Poema para a Baixada Maranhense

Poema para a Baixada Maranhense

Autor Hilton Mendonça*

Deslumbra-se a Baixada maranhense

Em vasta paisagem de sol e de chuva

E nela escreve a sua singular epopeia.

 

Sob um dezembro ofegante

Ou debaixo de um abril lacrimoso,

A Região ecológica enamora golfo,

Serpenteia lagos,

Abraça rios,

Revigora campos

E luta pela vida.

 

Útero de tanta gente

– geradora de santos e santa –

A Baixada é mãe de Helena,

De Bento.

De João Batista

E de Vicente Ferrer.

 

Como todas as mães seculares,

Perfilhou gentes até o corpo fatigar,

E dezenas de filhos

Ainda lhe escaparam do ventre:

Nasceram as belas Viana, Vitória, Olinda e Palmeirândia,

Que se irmanaram às formosas Conceição,

Anajatuba, Matinha e Penalva,

Todas de excelsa Bela Vista.

 

E como a descendência baixadeira

Não se podia compor só de princesas,

Eis que das suas entranhas regionais

Irromperam rebentos varonis,

Crismados de Pinheiro, Peri-Mirirn, Monção e Cajari,

Este último de perfeita rima com o ribeirinho Arari.

 

E para não rimar com mais irmãos

E serem a singularidade do todo,

Vieram Igarapé do Meio e Pedro do Rosário,

Para, à mesa, sentarem-se com Presidente Sarney

Uma bacia hidrográfica.

-farta de Mearim, Pindaré, Turiaçu e Pericumã – Plantada

bem no seio dessa Planície olímpica,

Faz a vida seguir bagrinhos, mandis e jacanãs.

Siamesa, outra bacia, lacustre,

-servida de Itans, Formoso, Viana e Aquiri –,

lacrimeja curimatás, jandiás e socós,

Além de japeçocas, surubins e acaris.

 

E para pescar esse peixe abundante,

Há o choque, o caniço e o landruá,

A se juntarem à tarrafa, ao espinhel e ao puçá.

 

No quintal baixadeiro,

Um cardápio de galinhas e patos avizinha-se

De suínos, bovinos e caprinos,

Espalhados pelos vastos campos,

Dos litigiosos búfalos africanos.

 

Na bela Planície inundada,

Sobre aguapés, juncos, mururus e gameleiras

Inda paira a memória da luz azul da curacanga,

Que assusta até o boi marrequeiro…

 

Se o verão é o pote de barro

-que se esvazia e se racha –,

O inverno é o copo cheio,

Derramado nesse Jardim flutuante,

Que seca e que enche e que pulsa Na mente e no corpo da gente…

E viva a Baixada!

*Hilton Mendonça é natural de Arari (MA). Graduado em Direito pela UFMA. Advogado, poeta e escritor. É autor das seguintes obras: “Julgados do Tribunal Trabalhista do Maranhão”, “Julgados das Turmas Recursais do Maranhão”, “Justiça Gratuita” e “Uma Ação Rescisória de Matar: TJ e STJ”.