A roça e suas histórias …

Ser criança da roça é ter seu modo peculiar de ser feliz…
Acordar no cagar dos pintos (bem cedinho);
– Bença pai, bença mãe, bença vó…
Tomar banho na água gelada da cacimba sem reclamar;
Tremer de beiços roxos de tanto frio na hora do banho (logo cedo);
Andar quilômetros para chegar na escola;
Ter os pés encardidos de tanto andar descalço;
Tomar banho de rio nos dias quentes;
Tomar banho de chuva na época das chuvas;
Fazer guerra de lama;
Descer a ladeira deslizando na caçapa de anajá;
Tirar tucum do tucunzeiro, quebrar e se deliciar com o coquinho;
Brincar de balanço;
Enterrar-se na areia e ficar só com a cabeça de fora;
Brincar de burra (geringonça feita de caule de juçareira que girava no sentido horário) até sair tonto, cambaleando;
Brincar de cavalo-cego (foto)
Ter fazendas cheias de boizinhos montados com manguinhas ou carambolas;
Comer farofa de bicho de coco babaçu;
Prender a cabra do vizinho para tirar leite (escondido dos pais);
Subir nas fruteiras para comer frutas lá em cima;
Fazer espiga de milho de bonecas (meninas);
Guardar comida para brincar de comidinha;
Colocar comida para as formigas só para vê-las levar para o Formigueiro;
Prender o besouro na flor de salsa para ouvi-lo enfurecido tentando fugir;
Conversar com as joaninhas;
Correr atrás dos Vagalumes para capturá-los;
Colocar o besouro dentro da caixa de fósforo para fazer um radinho;
Jogar sal nos sapos para vê-los sair pulando;
Virar carambella (ponta à cabeça) no Areal;
Fazer batalha com carrapatos (Mamonas);

Mas, os tempos evoluíram, e até as crianças do campo já brincam com os brinquedos industrializados.
Já não se ouve suas risadas,
Suas correrias de um lado para outro…
Agora as crianças do campo,
Já brincam como as crianças da Cidade,
Ao som eletrônico dos bips video games, jogos de computador, tablets e smartphones;
Mas da janela do seu quarto,
Ainda se pode ouvir um pássaro cantar na rua…

Enir Amorim