Matinha e seu mito de criação

Matinha é uma simpática cidade, distante 240 quilômetros da capital, São Luís. Pertence à microrregião da Baixada Maranhense, possui uma população estimada em 22 mil habitantes, foi desmembrada do município de Viana, e teve sua emancipação política em 15 de fevereiro de 1949.

São 69 anos de vida, dessa   emancipação tão esperada por todos os moradores da povoação Matinha, a mata pequena. 15 de fevereiro, uma data a ser guardada em nossos corações, uma história que tem em João Amaral da Silva, o Juca Amaral, tio Juquinha, como carinhosamente o chamávamos, sua principal figura.

Segundo a Sociologia, toda sociedade, cidade ou cultura têm o seu mito de criação, que se torna simbólico, eternizado na História, assim foi com Roma, e seus gêmeos Rômulo e Remo; São Luís, com sua serpente; Viana, a índia Ana, etc; Matinha também tem a sua: A Caneta de Ouro, uma caneta de ouro puro comprada por tio Juquinha, só para que fosse assinado o ato emancipatório. Conta-se que esta valiosa caneta desapareceu misteriosamente após a evento. Verdade, mentira? Não importa, os mitos não têm o objetivo de reafirmar verdades ou mentiras, e sim demonstrar a posteridade, um aspecto marcante. da trajetória de um povo, de um herói.  É exatamente isto que este episódio representa, a abnegação, o sentimento de amor que o nosso mais ilustre conterrâneo dedicava  a sua terra, abrindo mão de custos financeiros, para alcançar seu objetivo, nossa libertação do jugo vianense.

Nesses meio século e dezenove  anos de idade, nossa terra teve como prefeitos: Manoel Antônio da Silva (prefeito nomeado); Aniceto Mariano Costa  (1º prefeito eleito); João Amaral da Silva; Benedito Silva Gomes; José Conceição Amaral; Francisco das Chagas Araújo, Raimundo Silva Costa, Pixuta (1º mandato); José Estácio Baia Silva; Aldenora Borges; Manoel de Jesus Amaral; Aristóteles Passos Araújo (1º mandato); Raimundo Silva Costa, Pixuta (2º mandato); Raimundo Freire Cutrim; Raimundo Silva Costa, Pixuta (3º mandato); Aristóteles Passos Araújo (2º e 3º mandatos (foi reeleito); Marcos Robert Silva Costa, Beto Pixuta (1º mandato); Emanoel Rodrigues Travassos, Dr. Emano; Marcos Robert Silva Costa (2º mandato) e Linielda Nunes Cunha – Linielda de Eldo.

Uma cidade com muitos filhos ilustres. No ano de 2017 alguns destes filhos fundaram a AMCAL – Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras, a denominada casa de Astolfo Serra, com objetivo de fomentar as artes e as letras do município. Matinha hoje tem no seu distrito de Itans uma referência nacional em termos de aquicultura e criação de peixes em cativeiro. Esse fator eleva atualmente o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) para 31º lugar entre as 217 cidades do Estado do Maranhão.

Texto de João Carlos da Silva Costa Leite é membro da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras (AMCAL), do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e graduando em Filosofia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).