Zé Lascó e as lapadas de “Sarney”

Em 20 de março de 2020 19:02

Autor: Luiz Antônio Morais*

Era um dia típico na Cidade dos Lagos. Depois da escola, muitas brincadeiras de época entre os garotos, ou seja, brincar com carrinhos de lata, chuço, bolinhas de gude, pião (feito artesanalmente com coco babaçu) ou, ainda, caçar passarinhos, empinar papagaios, jogar futebol na Praça da Matriz e tomar banho no lago de Viana.

Mas era preciso retornar ao lar, principalmente na hora do rango, caso contrário, dependendo do atraso, poderia ganhar uma boa surra de cipó ou de galho de goiabeira, tomar banho e, somente depois, fazer a refeição.

No entanto, se, para uma minoria dos vianenses, a hora do almoço era uma festa abastada, à base de carnes nobres ou outras iguarias, para muitos meninos pobres restava se contentar com pequenas porções de peixe do lago, arroz socado no pilão e muita farinha d´água para engrossar o pirão de cada dia. Carne de boi, geralmente só aos domingos. E era carne de segunda ou de terceira.

Por isso, em vez de uma deliciosa sobremesa, restava aos garotos suprir a iminente fome da tarde, entrando em alguns quintais que mais se pareciam com pomares, bastante comuns nas casas do interior dessa época.

A minha galera apreciava pular a cerca de arame farpado da acolhedora residência do padre Eider Furtado e da sua irmã, a professora Edith Nair. Lá existia uma grande variedade de manga, goiaba, pitanga, mamão, jaca, coco, carambola e outras fruteiras que abasteciam e saciavam a fome de quem tivesse a habilidade de invadir a propriedade sem despertar o olhar desconfiado do religioso, sempre de plantão com enorme relho de couro cru para botar a turma para correr.

Outro quintal bastante frequentado na época era o da Igreja da Matriz, repleto de pés de mangas-rosas, goiabeiras e mamoeiros. Mas era ali que morava o perigo: um temido sacristão – pessoa responsável pela guarda e pela limpeza da igreja –, que usava o epíteto de “Sarney”. Enquanto escrevia esta crônica, tentei, em vão, descobrir o nome de batismo do cidadão e, é claro, o porquê desse apelido, porém só consegui saber que ele era natural de Monção, também na Baixada Maranhense.

Dentre suas atribuições, estava a de comandar o pro-rama vespertino “A hora da Ave Maria”, transmitido por dois potentes autofalantes instalados nas laterais da torre da Igreja da Matriz. Pontualmente às 18 horas, semanalmente, exceto sábados e domingos, “Sarney” ligava uma vitrola bem antiga que tocava aqueles inesquecíveis sucessos do Padre Zezinho, entre outros hinos religiosos. O meu canto preferido era “Cálix Bento”, de Milton Nascimento, que o sacristão gentilmente oferecia a este garoto cheio de sonhos, cuja introdução era: “Oh, Deus salve o oratório. Oh, Deus salve o oratório. Onde Deus fez a morada, oiá, meu Deus, Onde Deus fez a morada, oiá”…

E foi numa dessas incursões de “roubar” frutas em quintal alheio que o nosso amigo Zé Lascó se deu mal mais uma vez.

Estávamos nos empanturrando com nossa merenda natural, quando, de repente, “Sarney” irrompe o quintal, saindo do interior da igreja, falando impropérios e ameaças de todo tipo. A princípio, dada à função do religioso, tudo parecia um blefe, mas ninguém esperou para saber; menos Zé Lascó que, ao tentar atravessar as duas linhas de arame farpado da cerca, ficou preso entre elas com o traseiro na mira de “Sarney”.

O sacristão olhou de um lado para outro, avistou um pequeno pedaço de tábua, pegou e desferiu umas dez lapadas nas nádegas do desesperado garoto, que gritava de dor, arrancando gargalhadas de todos.

Quando finalmente conseguiu se desvencilhar da surra, com o calção todo rasgado, Lascó revelou aos amigos que fizera uma improvável confissão ao sacristão:

– Nunca mais iria roubar frutas no quintal da igreja da Matriz!

Crônica publicada no Livro Ecos da Baixada, Edições FDBM, nas páginas 200/202.

*Luiz Antônio Morais é graduado em Comunicação Social, especialização em Jornalismo, pela Faculdade Estácio de Sá. Mentor e redator do blog “Vianensidades”, veículo de mídia que divulga principalmente notícias referentes à Cidade dos Lagos, Luiz Antônio Morais é pós-graduado em Design Gráfico pela UFMA, Coautor do Livro Ecos da Baixada.

O dia da multiplicação dos livros

Em 14 de março de 2020 13:03

Por Ana Creusa

Cada expedição do Fórum da Baixada é uma missão cercada de mistérios. Primeiro, é a dúvida quanto ao comparecimento dos que coloram o nome na lista, pois os encontros acontecem, quase sempre, na madrugada.

Essa dúvida atormenta os organizadores porque geralmente recebemos o transporte em cessão, o qual solicitamos na medida das inscrições.

Lembro-me que em uma das expedições solicitamos um ônibus para 30 pessoas, mas somente 17 guerreiros tiveram coragem de estar na Praça Maria Aragão às 04 horas da manhã. Resultado: o Fórum teria que ressarcir a diferença! Perdeu quem não foi, tivemos uma expedição memorável.

De outra feita, fomos ao Quilombo de Frechal, para participar de um evento promovido pelo Sebrae. O ônibus que iria nos aguardar no Porto do Cujupe, foi parar em Alcântara e nós, com a força de expedicionários, pagamos o transporte regular e fomos ao local. O Superintendente do Sebrae, o forense João Martins, não conseguiu almoçar até que chegamos ao local já eram mais de 13 horas.

Essa expedição foi considerada a melhor de todas, até agora, tivemos o privilégio de dormir na Casa Grande do quilombo do Frechal e participar de rodada de conversa com as pessoas do lugar, em uma noite de luar.

Porém, nada se compara em emoção à expedição a São João Batista ocorrida em 02 de dezembro de 2017 que se propunha relançar o Livro Ecos da Baixada naquele município. O primeiro lançamento ocorreu dia 14/11/2017 em São Luís. Não combinamos quem levaria os exemplares do livro para serem vendidos. Chegando lá, ficamos sabendo que tínhamos apenas 11 (onze) livros para serem comercializados para uma plateia de mais de cinquenta pessoas.

O desespero se abateu sobre o chefe do cerimonial, que me perguntava a todo o momento: – o que faremos? Deu-me um sono momentâneo, resultado da noite não dormida e do peso do comunicado iminente:  não haveria livros para vender. Minha irmã Ana Cléres que foi de Peri-Mirim para o evento, me despertou do cochilo em plena mesa de cerimônia.

Novamente o colega me abordou: – o que faremos? De repente, sem pensar em nada, disse a ele: – vamos sortear os 11 livros! Ele virou e disse: “boa ideia’. E assim procedemos. Outro colega, auxiliado por outros começaram a distribuir um pedacinho de papel para colocar o nome dos presentes e depois proceder ao sorteio.

Os onze livros encheram o salão e ninguém falou em comprar livros. Os colegas não falaram mais no assunto, até hoje. Nós forenses envolvidos nesse episódio criamos laços de amizade ainda mais fortes, pela parceria na resolução de um problema, que se avizinhava intransponível. Por tudo isso, eu trato esse episódio como “o dia da multiplicação dos livros”.

Como os livros estavam em meu poder para venda, fiz o depósito do valor corresponde aos 11 livros sorteados na conta da instituição.

Depois desse episódio, fizemos outras expedições a Matinha, Viana, São João Batista novamente, Bequimão (Expocapril e Paricatiua) e tudo voltou à quase normalidade, pois a agonia dos encontros na madrugada, permanece.

Que venham mais expedições do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, pois temos que conhecer para amar essa bela região.

Maria da Graça Moreira Leite

Em 14 de março de 2020 9:51

Maria da Graça Moreira Leite é natural de Pinheiro (MA), pedagoga, escritora e membro da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC). Produziu diversas obras sobre a história do município de Pinheiro.

Algumas obras: Bem-te-vi, bem te conto: crônicas pinheirenses; O poço do mercado; 

Canta, Fogo-Pagou!

Em 14 de março de 2020 9:44

Por Graça Leite

Ouço uma rolinha fogo-pagou clamando pela presença do macho da sua espécie, dedilhando pedrinhas no fundo do meu quintal.

É uma manhã de julho ensolarada, dessas que no final do inverno nos traziam uma aragem fresca, abrindo espaço para que o brilho da folhagem resplandeça o verde no intervalo das chuvinhas rápidas que caem.

A manhã é bela e a rolinha fogo-pagou sente a presença da vida que o inverno guardou nas águas dos campos da Baixada Maranhense para entregar ao verão que chega.

Os bem-te-vis também festejam a caliente manhã afinando o canto, saudando a mudança de estação que é recebida por pipiras, chico-pretos, levarribas, curiós e demais pássaros da fauna da Baixada Maranhense. Até o canto de um galo distante integra o coral da vida.

Pena que uma sinfonia dessa natureza seja quase imperceptível aos habitantes da cidade, envolvidos que estão por afazeres que lhes garantam a sobrevivência ou a ganância. Também os estridentes sons dos carros eletrônicos que circulam dia e noite pela cidade anunciando, vendendo, cobrando,  e até xingando, como acontece nas campanhas eleitorais, não nos permitem sequer atender ao telefone ou dialogar com alguém, tal o barulho excessivo que contamina o ar.

A cidade de Pinheiro é sem sombra de dúvidas detentora da maior poluição sonora da nossa região.

A região da Baixada Maranhense, constituída por campos baixos, inundáveis na estação invernosa, facilitou o seu isolamento, por muitas décadas, distanciando-a do progresso. Soma-se à sua situação geográfica, o descaso das autoridades para com ela.

Devido a essas circunstâncias e à vontade da população, a maioria das cidades baixadeiras ainda guarda consigo hábitos e costumes dos velhos tempos, zelando pela sua tradição de origem, mas em Pinheiro a lição progressista foi decorada, mas não foi compreendida.

É certo que o mundo mudou, evoluiu muito em todos os aspectos (social, econômico, político e cultural). A televi- são e o celular estão por toda parte, mas existem relíquias que devem ser preservadas para garantirem a identidade dos povos, porém em Pinheiro não há essa preocupação, nem dos gestores nem da própria população.

Aqui tudo é mecânico: os sinos das igrejas não tocam mais, as pipas e os estilingues dos meninos, as bonecas das meninas foram substituídas por joguinhos eletrônicos nos celulares e até o nosso tradicional “tambor de crioula”, considerado “Patrimônio Cultural Nacional”, é rechaçado por vereadores na Câmara Municipal. Santa ignorância!!! Os supermercados estão cheios de produtos industrializados. As feiras vendem verduras e frutas importadas e não apre- sentam as mínimas condições de higiene; temos faculdade (até de Medicina), mas o nosso ensino básico é de péssima qualidade; a nossa saúde é precária e a água que consumimos não é confiável; o esgoto doméstico corre pelas sarjetas contaminando os campos. Os lixões a céu aberto também contaminam o nosso lençol freático e atraem urubus que passeiam tranquilamente pelas ruas da cidade.

Tudo isso acontece em uma cidade “moderna” considerada polo regional que tem receptores de internet instalados na principal praça, no Centro da cidade.

Com tanto “modernismo”, alguém vai reparar quando os ipês estão floridos ou quando uma rolinha fogo-pagou canta em nossos quintais?

Até os grandes quintais estão desaparecendo tragados pela especulação imobiliária e mesmo nossos campos estão sendo aterrados por esse motivo. Os aterros estão empurrando os nossos campos para longe de nós.

É assim que a cidade de Pinheiro, polo da região da Baixada, vai perdendo a sua identidade baixadeira.

Canta, fogo-pagou!

Canta enquanto te é permitido cantar.

Crônica publicada no Livro Ecos da Baixada, Edições FDBM, nas páginas 60/62.

O escritor Francisco Viegas lançará seu 3º livro no dia 30 de março em Peri-Mirim

Em 14 de março de 2020 9:02

A história do município ao alcance de todos. No próximo dia 30 de março de 2020, às 19 horas, na escola Carneiro de Freitas, em Peri-Mirim, será lançado o livro: Peri-Mirim, 100 Anos de Emancipação, do escritor Francisco Viegas Paz. O livro se refere aos principais acontecimentos ocorridos em Macapá e depois Peri-Mirim, entre os anos de 1919 e 2019.

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) convida os correligionários e amigos a comparecerem a esse importante evento, de grande importância para o município e sua gen

Fonte: O Resgate 

ALCAP: Quem somos

Em 14 de março de 2020 8:02

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) “Casa de Naisa Amorim” é uma instituição sem fins lucrativos, idealizada pelo Projeto Academias na Baixada do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), arquitetada pelo professor mestre em história, Manoel Barros, tendo como principal finalidade, criar Academias Populares no território da Baixada Maranhense, voltadas à cultura e a historiografias dos municípios. A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense, Casa de Naisa Amorim, foi criada no dia 20 de maio de 2018, após serem realizadas três reuniões mensais. A homenageada como patrona da ALCAP foi a professora Naisa Amorim por seus relevantes trabalhos prestados a nossa comunidade perimiriense em vários seguimentos, inclusive na área educacional, na qual sempre se empenhou com força e determinação apesar dos inúmeros desafios daquela época de muita pobreza.

A ALCAP possui atualmente 28 membros, é composta por escritores, profissionais atuantes e aposentados da educação, ex-políticos, compositores de toadas de bumba-meu-boi, cantores, acadêmicos formados em várias áreas do nível superior e amantes da cultura, preocupados com o futuro da querida Peri-Mirim, se juntaram em prol da cidade.

 

  • 1ª DIRETORIA (2018-2020), VOTADA O DIA DA FUNDAÇÃO DA ALCAP É COMPOSTA POR:
  • Presidente: Eni do Rosário Pereira Amorim
  • Vice-presidente: Jessythannya Carvalho Santos
  • Primeiro-secretário: Diêgo Nunes Boaes
  • Segundo-secretário: Ana Creusa Martins dos Santos
  • Primeiro-tesoureiro: Edna Jara Abreu Santos
  • Segundo-tesoureiro: Elinalva de Jesus Campos

 

Membros do Conselho Fiscal

  • 1º- Ataniêta Márcia Nunes Martins
  • 2º- Francisco Viegas Paz
  • 3º- José Ribamar Martins Bordalo

 

  • ATIVIDADES ALCAP 2018
  1. Realização de rifa em prol do lançamento do livro Curiosidades Históricas de Peri Mirim do escritor e acadêmico Francisco Viegas Paz;
  2. Participação do Primeiro Casamento Comunitário de Peri- Mirim com a exposição de produtos da terra Resgate cultural e relançamento do livro Curiosidades Históricas de Peri Mirim;
  3. Participação no evento de posse da Academia Militar do Maranhão em São Luís;
  4. Presença da ALCAP no lançamento do livro Curiosidades Históricas de Peri-Mirim do acadêmico Francisco Viegas Paz no auditório da Amei em São Luís do Maranhão;
  5. Presença da ALCAP em Matinha para o ciclo de palestras promovido pelo Fórum da Baixada Maranhense;
  6. Rifa e venda de lanches para angariar fundos para a posse da academia;
  7. Posse dos acadêmicos

 

  • ATIVIDADES ACADEMIA-2019
  1. Inauguração de casa de farinha comunidade Vila Nova em Bequimão
  2. Plantação de Paricás em Paricatiua- Bequimão
  3. Prêmio Artístico e Literário- Naisa Amorim
  4. I Sarau Cultural Fábrica de Inspirações

 

O Brasão da ALCAP foi idealizado pela acadêmica é de Edna Jara Abreu Santos na faixa abaixo do escudo está gravado o lema da academia Vanguarda do Conhecimento, idealizado pelo acadêmico Francisco Viegas Paz,  a Bandeira da Academia foi idealizada pelo acadêmico Diego Nunes Boaes e a Logomarca da Academia foi idealizada por Jessythannya Carvalho Santos  e a Logomarca da Diretoria idealizada pelo acadêmico Francisco Viegas Paz.