De Roça e Capoeira

De Roça e Capoeira

Autor Expedito Moraes *

Era outubro de 2013, verão brabo, era a terceira vez que eu visitava várias enseadas de campo da Baixada. Passei por Gameleira em direção a Regalo e Luizinho, povoados de CAJARI do lado esquerdo do Rio Pindaré.

O engenheiro e o fotógrafo que me acompanhavam tinham estado lá no mês de março quando o campo estava cheio d’água e, sobre os balcedos e tripas de vaca, havia muitas garças, socós e jaçanãs; pelo pasto verdinho o gado gordo; dentro das lagoas os búfalos só com as cabeças de fora ruminando; à beira do campo, os cabocos carregando cofos de peixes enfiados no mará ou remo sobre os ombros. Jovens e senhoras com suas tarrafas, caniços, socós e puçás já tinham àquela hora garantido a boia.

Em quase todo quintal havia uma rocinha de milho, mandioca, um feijãozinho; pés de maxixe, de melancia esparramados pelo chão; no terreiro e debaixo do jirau, galinhas e catraios mariscavam; alguns cabritos espalhados pelas moitas, os porcos fuçando tudo e os patos passeando pelas águas. Este era o cenário do mês de março para abril, o fotógrafo tinha se apaixonado pelo lugar, tirou centenas de fotos era uma pequena mostra de um paraíso ecológico.

Chegávamos agora em outubro, 6 meses depois. Pedi para o motorista parar no mesmo lugar que tínhamos parado em março. Todos desceram, ou melhor, apiaram. Disse: este é o mesmo lugar que vocês se apaixonaram. Espanto!!! O fotógrafo, depois de olhar prá todo lado, vira-se pra mim e diz: – daquilo tudo que tinha aqui só restou esse casebre?

É assim. Somente pode contar essas histórias quem é Baixadeiro. Naquele dia sai dali com a alma aturdida e um profundo sentimento de impotência. Antes de dormir naquele noite pedi a Deus que me permitisse conhecer outras pessoas dispostas a lutar pela redenção da Baixada, e pela vida desses conterrâneos.

Deus sempre nos ouve quando a causa é nobre. Na semana seguinte houve uma reunião na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar-SEDES onde o assunto eram as Barragens de Enseadas. Nessa reunião conheci Flavio Braga, que logo depois criou o Fórum da Baixada, mas já não estava sozinho. De lá pra cá cresceu, virou Sociedade de Defesa da Baixada Maranhense, já é gente grande.
E como gosta de dizer a Forense Ana Creusa, Avante Baixada.

* Expedito Nunes Moraes é natural do povoado Cachoeira em Cajari (MA). Graduado em Administração (UEMA). Foi deputado estadual entre 1995 a 1997 e empresário da construção civil. Exerceu vários cargos na administração pública do Maranhão. Presidente de Honra do Fórum da Baixada (gestão 2016/2017); 1º Vice Presidente (gestão 2019/2021) e presidente em exercício.