De Roça e Capoeira

De Roça e Capoeira

Autor Expedito Moraes *

Era outubro de 2013, verão brabo, era a terceira vez que eu visitava várias enseadas de campo da Baixada. Passei por Gameleira em direção a Regalo e Luizinho, povoados de CAJARI do lado esquerdo do Rio Pindaré.

O engenheiro e o fotógrafo que me acompanhavam tinham estado lá no mês de março quando o campo estava cheio d’água e, sobre os balcedos e tripas de vaca, havia muitas garças, socós e jaçanãs; pelo pasto verdinho o gado gordo; dentro das lagoas os búfalos só com as cabeças de fora ruminando; à beira do campo, os cabocos carregando cofos de peixes enfiados no mará ou remo sobre os ombros. Jovens e senhoras com suas tarrafas, caniços, socós e puçás já tinham àquela hora garantido a boia.

Em quase todo quintal havia uma rocinha de milho, mandioca, um feijãozinho; pés de maxixe, de melancia esparramados pelo chão; no terreiro e debaixo do jirau, galinhas e catraios mariscavam; alguns cabritos espalhados pelas moitas, os porcos fuçando tudo e os patos passeando pelas águas. Este era o cenário do mês de março para abril, o fotógrafo tinha se apaixonado pelo lugar, tirou centenas de fotos era uma pequena mostra de um paraíso ecológico.

Chegávamos agora em outubro, 6 meses depois. Pedi para o motorista parar no mesmo lugar que tínhamos parado em março. Todos desceram, ou melhor, apiaram. Disse: este é o mesmo lugar que vocês se apaixonaram. Espanto!!! O fotógrafo, depois de olhar prá todo lado, vira-se pra mim e diz: – daquilo tudo que tinha aqui só restou esse casebre?

É assim. Somente pode contar essas histórias quem é Baixadeiro. Naquele dia sai dali com a alma aturdida e um profundo sentimento de impotência. Antes de dormir naquele noite pedi a Deus que me permitisse conhecer outras pessoas dispostas a lutar pela redenção da Baixada, e pela vida desses conterrâneos.

Deus sempre nos ouve quando a causa é nobre. Na semana seguinte houve uma reunião na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar-SEDES onde o assunto eram as Barragens de Enseadas. Nessa reunião conheci Flavio Braga, que logo depois criou o Fórum da Baixada, mas já não estava sozinho. De lá pra cá cresceu, virou Sociedade de Defesa da Baixada Maranhense, já é gente grande.
E como gosta de dizer a Forense Ana Creusa, Avante Baixada.

* Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021) e presidente em exercício.

Promotores de Justiça promoverão Audiência Extrajudial sobre as condições dos serviços prestados pelo Ferry-boat

Promotores de Justiça promoverão Audiência Extrajudial sobre as condições dos serviços prestados pelo Ferry-boat

A Coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Consumidor do Ministério Público do Estado do Maranhão, Lítia Cavalcanti, INFORMA que foi designada para segunda-feira (21/09) às 9 horas da manhã, na sede das promotorias, uma AUDIÊNCIA EXTRAJUDICIAL com as operadoras de Ferry Boat e a Agência Estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (MOB).

A audiência será transmitida pelo Google Meet (https://meet.google.com/svb-htyi-xrx) e tem por finalidade discutir, mais uma vez, os serviços prestados pelas operadoras de Ferry-Boat, bem como o tratamento com os usuários/consumidores, e o descompasso com Termo de Ajuste de Conduta (TAC) já firmado e a legislação vigente.

Essa articulação está sendo promovida pelo Centro de Apoio Operacional do Consumidor (CAOPCONSUMIDOR) e a Coordenadora Regional de Pinheiro, Promotora Linda Luz. Pela relevância do tema, a presença dos promotores das comarcas da região da Baixada Maranhense é fundamental.

Considerando-se que o público alvo da audiência é a MOB, Internacional Marítima, Serviporto, Promotores do Consumidor e sociedade em geral, é fundamental que os baixadeiros e usuários dos ferry-boats em geral assistam à audiência acessando a audiência, sintonizando no endereço: https://meet.google.com/svb-htyi-xrx

Com participação do Magnífico Reitor, o Grupo de Trabalho UFMA/FDBM retoma agenda de trabalho

Com participação do Magnífico Reitor, o Grupo de Trabalho UFMA/FDBM retoma agenda de trabalho

No início da noite desta quarta-feira (16/09), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) deram prosseguimento à Agenda de Trabalho iniciadas em novembro de 2019 e interrompida em fevereiro de 2020, de acordo com as normas sanitárias estabelecidas para controle da pandemia da Covid-19. A reunião se deu por meio da plataforma virtual Google Meets.

Os representantes da Universidade foram Josefa Melo e Sousa Bentivi Andrade, Saulo Ribeiro dos Santos, Li Chang Shuen Cristina Silva, Marcos Fábio Belo Matos e o magnífico reitor Natalino Salgado Filho e do Fórum Expedido Nunes Moraes, Antônio Lobato Valente e Ana Creusa Martins dos Santos; definiram posições, premissas e ações que irão consolidar, de modo concreto, esta parceria. Nesta reunião três assuntos foram intensamente debatidos e dado encaminhamentos:

  1. tratativas para elaboração do Termo de Cooperação Técnica entre a UFMA e o FDBM;
  2. criação do Polo de Empreendedorismo Rural da Baixada;
  3. construção de um Plano de Desenvolvimento da Baixada e Reentrâncias Maranhenses e
  4. definição e convocação de parceiros.

Para elaborar e aprovar o Plano de Desenvolvimento da Baixada e Reentrâncias Maranhenses e instalar o Polo de Empreendedorismo Rural da Baixada a ideia é criar um ambiente que envolva todos os seguimentos existentes no Território destas regiões. Para isto, deverão ser organizados vários eventos nos municípios culminando com um grande FORUM. 

Esses eventos contarão com a participação de todos os órgãos que formarão o Grupo de Trabalho. Pensa-se na realização de um Seminário sobre Turismo e Alimentação. E neste será estudada a implantação do Curso de Engenharia de Pesca no Polo da UFMA de Pinheiro.

Outros assuntos correlatos foram debatidos, como:

  • ampliação das parcerias com os governos Federal, Estadual e Municipais e com os diversos órgãos e entidades públicas e privadas;
  • eventos culturais e promoção da gastronomia baixadeira e costeira; 
  • os estaleiros artesanais de Cururupu;
  •  existência de inventário cultural de Cururupu e
  •  fazer parceria com o Consórcio dos Guarás.

Com participação do Magnífico Reitor, UFMA e Fórum da Baixada debatem projetos para a Baixada Maranhense

Com participação do Magnífico Reitor, UFMA e Fórum da Baixada debatem projetos para a Baixada Maranhense

No início da noite de ontem, quarta-feira (16/09), a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e o Fórum em Defesa da Baixada Maranhense reuniram-se por meio da plataforma virtual Google Meets. Representando a Universidade, participaram Josefa Melo e Sousa Bentivi Andrade, Saulo Ribeiro dos Santos, Li Chang Shuen Cristina Silva, Marcos Fábio Belo Matos e o magnífico reitor Natalino Salgado Filho. O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) foi representado por Expedido Nunes Moraes, Antônio Lobato Valente e Ana Creusa Martins dos Santos.

No dia 13 de fevereiro houve uma reunião presencial do Grupo de Trabalho UFMA-FDBM na sala da Pró-reitoria de Extensão e Pesquisa, Zefinha Bentivi, após os debates, foram definidas as prioridades de demandas e alinhamento das premissas para a construção de um plano de desenvolvimento viável para Baixada e Reentrâncias Maranhenses, com a finalidade de elaboração de um Termo de Cooperação Técnica entre a UFMA e o FDBM que contemple três eixos: ambiental, social e econômico (empreendedorismo). A partir daí houve algumas tratativas por telefone e grupo de WhatsApp.

A Pró-reitora Zefinha Bentivi apresentou os participantes pela UFMA e Expedito Moraes apresentou os representantes do FDBM.

A reunião de hoje teve como Pauta: 

a) tratativas para elaboração do Termo de Cooperação Técnica entre a UFMA e o FDBM;

b) criação do polo de empreendedorismo rural da baixada;

c) construção de um plano de desenvolvimento viável para Baixada e Reentrâncias Maranhenses e

d) definição e convocação de parceiros.

O debate foi girou em torno de Plano de Desenvolvimento da Baixada e Reentrâncias Maranhenses e envolvimento de um grande movimento para execução do Plano de Desenvolvimento da Baixada. Esse evento deverá culminar com o Seminário sobre Turismo e Alimentação, instalação do Curso de Pesca, do Polo de empreendedorismo rural da Baixada.

O projeto do empreendedorismo cultural e turístico que também foi discutido na reunião, seria uma exposição ou feira na Baixada e Floresta dos Guaras, envolvendo o Curso da Engenharia de Pesca em Pinheiro.

O magnífico reitor e demais participantes comentaram sobre os estaleiros artesanais de Cururupu, bem como:

– A existência de um termo de Cooperação Técnica da UFMA com outra entidade que pode ser usado como modelo para o Fórum;

– Existência de estudo sobre turismo;

– Implantação de Curso de Pesca na UFMA de Pinheiro;

– Existência de inventário cultural de Cururupu;

– Consórcio dos Guarás como parceiro;

O Professor Saulo falou que tem minuta do Termo de Cooperação Técnica que apresentará para as devidas modificações e que irão buscar apoio do Professor Valter Nunes, que é especialista em empreendedorismo.

O Fórum e a UFMA deverão promover eventos para dar publicidade aos agentes públicos, privados e organismos sociais, culturais sobre a aprovação do Termo de Cooperação Técnica que será celebrado entre as duas entidades.

Academia Perimiriense debate a obra “O Mágico de OZ” com Carol Chiovatto

Academia Perimiriense debate a obra “O Mágico de OZ” com Carol Chiovatto

O Clube de Leitura “João Garcia Furtado da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) é um sucesso. Ontem, (12/09/2020) fizeram uma atividade importante para discutir a obra o Mágico de Oz, com participação da escritora e tradutora de livros da série Mágico de Oz, Carol Chiovatto.

O encontro virtual foi realizado por meio da plataforma Google Meet e foi coordenado pela acadêmica Jessythanya Carvalho Santos que explicou a metodologia do debate, apresentando todos os presentes na sala virtual, bem como fez um breve relato sobre o currículo da escritora, Carol Chiovatto, que é doutoranda (Inglês-USP), escritora, tradutora de obras sobre o Mundo Mágico de OZ, é a autora do livro Porém Bruxa.

Após a apresentação da escritora, a coordenadora do debate passou a palavra à professora Lourdes Campos que fez uma rica apresentação sobre vida e obra do autor do Mágico de OZ, Lyman Frank Baum.

Ato contínuo a convidada iniciou o debate, fazendo considerações interessantes sobre a obra. Em seguida, alunos, acadêmicos e professores discorreram sobre as suas impressões sobre a obra e realizaram perguntas à debatedora que dirimiu as dúvidas dos participantes sobre o papel dos personagens da obra, sobre os valores de capacidade de liderança, perseverança, amizade, coragem, humildade, individualidade, respeito, possibilitando reflexão sobre o contexto histórico e atual sobre a obra em análise.

A debatedora presenteou a ALCAP com algumas obras sobre o maravilhoso Mundo de OZ e a Academia a presenteou-a com as obras Dicionário do Baixadês e Curiosidades Históricas de Peri-Mirim dos acadêmicos Flávio Braga e Francisco Viegas, respectivamente. Houve o sorteio de dois livros entre os alunos inscritos no clube, os contemplados foram Thalys e Emile.

O debate superou as expetativas, possibilitando um novo olhar sobre a obra analisada. Após o encontro, a escritora postou em seu Twitter, o seguinte: “Acabei de falar sobre Oz com alguns alunos no ensino médio e da academia de letras de Peri Mirim (MA) Nada é mais legal, enquanto pesquisadora, do que poder falar da minha pesquisa com uma turma que leu o livro que o originou e está a fim de conversar”.

O Projeto Clube da Leitura da ALCAP está avançado para se tornar referência no estímulo aos jovens e adolescentes no maravilhoso munda da leitura. Quem ainda não leu a obra em apreço, acesse o link e delicie-se com a leitura do: O Mágico de Oz

Poema para a Baixada Maranhense

Poema para a Baixada Maranhense

Autor Hilton Mendonça*

Deslumbra-se a Baixada maranhense

Em vasta paisagem de sol e de chuva

E nela escreve a sua singular epopeia.

 

Sob um dezembro ofegante

Ou debaixo de um abril lacrimoso,

A Região ecológica enamora golfo,

Serpenteia lagos,

Abraça rios,

Revigora campos

E luta pela vida.

 

Útero de tanta gente

– geradora de santos e santa –

A Baixada é mãe de Helena,

De Bento.

De João Batista

E de Vicente Ferrer.

 

Como todas as mães seculares,

Perfilhou gentes até o corpo fatigar,

E dezenas de filhos

Ainda lhe escaparam do ventre:

Nasceram as belas Viana, Vitória, Olinda e Palmeirândia,

Que se irmanaram às formosas Conceição,

Anajatuba, Matinha e Penalva,

Todas de excelsa Bela Vista.

 

E como a descendência baixadeira

Não se podia compor só de princesas,

Eis que das suas entranhas regionais

Irromperam rebentos varonis,

Crismados de Pinheiro, Peri-Mirirn, Monção e Cajari,

Este último de perfeita rima com o ribeirinho Arari.

 

E para não rimar com mais irmãos

E serem a singularidade do todo,

Vieram Igarapé do Meio e Pedro do Rosário,

Para, à mesa, sentarem-se com Presidente Sarney

Uma bacia hidrográfica.

-farta de Mearim, Pindaré, Turiaçu e Pericumã – Plantada

bem no seio dessa Planície olímpica,

Faz a vida seguir bagrinhos, mandis e jacanãs.

Siamesa, outra bacia, lacustre,

-servida de Itans, Formoso, Viana e Aquiri –,

lacrimeja curimatás, jandiás e socós,

Além de japeçocas, surubins e acaris.

 

E para pescar esse peixe abundante,

Há o choque, o caniço e o landruá,

A se juntarem à tarrafa, ao espinhel e ao puçá.

 

No quintal baixadeiro,

Um cardápio de galinhas e patos avizinha-se

De suínos, bovinos e caprinos,

Espalhados pelos vastos campos,

Dos litigiosos búfalos africanos.

 

Na bela Planície inundada,

Sobre aguapés, juncos, mururus e gameleiras

Inda paira a memória da luz azul da curacanga,

Que assusta até o boi marrequeiro…

 

Se o verão é o pote de barro

-que se esvazia e se racha –,

O inverno é o copo cheio,

Derramado nesse Jardim flutuante,

Que seca e que enche e que pulsa Na mente e no corpo da gente…

E viva a Baixada!

*Hilton Mendonça é natural de Arari (MA). Graduado em Direito pela UFMA. Advogado, poeta e escritor. É autor das seguintes obras: “Julgados do Tribunal Trabalhista do Maranhão”, “Julgados das Turmas Recursais do Maranhão”, “Justiça Gratuita” e “Uma Ação Rescisória de Matar: TJ e STJ”.

A penúria da rica Baixada Maranhense

A penúria da rica Baixada Maranhense

Autor Expedito Moraes*

Todo dia Dona Antônia acorda cedo e procura alguma coisa pra fazer o “café” da família. Dona Tunica, como é conhecida, compra suas mercadorias no povoado mais próximo, na quitanda do Seu Teodoro, com o recurso que recebe do Bolsa Família. Além de o dinheiro ser muito pouco, Seu Teo pratica preços exorbitantes. Mas é o Nico quitandeiro da localidade. Bem surtido, é abastecido por caminhões dos Armazéns Peixoto e Martins e por outros fornecedores alienígenas. Nada, nada mesmo, é produzido neste estado de um potencial tão rico.

Há uma bancada dentro do comércio de Seu Teo, que ele chama de frutaria, onde expõe à venda laranjas, bananas, melancias, mangas, maçãs, tanjas, atas e outras frutas que vêm da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, São Paulo etc. Até o quiabo, maxixe, cheiro verde, vinagreira, joão-gomes etc. Seu Teo está bem sucedido, afinal ele é a ponta de um perverso e quase imperceptível sistema de transferência de renda dos estados não produtores para os produtores. Em São Luís, ocorre a mesma aberração: na Ceasa, 98% dos produtos vêm de fora do Maranhão.

As crianças, todas as manhãs, precisam percorrer a trilha que atravessa o campo, agora muito árido e cheio de torrões. Descalças, andam uma légua até a escola municipal. Chegam com o suor escorrendo pelo rosto, misturado com a poeira e exaustos de sede. No caminho não tem água em lugar nenhum. Apenas um pequeno açude, escavado pelo prefeito anterior, resiste até a seca virar tragédia. Entretanto, é o lugar em que os animais bebem e são lavados; onde as pessoas tomam banho, lavam roupa e recolhem água para consumo caseiro. Essas crianças desnutridas alimentam a esperança de saciar sua fome com a “merenda escolar”.

Com a aflição da pobreza, Dona Tunica se desespera: sem comida em casa, sem água para suprir suas necessidades, para molhar as plantas e o seu “canteiro”. Da peque- na roça, cultivada num pedacinho de terra que sobrou do lado de fora da cerca eletrificada do fazendeiro, o plantio morreu todo por causa da escassez de chuvas. O poção mais próximo, onde se pescava uns tamatazinhos e umas taririnhas, também já está seco. Seu Chico, marido de Tunica, não sabe mais o que fazer. Justamente ele que, no inverno, costuma pegar sua canoa e “empurrá-la à vara” até o meio do campo completamente cheio para, com um puçá ou uma tarrafa, apanhar o “cumê” da semana em poucos minutos.

Famílias como a de Chico e Tunica existem aos montes nos campos da Baixada. São famílias quase nômades, que na estação chuvosa mudam-se para o “teso”, conduzindo as suas criações domésticas, a fim de que não morram afogadas nas enchentes ou atoladas na lama, visto que o pasto fica submerso nas copiosas águas que recobrem os campos.

Chegando ao “teso”, constroem ranchos cobertos e ta- pados com pindoba; meaçabas são usadas como portas e janelas; o piso é um jirau de assoalho feito de rachas de palmeira ou marajá (para evitar água e umidade). Todas as serventias do casebre são improvisadas. Tempos depois o rancho será abandonado e vai virar “tapera” assim que começar o “abaixamento”. Logo a família estará em algum lugar perto de uma “baixa”.

Esta crônica parece uma obra de ficção, mas não é. É uma dura realidade. Somente os baixadeiros genuínos conhecem esse infortúnio anual.  Por  isso,  acreditamos  que  os planos, projetos e ações reivindicados pelo FÓRUM DA BAIXADA são capazes de reverter essa penúria e proporcionar melhoria de vida pra mais de meio milhão de pessoas.

Crônica publicada no Livro ECOS DA BAIXADA, páginas 53/55.

* Expedito Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021) e presidente em exercício.

COISAS DO MARANHÃO: Polo Ecoturístico Floresta dos Guarás

COISAS DO MARANHÃO: Polo Ecoturístico Floresta dos Guarás

Autor Expedito Moraes*

O Pólo Ecoturístico da Floresta dos Guarás que está localizado nas Reentrâncias Maranhenses e o Pólo Amazônia Atlântica no Pará constituem a maior floresta contínua de manguezais do mundo (8.900 km2, justamente na Costa Amazônica brasileira. O Pólo Ecoturístico Floresta dos Guarás compreende os municípios de Cedral, Guimarães, Mirinzal, Porto Rico do Maranhão, Serrano do Maranhão, Cururupu, Bacuri e Apicum Açu.

A exuberante Costa Amazônica maranhense, marcada por manguezais, estuários, ilhas, praias e baías, se estende da Baía de Tubarão até a divisa com o Pará, e compreende o Golfão Maranhense (onde está a Baía de Tubarão, Região do Munim, a Ilha de São Luís, Alcântara e a Baía de Cumã) e o litoral ocidental. São as intricadas Reentrâncias Maranhenses e o Pólo da Floresta dos Guarás, um litoral semi-selvagem e preservado, extremamente recortado por uma infinidade de ilhas, enseadas, baías, golfos, penínsulas e estuários que fazem parte da seleta lista das zonas úmidas de relevância planetária (RAMSAR). As Reentrâncias Maranhenses é um dos trechos costeiros mais originais e irregulares do país e do mundo.

A região possui altos e exuberantes manguezais que podem chegar a 40 metros de altura são onipresentes, são vitais para o equilíbrio ambiental de toda a zona costeira e servem de abrigo e habitat para inúmeras espécies da fauna aquática e terrestre; especialmente as aves, migratórias e residentes, dentre tantas se destaca o Guará (Eudocimus Ruber) – extinto na maior parte do país e típico do litoral amazônico. O guará chama a atenção pela sua belíssima plumagem vermelha e pela suas magníficas revoadas.

Outra figura marcante na região é o guará que apresenta uma coloração vermelha marcante, resultado do alimento à base de caranguejos (chama-maré ou sarará, e o maraquani). Os caranguejos têm ligação com a cor dos Guarás.

O vermelho das penas dos Guarás se deve a um pigmento chamado “cataxantina”, que é um derivado do caroteno. O caroteno é o responsável pela cor da cenoura e da casca dos caranguejos e camarões, mais evidente quando cozidos. Os guarás são capazes de absorver o pigmento de suas presas e acumulá-lo em suas penas, tornando-as vermelhas.

*Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do FDBM (gestão 2017-2019). 1.º Vice-Presidente (Gestão 2019-2021) e atual Presidente do FDBM em exercício.

Ecos da Baixada

Ecos da Baixada

Autor Flávio Braga*

As cadeias produtivas da Baixada  Maranhense ainda se sustentam na obsoleta economia de subsistência (produção para o consumo imediato) e as principais atividades econômicas restringem-se ao extrativismo vegetal (babaçu, juçara, buriti etc), pesca artesanal, pecuária extensiva e a pequena agricultura (lavoura rudimentar).  Inobstante  o abundante potencial hídrico, como recurso indutor do desenvolvimento socioeconômico da Baixada, o drama da escassez de água ainda é o principal flagelo das comunidades rurais, no segundo semestre de cada ano.

Nessa perspectiva, há uma circunstância particular que diferencia substancialmente a Baixada das outras regiões pobres do Maranhão: embora o seu povo seja bastante carente, as soluções para melhorar as suas condições de vida são baratas, simples e de fácil resolutividade. Só depende da vontade política dos nossos governantes. Quem conhece de perto a realidade social da Baixada tem a noção exata desse panorama ultrajante, cruel e desumano.

Na estação chuvosa, a Baixada se transforma em uma imponente planície alagada, que adorna o majestoso Pantanal Maranhense. Entrementes, em pleno século XXI, a Baixada ainda agoniza com a martírio da estiagem, desnudando um paradoxo sinistro, que violenta as regras da lógica e as leis da razão. A falta de água já se tornou uma calamidade pública anual, visto que submete as comunidades baixadeiras às mesmas privações e ao mesmo suplício em todos os “verões maranhenses”.

O que mais nos angustia é que esse quadro de penúria é uma tragédia previsível e anunciada, mas incapaz de sensibilizar as autoridades que têm o poder de minimizar tamanho sofrimento, as quais fazem ouvido mouco para o grito de socorro ecoado da voz rouca dos baixadeiros.

Provoca perplexidade lembrar que entre os meses de abril e agosto de cada ano a Baixada fica envolta num verdadeiro mar de água doce. Entretanto, na época do abaixa- mento (entre julho e setembro), essa exuberância de água escoa para o mar e os campos da Baixada se transformam numa paisagem árida, imprópria para qualquer atividade produtiva, como consequência direta da omissão, descaso e negligência do Poder Público.

Hodiernamente, além da estiagem que castiga a Baixa- da todos os anos, ela ainda padece com a progressiva invasão da água salgada (salinização), que produz grandes manchas brancas na superfície dos campos (acúmulo de sal), comprometendo o equilíbrio ecológico da região.

A singeleza do senso comum nos ensina que a retenção da água doce nos campos da Baixada representa a maior ri- queza para as atividades de pesca de subsistência, pecuária, piscicultura, agricultura familiar e criação de pequenos animais, como galinhas, patos, porcos, caprinos e ovinos.

Malgrado os seus encantos e belezas naturais (que a tornam potencialmente rica), a Baixada continua bastante desassistida pelas diversas esferas governamentais. O que o clamor baixadeiro mais reivindica do Poder Público é a construção de barragens, açudes e canais que promovam a conservação da água doce. O resto pode deixar por conta da pujança da natureza e da labuta do nosso caboclo. Tendo a água disponível, eles sabem se virar muito bem. A natureza é o berço de uma vegetação aquática (guarimã, aguapé, orelha de veado, mururu etc) riquíssima em nutrientes para alimentar peixes e outros animais. E o camponês entra com a valentia da sua força de trabalho arrojada e obstinada.

Nesse contexto, a construção dos Diques da Baixada se tornou uma necessidade imperiosa para solucionar o tormento infligido pela seca e pela salinização. Os diques serão responsáveis por impedir o avanço da água salgada (salinização) rumo aos campos inundáveis da Baixada e armazenar, por maior período de tempo, a água doce que transborda dos lagos, inunda os campos naturais e se perde para o mar, sem alterar, no entanto, as cotas máximas naturais de inundação. Essa retenção aumentará a disponibilidade hídrica na Baixada, sobretudo no período crítico de outubro a dezembro.

Avante, nação baixadeira!!

Artigo publicado no Livro ECOS DA BAIXADA, páginas 83/85.

*Flávio Braga é natural de Peri-Mirim (MA). Graduado em Direito pela Servidor do TRE/MA. É presidente de honra do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense, professor, escritor, articulista e blogueiro. É autor da obra “Dicionário do Baixadês”.

Cooperativismo: Fórum da Baixada e Associação de Piscicultura de Itans debatem o assunto

Cooperativismo: Fórum da Baixada e Associação de Piscicultura de Itans debatem o assunto

Durante almoço,nesta quinta-feira (20/08), o Presidente do Fórum em Defesa da Baixada, Expedito Moraes, acompanhado dos forenses Antônio Valente, Alberto Muniz e Ana Creusa trataram de parceria na busca de possibilitar que vários municípios da Baixada possam aprender as técnicas de cooperativismo na criação de peixes e outros arranjos produtivos, que poderiam utilizar-se da expertise da Associação dos Produtores de Pescados de Itans, comunidade localizada em Matinhas (MA), que é uma das responsáveis por transformar o povoado em um polo de piscicultura no Estado.

O Presidente da Associação Carlos Pinheiro Gomes, o Cibaleno, que estava acompanhado de Júlio Pinheiro, Vice-Prefeito de São Luís, que é filho de Itans e participou de todas as atividades de pescaria tradicional no Povoado. Cibaleno encantou os forenses com várias histórias que alicerçaram o trabalho dos associados, baseada especialmente no conhecimento, no domínio das técnicos de implantação, manejo, e atividades de comercialização com resultados para todos. Disse que não tem condições de atender à demanda. Que pretende incrementar a atividade de exportação, mas não tem produto suficiente, o que justifica o seu interesse em difundir a técnica de piscicultura a mais municípios.

Ficou combinado que, oportunamente, o Fórum da Baixada e a Associação de Itans possam estabelecer parcerias. Inclusive, o Presidente do FDBM pretende verificar a possibilidade de uso das instalações de uma escola que fica entre os municípios de Miranda e Arari, para que sejam ensinadas as técnicas de cultivo de vários produtos, para os quais a Baixada Maranhense tem vocação e que faz parte de vários planejamentos esparsos em vários órgãos como SEBRAE, SENAR e outros.