras que, ainda, serão.

Existe um movimento atual que envolve prefeitos eleitos e reeleitos na ultima eleição de algumas microrregiões das mesorregiões do Norte e Oeste maranhense – incluindo a Baixada, para criarem Consórcios Municipais. O foco é fortalecer a representação política da Região e consequentemente elevar o poder de barganha e traduzir em investimento comuns a todos os municípios. Este tipo de organização tem dado certo em alguns estados, principalmente nos quais prevalece um maior grau de maturidade e eficácia na gestão e execução do planejamento.

Cremos que, JOÃO MARTINS, pelo histórico e competência que tem, pode ser um consorciado bastante forte nesse organismo; A posição do município de Bequimão nesse território é bastante privilegiada, exemplo:

1) Ponte de Pericumã ligará esse município a toda à região noroeste do Maranhão;

2) Todos os megas Projetos que serão implantados em Alcântara – as tratativas institucionais e técnicas para a instalação do Terminal Portuário de Alcântara – TPA e o Centro Espacial de Alcântara – CEA, continuam – pela proximidade, será o mais beneficiado;

3) A demanda de mão de obra e insumos de toda ordem será grande, e JOÃO com a experiência que tem em formação, qualificação e capacitação profissional, conhecendo os órgãos e com o trânsito que conquistará no Estado e em Brasília será muito mais fácil;

4) A parceria que iniciamos com a UFMA será muito mais abrangente e frutífera. Enfim, os vários projetos que iniciamos podem continuar com o apoio do próprio Consórcio.

5) Em 16 de maio de 2015, logo após a implantação do FDBM, elaboramos e aprovamos um Plano Estratégico e definimos que a missão do Fórum deveria ser um agente articulador de projetos para o desenvolvimento sustentável da baixada maranhense, interagindo com o poder publico, privado e a sociedade e ser reconhecido como o principal defensor do desenvolvimento sustentável da baixada maranhense. Então, acreditamos estar no caminho certo.

Após um período de afastamento da presidência em que eu assumi interinamente a presidência do Fórum, João Martins está de volta ao cargo, para o qual foi eleito democraticamente. Seja bem-vindo, presidente João Martins.

Expedito Moraes, 1º Vice-Presidente do FDBM

FERRY-BOAT: MOB convida a sociedade civil para audiência pública para licitação do serviço

FERRY-BOAT: MOB convida a sociedade civil para audiência pública para licitação do serviço

O Presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), João Martins, Prefeito do município de Bequimão, CONCLAMA os colegas Prefeitos, Deputados estaduais e federais, vereadores, lideranças políticas, empresários, comerciantes, sociedade civil, enfim, todos que tenham atuação política, empresarial, usuários, moradores das regiões servida por este tipo de transporte, que ao longo do tempo vem a cada dia deixando de prestar um serviço de qualidade; para participarem da Audiência Pública que vai debater sobre a situação dos ferry-boats no Maranhão. A Audiência será promovida pela Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB), e será realizada no dia 18, próxima quinta-feira, as 14h. A chamada pública visa ser um instrumento preparatório da sociedade civil na licitação, visando às melhorias do Transporte Aquaviário no Maranhão.

Afirma a MOB que por conta da pandemia, a audiência on-line e será transmitida pelo aplicativo “MICROSOFT TEAMS”. Poderão participar órgãos estaduais e municípios da região da Baixada Maranhense. Na audiência será pautada a proposta de Licitação para Concessão do Serviço Público de Transporte Aquaviário Intermunicipal de Passageiros, Cargas e Veículos de Navegação Marítima entre o Terminal Marítimo Ponta da Espera e o Terminal Marítimo do Cujupe no Estado do Maranhão.

O presidente da MOB, Daniel Carvalho detalhou que essa audiência é um marco para o estado. “O serviço de ferryboat será licitado pela primeira vez no Maranhão e consequentemente trará benefícios para a sociedade que utiliza esse meio de transporte e que já passou por alguma situação. Será um marco para o Transporte Aquaviário e para nós maranhenses”, finalizou Daniel. Para participar da audiência basta entrar no link da audiência disponibilizado pela MOB e o Governo do Estado.

Para acompanhar a  audiência basta entrar no link do Youtube da MOB: https://www.youtube.com/c/MOBMaranhão

Fonte: http://www.mob.ma.gov.br/mob-convida-sociedade-civil-para-audiencia-publica.

Chucho – “O Pelé da Baixada Maranhense”

Chucho – “O Pelé da Baixada Maranhense”

Um breve relato do maior craque de futebol da Baixada Maranhense de todos os tempos.

Por Luiz Antonio Morais – Acadêmico da AVL – Cadeira N 20 – Patrono Dom Francisco Hélio Campos.

Autor do artigo: Luiz Antonio Morais

Antonio Matos Gaspar, o Chucho, nasceu em 28 de julho de 1936, na pacata Rua do Sol, viela que corta a Praça da Matriz, em Viana, e termina na comunidade Gruguéa – antigo atracadouro de canoas de pescadores –, que alertavam os fregueses por meio de um rústico berrante, confeccionado por um dos lados de chifres bovinos.

Filho do casal Coaraci Neres Gaspar e Laura Rosa dos Santos Gaspar, esse ilustre e talentoso vianense teve, ainda, nove irmãos, seis deles já falecidos: José de Laura, Zuleide, Conceição, Balbino, Emídio, Tarcísio, Maria Rita e Elisabete.

Nossa reportagem encontrou Chucho em uma manhã de domingo, 9 de setembro de 2018, em sua modesta residência, na Rua do Sol, local onde sempre morou desde que nasceu. Olhar fixo na TV, assistindo a uma corrida de Fórmula 1, era o arquétipo do melhor jogador de futebol nascido em solo vianense.

Enquanto muitos jogadores, hoje, de qualidade técnica duvidosa, ou os grandes craques de fama mundial, entre eles Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar – ainda jovens ou na plenitude da forma física –, acumulam verdadeiras fortunas, carros de luxo, viajam em jatos particulares, namoram mulheres belas e famosas e residem em mansões cinematográficas, quis o destino que o nosso maior craque encerrasse a carreira muito cedo, pobre e vivendo os seus dias de velhice sustentando-se apenas com uma humilde renda da aposentadoria; solitário e sem esperança por dias melhores.

Mas o nosso craque já teve os seus dias de glória!

Quis a graça divina que esse menino pobre, nascido em Viana, ostentasse um assombroso talento com a bola nos pés. E, ali nas várzeas e campinhos dos arredores da cidade, verdejantes após a baixa das águas, que Chucho e seus coleguinhas da época: Zé Pedro Morais, Tomás Morais, Raimundão, Lupercínio, Fefeu, ente outros, já mostravam uma incrível habilidade, mesmo que a diversão se desse com humildes bolas de meia, recheadas com papel ou sobras de tecido.

Logo, Chucho despertou os olhares e a cobiça dos desportistas da região e, aos 15 anos, era a maior atração do lendário Dragão, um dos clubes mais vencedores da época, em Viana e vizinhas.

Mesmo com as dificuldades da memória que a idade avançada impõe, Chucho lembrou, com nostalgia, alguns nomes dos velhos companheiros de campo da época, quando, ao lado de Futuca (goleiro), Vavá, Tarcísio de Lima, Fefeu, Marreco, Dico de Catarina, Esquerdinha, Machadinho e outros, o Dragão enfrentava as equipes rivais. Entre elas: o Ipiranga, que mudou de nome para Babaçu, e o Democrata, que virou Cruzeiro.

“Esses jogos, além de muito disputados, sempre terminavam em sopapos, chutes, correria e agressões devido à juventude e à rivalidade dos bairros”, afirmou Chucho.

Anos depois, segundo relatou, o time do Dragão também mudou de nome e passou a se chamar América, tendo como principal cartola e mecenas, um gerente do extinto Banco do Estado do Maranhão (BEM), lembrado apenas pelo nome de Pavão.

“Nós não tínhamos um esquema tático definido nem posições fixas. O nosso principal objetivo era dominar o adversário com raça, toque de bola e chegar ao gol, inevitável”, relembrou.

Aos 22 anos, já na idade adulta, Chucho se apaixonou e se casou com a jovem Maria do Rosário Neves Gaspar, união que gerou oito filhos: Antonio Carlos, José Etevaldo (in memorian), Laura Rosa, Francisco Carlos, Sebastião, Raimundo Nonato, Rosirene e Roberto.

Vice-campeão; campeão e bicampeão intermunicipal de futebol.

Em 1965, quando o Brasil ostentava o título de bicampeão, conquistado nas Copas do Mundo (Suécia/1958, e Chile/1962), e o futebol gozava de enorme prestígio nacional, Chucho, então no auge da forma física, aos 25 anos, já reinava e desfilava o seu indefectível talento nos campos de todas as cidades da Baixada Maranhense, encantando dirigentes e torcedores da época.

Segundo relatos de moradores mais velhos, Chucho chutava forte com as duas pernas, era um exímio cabeceador e driblava seus adversários com igual ou superior habilidade de Pelé, (ele mesmo, o Rei do Futebol).

Mantida as aparências, Chucho não demorou a conquistar, com a camisa da Seleção Vianense, os títulos de vice-campeã, campeã e bicampeã dos acirrados torneios intermunicipais de futebol, em 1965/1966 e 1967 – anos dourados do futebol vianense.

Fome e falta de reconhecimento

Embora as delegações que disputaram três títulos intermunicipais, inclusive sobrevivendo a um naufrágio da lancha Marília em 1965, quando retornavam para casa, essas conquistas tiveram muitos momentos tensos, tristes e delicados. Segundo Chucho, o Brasil vivia uma crise econômica e, também, institucional naquela época, isto é, já vivia sob a Ditadura Militar.

O prefeito de Viana, nesse momento, era Acrísio Mendonça, que tinha enormes dificuldade em manter o custeio da prefeitura, pagar os funcionários e/ou realizar obras. Portanto, como era quase sua obrigação dar apoio ao selecionado vianense – que tinha grande admiração da população, em razão dos talentos escolhidos para defender nossas cores –, a gestão também passou por apertos financeiros para honrar compromissos com as despesas de hotel e refeições, sempre que o selecionado se deslocava à capital para disputar as finais do Intermunicipal.

“Muitas vezes, passamos fome em São Luís. A dona do hotel afirmava que não iria fazer refeição enquanto não recebesse o dinheiro devido. Então, o prefeito Acrísio, que, às vezes, acompanhava o nosso time, voltava pra Viana e fazia uma ‘vaquinha’ entre os comerciantes locais e retornava para pagar as despesas”, relatou.

Chucho também relembra com tristeza que a prefeitura dessa época nunca reconheceu como deveria, ou premiou os jogadores com o conhecido “bicho” (premiação em dinheiro, prática comum nas equipes de futebol do Brasil, até os dias de hoje, quando estas alcançam grandes conquistas).

“Nem os troféus que conquistamos, não sabemos onde foram parar”, afirmou com tristeza.

Portas da esperança

Com a divulgação das conquistas do selecionado vianense pelos jornais “O Imparcial”, “Jornal Pequeno” e o “O Dia” (extinto), a fama de craque de Chucho logo chegou a outras plagas. O político João Alberto de Sousa, já bastante conhecido e influente, esportista e apaixonado por futebol, mandou um emissário para contratar o craque vianense para defender o América de Bacabal, que, em seguida, se profissionalizou e virou Americano e veio a disputar vários campeonatos estaduais.

Chucho também jogou pelo Flamengo de Santa Inês, que tinha como rival, é claro, o Vasco, da mesma cidade.

“Logo na minha estreia, era dia de clássico. Cheguei até a fazer um gol e ganhamos de 2 x 0, mas o jogo acabou com muitas brigas e teve até tiroteio na torcida”, diverte-se!

A oportunidade mais próxima de uma profissionalização de Chucho, no futebol maranhense, deu-se por meio de um convite para treinar no Maranhão Atlético Clube (MAC), de São Luís. No entanto, as dificuldades financeiras, a saudade da família e a falta de estrutura para morar em São Luís o impediram de mostrar o seu talento para públicos além-mares.

“Morei em um casarão caindo aos pedaços, não tinha como me sustentar. Lembrava que não tinha deixado um tostão para minha mulher e meus filhos. Um dia, meu irmão Emídio, que, na época, já era capitão do Exército, foi me visitar, ficou triste com minha situação e me levou para casa dele, ali na Rua 28 de Julho, no Centro da cidade. Então, voltei para Viana, sem nunca jogar no MAC”, resigna-se.

Sapatos, chuteiras e contusão

Quando retornou a Viana, filhos em fase de crescimento e muitas despesas, Chucho buscou o sustento da família em uma nova profissão, na qual também mostrou grande talento: a de sapateiro, ofício que desenvolvia em iguais condições com o também companheiro de seleção, João Batista Melo, o Coquinho.

“Quando ia treinar, eu já levava minha suvela (instrumento pontiagudo para perfurar couro) e agulha. Se a bola murchasse ou as chuteiras rasgassem ou perdessem as traves, estávamos prontos para recuperar, ali mesmo, na hora,” contou.

“Certa vez, meu ‘compadre’ Aluísio pediu minha chuteira emprestada; joguei contra ele descalço e levei um forte ‘pisão’ no pé, e ele ainda tirou sarro comigo, que era pra eu comprar chuteira pra mim”, relatou sorrindo.

Para alimentar a prole, também se aventurou no Lago de Viana, com tarrafa e anzol, em busca do pão de cada dia.

Aos 35 anos, o destino tratou de pôr fim a carreira desse “Pelé da Baixada Maranhense”.

Em uma partida de futebol disputada em um bairro vianense, Chucho sentiu um forte estalo no joelho direito. Os meniscos sentiram o desgaste do tempo, a falta de condicionamento físico para um atleta e, foram ceifados das condições para a prática do futebol. Em um município isolado territorialmente, sem médicos, sem clínicas ou qualquer possibilidade de tratamento, o atleta sucumbiu ao peso do desgaste.

Era o fim da carreira de Chucho.

“Hoje, com a minha idade avançada, estou sofrendo muito com essa contusão no joelho. É um preço muito alto que estou pagando por ter jogado futebol” relatou.

… e time do tempo ganhou…

“Sua ilusão entra em campo no estádio vazio

Uma torcida de sonhos aplaude talvez

O velho atleta recorda as jogadas felizes

Mata a saudade no peito driblando a emoção”.

Na canção “Balada nº 7 – Mané Garrincha”, na qual o compositor Moacyr Franco homenageia o lendário craque da Seleção Brasileira, podemos imaginar o apogeu e a derrocada de um craque com o calibre e o talento de Chucho.

Não ao talento

Na última gestão do ex-prefeito Rilva Luís, o desportista, ex-jogador e ex-vereador Zé Carlos Costa, que gozava de prestígio na administração pública, chegou a convencer o gestor a enviar à Câmara de Vereadores um projeto de lei que garantisse uma renda mensal a todos os jogadores e comissão técnica das seleções que trouxeram tamanho orgulho para os vianenses no futebol, inacreditavelmente NÃO aprovado pelos edis da época.

A Mangueira chegou!

Se as pernas já não serviam para o futebol e as mãos continuavam tratando bem o couro, fazendo sapatos, para a nossa alegria, Chucho também demonstrou talento e afinidade com outra paixão: o samba. Era na sua porta, na Rua do Sol, que um grupo de vianenses, da Matriz e outros bairros, se reuniam para ensaiar os sambas do seu irmão, exímio compositor, Balbino, para serem cantados nos aguardados desfiles, em frente ao palanque oficial da prefeitura, na Rua Antonio Lopes.

E, como resultado dessa abnegação pelo samba, a Mangueira fez um desfile inesquecível no início da década de oitenta, em homenagem à lendária professora vianense, Edith Nair Furtado da Silva. Com uma apresentação, enredo, fantasias e adereços impecáveis, a escola ganhou o título de campeã e marcou uma geração no Carnaval de rua vianense.

Olhar e lembranças

Chucho, hoje, depois que realiza suas tarefas e refeições matinais, servidas pela neta e vizinha Francinete, descansa um pouco e, logo em seguida, quando o Sol arrefece, dirige-se, com um caminhar lento, ao Parque Dilu Melo (Areal) onde possui um modesto barzinho.

Ali, sentado em uma cadeira de macarrão, de plástico, contempla o horizonte do nosso lago e os meninos descalços, suados, alegres e barulhentos que disputam, alegremente, uma pelada no campinho de areia, logo à frente.

Observando a cena, este jornalista não resistiu à pergunta:

– Seu Antonio, o senhor já foi bom disso, não foi?

Soam gargalhadas…

O jogo da vida continua!

  • Bibliografia consultada: RAPOSO, Luiz Alexandre – Anos Dourados em Viana: artigos e crônicas. São Luís: Gráfica e Editora Sete Cores, 2018.
Seleção campeã (1966) – De pé: Macial (goleiro reserva), o presidente da Liga Vianense Raimundo Nonato Mendonça (Papa-banha), os irmãos Cabeça e Picirica (goleiro titular), os também irmãos Coquinho e Zé Melo, Lupercínio, Louro, o técnico Jurandir, o médico Dr. Osmir, Zé Viana, Nilson e um desconhecido. Agachados: o massagista Nego Luís, Pedro de Constantino, Bacabal, Marreco, Darío, Chucho, Lanchão, Walmir, Fefeu, Carmelito e Vavá.
Antonio Matos Gaspar, o Chucho
Antonio Matos Gaspar, o Chucho

DIQUES DA BAIXADA: Fórum da Baixada se reúne com técnicos de empresa contratada pela CODEVASF

DIQUES DA BAIXADA: Fórum da Baixada se reúne com técnicos de empresa contratada pela CODEVASF

Na noite de ontem, 15/03/2021, o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) reuniu-se com técnicos da empresa Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental, contratada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF), para realizar o Levantamento Socioambiental da Baixada, bem como análise dos hábitos e costumes dos baixadeiros.

A reunião ocorreu de forma remota, por meio do Google Meet. Expedito Moraes, Ana Creusa e Antônio Valente representaram o FDBM e Ágata Novais, Mônica Duarte e Thaís Bueno representaram a empresa Walm.

Expedito deu as boas vindas aos participantes e falou sobre a importância dos Diques da Baixada e da expectativa para que essa obra seja executada, por fornecer segurança hídrica, bem como reter a água nos campos por maior período de tempo, ajudando no desenvolvimento sócio ambiental  e econômico dos baixadeiros, bem como agradeceu pelo trabalho das técnicas.

A WALM Engenharia e Tecnologia Ambiental Ltda. é uma empresa de prestação de serviços e projetos nos segmentos pertinentes a Engenharia Ambiental, Saneamento, Engenharia Geotécnica e de Recursos Hídricos. Os principais serviços da Walm são: Avaliação de Impacto Ambiental (EIAs, PBAs, Gerenciamento Ambiental), Gerenciamento e Remediação de Áreas Contaminadas, Estudos Geotécnicos, Hidrológicos e Hidro geológicos.

As técnicas enviadas à Baixada possuem formação multidisciplinar, adequadas à natureza do trabalho: Ágata Novais possui formação em Hidráulica e Saneamento Ambiental; Mônica Duarte, em Engenharia Ambiental e Thaís Bueno, em Geografia. Todas qualificadas para proceder o trabalho para o qual foram designadas. Falaram que para a próxima etapa, virão os biólogos.

Questionadas sobre a impressão que tiveram sobre a Baixada e sua gente, falaram que: muitas pessoas demonstraram interesse pela obra, especialmente no combate à seca e salinização dos campos que afetam o lençol freático, dificultado a perfuração de poços – principal meio de acesso à água potável.

Consideram que realizaram um minicenso sobre a Baixada e que puderam sentir o modo de vida dos baixadeiros e como se organizam as famílias. Perceberam que muitas famílias são constituídas apenas pela mãe e seus filhos.

Durante as visitas, mantiveram contatos com secretários e chefes de Gabinete, a fim de obterem mais informações, especialmente sobre aqueles municípios que não possuem Plano Diretor.

A estimativa da população, algumas leis orgânicas foram disponibilizadas pelo FDBM à equipe. Também se disponibilizou em intermediar o contato da equipe com os órgãos como o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC); SEBRAE e outras secretarias do Estado do Maranhão que possam fornecer dados sobre os municípios da Baixada.

Questionadas sobre a divulgação do Projeto pela empresa Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental, as técnicas falaram que disponibilizarão o projeto à CODEVASF, que contratou o trabalho. Antônio Valente, que trabalha no DNIT, falou que após a entrega do levantamento à CODEVASF, esta vai disponibilizá-lo ao público, devido ao princípio da transparência.

Ao final, as técnicas discorreram sobre a importância do contato com o Fórum da Baixada, bem como agradeceram pelas informações recebidas e falaram da necessidade de contato com os coordenadores da empresa,encarregados Levantamento Socioambiental da Baixada. Os membros do FDBM, por sua vez, agradeceram pela oportunidade de participar do referido levantamento e se colocaram à disposição para ajudar, a fim de que esse importante projeto seja concretizado.

As lanchas e seus comandantes

Autor Expedito Moraes

Os Comandantes eram respeitados e tinham autoridade por onde passavam. Dentro da lancha sua autoridade não podia ser questionada. Sentava-se dentro da cabine de comando ao lado marinheiro e às vezes ouviam ou falavam com um ou outro passageiro.

Até os anos 70, o ir e vir de pessoas de várias regiões do Maranhão para São Luís era uma verdadeira aventura. Neste texto, pretendo ater-me exclusivamente às opções que os baixadeiros tinham até então. Na região dos lagos, baixo Mearim e Pindaré, a única opção era a navegação por esses rios. Dependendo do período do ano e da fase da lua, uma viagem de Pindaré a São Luís poderia durar até três dias, caso não “desse prego” ou encalhasse em alguma croa ou banco de areia.

O tipo de lancha mais comum era de dois toldos, sendo um cobrindo da proa até a popa e outro da proa até a metade do primeiro. Nessas embarcações carregava-se tudo; no convés vinha bode, boi, porco, cofos de galinha, que dividiam espaços com as redes e bagagens dos passageiros imprensados entre a sacaria coberta pelos “encerados” e o segundo toldo.

Quem viajava neste ambiente ficava sujeito ao frio, chuva e “golfadas” da maresia. No porão e convés vinham as sacarias de arroz e babaçu. O calado dessas lanchas variava entre 4 a 6 palmos o que determinava a capacidade de carga (sendo 90% de arroz e babaçu em saco de estopa de 60 quilos), ou seja, a quantidade variava entre 900 a 2.200Kg. Os motores navais dessas lanchas eram de marcas Caterpiller, Bolinder, Mwm, etc. Nessas lanchas a tripulação era composta por 1 comandante, 1 imediato, 3 a 4 marinheiros, 2 motoristas, 4 a 5 moços de convés, 1 cozinheiro e 1 taifeiro.

Uma lancha funcionava como uma empresa, cada tripulante de acordo com a sua categoria tinha função bem específica dentro e fora dela. Um moço de convés fazia as funções do que chamamos hoje nas organizações de “auxiliar de serviços gerais”. Eram responsáveis pela limpeza da embarcação, do atracamento ao desatracamento, pelo bombeamento da água dos porões, arrumação de bagagens e acomodação dos passageiros.

Estes profissionais tinham tarefas inusitadas, em determinadas situações corriam risco de vida. Lembro-me de um caso que ocorreu em uma determinada lancha, numa daquelas noites “de breu”, com chuva torrencial e tempestade, no Canto do Lago, lugar usado como fundeadouro para esperar a maré e poder passar pela tenebrosa Malhadinha sem perigo de encalhar. As croas da Malhadinha são do tipo “areia movediça”. A maré de lua nova vazava e a correnteza era muito forte. O Canto do Lago era um lugar inóspito.

O rio era altamente caudaloso, barrento e ameaçador. Suas margens eram de barreiras altas e lamacentas cheias de galhos e troncos de mangueiros derrubados e arrancados violentamente pela ventania e pororoca. Mesmo assim, em cima das barreiras, ainda, resiste uma floresta esparsa; apesar dos lenhadores que naquela época, diariamente, derrubavam à base do machado os troncos mais frondosos e enchiam seus igarités ou barcos a vela ou motorizados para venderem à ULEM e aos depósitos de materiais de construção. Atrás desses mangueiros estendem-se imensos campos selvagens de capim-açu repletos de serpentes tipo: rabo seco e cascavel.

Em uma determinada madrugada, a escuridão era total, chuva torrencial, a ventania terrível jogava os vagalhões das águas barrentas do rio sobre a proa e convés balançando ameaçadoramente a lancha. Parecia um pesadelo. Não tinha quem ficasse dormindo numa hora dessa. Apesar do ronco do motor e da trovoada ouvia-se os estrondos assustadores dos trovões e os relâmpagos rasgando o céu de cima a baixo. Era imperioso fundear. Durante três ou quatro horas a lancha permaneceria ali até a maré passar e aumentar o volume de água no canal e seguir em direção à “Cidade”. As condições de manobra com todos esses fatores exigia muita perícia do marinheiro e do comandante. O mais grave, ainda, era o “peso d’água” muito forte.

Uma embarcação no meio de uma turbulência dessa, por mais segura e bem construída que fosse, virava uma frágil canoinha. Até mesmo fundeada, senão fora bem amarrada poderia ser arrastada pela correnteza com consequências imprevisíveis. Então, era necessário além do ferro (âncora) amarrar um cabo num mangueiro frondoso em cima da barreira com quase 6 metros de altura, lamacenta e escorregadia.

Nessa ocasião, o moço de convés de plantão era um sujeito forte, truculento, aguardava a lancha aproximar-se o máximo da barreira para pular com o cabo amarrado pela cintura enquanto que outro ficaria no convés para solecar o cabo até este conseguir dar o laço no mangueiro. Este tipo de tarefa exigia do operador algumas técnicas. Estes cabos, ainda, eram de manilha que além de grossos eram bastante pesados e principalmente molhados. Com todos estes ruído, não adiantava gritos ou quaisquer tipo de comunicação com o sujeito, a partir do momento que se atirava de convés abaixo para subir a barreira. Tudo isto, dependia, como guia, de um fraco facho de luz emitida por uma lanterna a pilha.

Pois bem, esse procedimento tinha que ser em frações de segundos, no escuro e com um “pragueiro” medonho. Eram aproximadamente duas horas da manhã. Por volta das sete, o Comandante manda levantar ferro e desamarrar a embarcação. O moço que subiu a barreira pra desamarrar, dá um grito de lá e exibe pra todos verem uma casável de mais de 2 metros morta e amassada ao meio. Com certeza, no escuro e rápido como relâmpago, o moço que amarrou de madrugada, laçou a serpente com mangueiro e tudo. Esse caso ficou famoso na região.

O Rio Pindaré possui múltiplos canais ao longo do seu leito de Cachoeira para baixo. Este tipo de rio, além de sofrer a influência das enchentes, da pororoca, erosão, assoreamento, em determinadas épocas do ano e de acordo com a variação lunar tem seu leito constantemente alterado.

O conhecer essa dinâmica e saber quando e para onde o canal foi deslocado era o principal item do curriculum de um Comandante.

Os Comandantes eram respeitados e tinham autoridade por onde passavam. Dentro da lancha sua autoridade não podia ser questionada. Sentava-se dentro da cabine de comando ao lado marinheiro e às vezes ouviam ou falavam com um ou outro passageiro.

O comandante era assim o único ser dentro daquela embarcação responsável por todas as vidas que ali estavam, por toda a mercadoria transportada e do patrimônio do patrão. Como disse antes, essas lanchas tinham calados medidos em palmos. De modo que variavam entre 4 a 6 palmos. Isto fazia uma tremenda diferença entre elas. Estas medidas definiam a capacidade de carga e tempo do percurso entre São Luís e outras cidades. Por exemplo: a lancha YARA carregava 900 em sacos de 60 kg de arroz, a NAZARÉ DE BELÉM 2.200 sacos. Entretanto, a NAZARÉ fazia 2 viagens, ida e volta entre os CANIVETES e SÃO LUÍS. Em 15 dias só para carregar e descarregar eram necessário 6 dias. A YARA levava 2 dias. Então, enquanto Yara fazia 10 viagens por mês, a NAZARÉ fazia 3 ou 4 viagens.