Consolidação de Parceria: Fórum da Baixada reúne-se com a CODEVASF

Consolidação de Parceria: Fórum da Baixada reúne-se com a CODEVASF

O Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM), desde o início do ano de 2024, vem buscando consolidar parcerias com diversos órgãos das esferas das três esferas de Governo.

Considerando-se que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba – CODEVASF tem por missão desenvolver bacias hidrográficas de forma integrada e sustentável, contribuindo para a redução das desigualdades regionais, em 22 de fevereiro de 2024, uma equipe do FDBM reuniu-se com a equipe de trabalho da CODEVASF.

Nessa reunião tomamos conhecimento do atual estágio do Projeto DIQUE DA BAIXADA, projeto que tem fundamental importância para toda a região. De um lado, evita a entrada da água salgada nos campos e igarapés (como já acontece) e, do outro possibilita o acúmulo de água da chuva durante quase o verão todo.

Ocorre que, para este projeto, ainda faltam muitas exigências a serem cumpridas, como: licenças ambientais e outros procedimentos legais. O que consideramos altamente relevante é o empenho que o ex-deputado GIL CUTRIM, agora um dos Diretores Federais da CODEVASF, ter solicitado ao atual Superintendente no Maranhão, CLOVES PAZ, incluir no alinhamento das ações da atual gestão, o Projeto dos Diques da Baixada. E muito mais satisfeitos ficamos foi sabermos que o Governador BRANDÃO já demonstrou bastante interesse pelo Projeto, pois, autorizou o Secretário da SINFRA, APARÍCIO BANDEIRA, formar com a CODEVASF uma comissão conjunta de trabalho para agilização e acompanhamento desta grande obra.

O FDBM se colocou à disposição para, de alguma forma, contribuir nessas demandas, bem como demonstrou seu interesse na construção dessa obra, que é a principal reinvindicação dos baixadeiros.

Compareceram à sede da Superintendente da 8ª Superintendência Regional da CODEVASF, o presidente do FDBM, Expedito Moraes e os forenses: Alexandre Abreu, Antônio Valente, Benito Coelho, Eduardo Castelo Branco e Narlon Santos, foram recebidos por Eduardo Madeira e Clovis Luís Paz Oliveira, Superintendente da 8ª Superintendência Regional da CODEVASF, que presidiu a reunião.

 

Ministério da Agricultura recebe o Fórum da Baixada

Ministério da Agricultura recebe o Fórum da Baixada

Dando continuidade às parcerias institucionais, na última terça-feira, dia 21 de fevereiro do ano de 2024, no gabinete do senhor Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária – SFA/MA, situado na Praça da República, nº 147, bairro Diamante, na cidade de São Luís, Estado do Maranhão, reuniram-se os representantes do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) e da SFA-MA/MAPA.

Os representantes do Fórum da Baixada realizaram uma apresentação expressa sobre os objetivos da criação do Fórum e das atividades desenvolvidas na região, citando as iniciativas de sucesso na região, como por exemplo os projetos de piscicultura em Matinhas, o projeto Bosques da Baixada, de projetos de açaí em alguns municípios, e os trabalhos desenvolvidos pela secretaria municipal de agricultura de Anajatuba.

O chefe da DDR explanou sobre as ações que estão sendo propostas para a região nos programas de fomento do MAPA. Falou também sobre fortalecer as parcerias entre as entidades parceiras e os municípios da Baixada, priorizando a organização e estruturação das Secretarias municipais. Ressaltou o potencial e a importância das culturas da piscicultura, bubalino cultura, açaí, mandioca e mel, que precisam de maior atenção para um desenvolvimento sustentável.

Foi relatado, por membros do Fórum, a possibilidade de expansão do projeto Bosques da Baixada, que tem como finalidade resgatar e valorizar as espécies tradicionais da flora dos municípios da Baixada, do projeto Itans, que está sendo trabalhado pela AGERP com parceria de outros Órgãos, que levaria a piscicultura para outros municípios da Baixada Maranhense, e sobre as atividades agrícolas desenvolvidas em campo de produção no município de Anajatuba, em destaque para a piscicultura e carcinicultura, que contribuirá para o crescimento econômico e social daquele município.

Foram apontadas as possibilidades de integração das atividades desenvolvidas pelo Fórum com os programas trabalhados pela Divisão de Desenvolvimento Rural da SFA/MA. Houve a sugestão de criação de projeto visando o desenvolvimento produtivo na região da Baixada, com participação do Fórum, SFA-MA e Embrapa. Destacou-se a importância da estruturação do corpo técnico das secretarias de agricultura dos municípios.

Encaminhamentos: 1) Agendar visita aos campos de produção no município de Anajatuba; 2) Participação da SFA-MA nas reuniões periódicas do Fórum da Baixada e; 3) Elaborar proposta de projeto para enfrentamento do período de seca na Baixada Maranhense.

Ata da Reunião produzida pelo MAPA e Lista de Participantes: Reunião MAPA 20.03.2024

 

UMA FREIRA DIRIGINDO UM BUGRE EM ALTA VELOCIDADE PERSEGUINDO UM LADRÃO

Por Expedito Moraes

O LUSITANA tinha, recentemente, inaugurado uma loja em frente à EMBRATEL onde antes funcionava um mercado popular chamado GALPÃO. Numa determinada manhã de verão, no estacionamento do supermercado, uma freira com hábito completo estaciona seu fusca creme e adentra para fazer a mercearia quinzenal da casa da irmandade que cuidava do EDUCANDÁRIO SANTO ANTÔNIO.

À proporção que ia adquirindo as compras ia colocando no carro, depois de conferidos, (nessa época, ainda podíamos deixar os carros abertos). Era tão seguro, que cometíamos o ingênuo costume de deixar a chave do carro na ignição.

Num determinado momento, a atenta, determinada e valente irmã é chamada a atenção que alguém estava roubando seu carro. Nesse momento tinha acabado de estacionar um cidadão num bugre. Ela não titubeou, entrou no bugre, fez a manobra e saiu em perseguição ao ladrão, deixando o proprietário atônito e sem entender nada.

Pois bem, o cabra ganhou rumo à avenida Kennedy e rumou em direção ao JOÃO PAULO, e ela atrás. Dizem que por onde passava chamava a atenção de todos o turbante longo voando. Uma das testemunhas que teve o privilégio de ver disse: “parecia uma louca”. Era uma cena cinematográfica impossível de ser interpretada. Não se sabe se o ladrão era ruim de velocidade, ou o carro. O fato é que o ladrão foi alcançado e só não apanhou porque correu.

Essa irmã era um exemplo de personalidade forte e decidida. Foi minha colega de turma no curso de administração.

VIAGENS PELA BAIXADA

VIAGENS PELA BAIXADA

Por Gracilene Pinto

Eu tinha apenas cinco anos. Mas, lembro-me, como se fosse hoje, da viagem que fizemos de São Vicente Ferrer para Penalva, eu, minha mãe, minha tia Maritilde e meus primos José e Sonia.

Os campos estavam cheios, por isso precisamos recorrer ao transporte fluvial. E a melhor opção era via São João Batista.

Em São João, ficamos aguardando a embarcação na casa do chefe político local, Chiquitinho Figueiredo, cuja esposa, Dona Concita, era prima da minha mãe, onde fomos recebidos com muito carinho.

Tia Concita serviu uma merenda, e queria a todo custo que esperássemos pelo almoço, que seria fígado bovino ao molho acebolado. Nesse dia, haviam matado um boi. Curiosa, que sempre fui desde pequena, enquanto as primas trocavam novidades, enveredei pelo quintal, onde descobri uma casa de forno que farinhava. Homens e mulheres ralavam mandioca, espremiam o tucupi e mexiam a massa d’agua no forno, enquanto tagarelavam, cantavam e riam.
Alí, pela primeira vez, pude ter uma ligeira noção de quanto esforço humano é desprendido para se fabricar um único quilo de farinha de mandioca.

Mas, logo mamãe veio à minha procura, porque a canoa chegara e urgia seguirmos viagem a fim de aproveitar a claridade do dia. Por isso, não esperamos pelo almoço, como tia que Concita queria.

Ela, porém, carinhosamente, preparou um “balaio” para levarmos na viagem: uma lata grande, dessas de Neston, com farinha d’agua até o meio e fígado acebolado com molho jogado sobre a farinha. À parte, uma penca grande de bananas maçãs. E, entre muitos abraços e beijos, nos despedimos dos parentes.

Corria o mês de março, e choveu o tempo todo. As roupas, embaladas em sacos, ficaram úmidas. E, foi muito desagradável dormir à noite naquela rede fria, enquanto uma chuvinha fina, mas constante, fustigava a coberta de palha de babaçu.

Pernoitamos em uma casa de jirau em uma enseada. O pessoal ofereceu-nos café e milho cozido, mas o milho já estava muito duro. Mesmo assim, não larguei a minha espiga até adormecer. Despertei com minha mãe me fazendo levantar para sacudir da rede os grãos de milho que eu ali deixara cair. Nesse momento, ouvi um homem, que dormira mais cedo que os demais, roncando e soprando. Creio que lhe faltavam os dentes frontais. Então, um outro gritou: Já pode beber, fulano! O mingau já tá frio.
Todos riram.

Ainda era madrugada quando seguimos rumo à Viana, após tomar café com farinha d’agua. Pelas dezessete horas chegamos à casa do canoeiro em uma das enseadas do lago Maracu. A esposa dele preparou um café para a merenda, enquanto esperávamos o feijão cozinhar. Comi um belo de um pandu. Mais tarde, feijão com pedaços de carne de porco salpresa e arroz. Depois, aninhada no aconchego das costelas de mamãe, dormi o sono despreocupado das crianças pequenas.

Ao alvorecer já deixamos para trás a bela Viana à caminho de Penalva, onde desembarcamos por volta das quinze horas, depois de uma viagem inesquecível, onde aguapés, vitórias-régias e outros espécimes vegetais era o plano de fundo de uma fauna, tão bela quanto diversificada, composta de jaçanãs, japiassocas, marrecas, urubu-jereba, e até jacarés, a compor, juntamente com o céu azul de carneirinhos brancos, uma aquarela divinal no espelho das águas.

Matinha: um apoteótico município

Matinha: um apoteótico município

Por Zilda Cantanhede*

                 Matinha é uma das mais belas e singelas unidades administrativas que compõe o esplendoroso mosaico do estado do Maranhão. Localizada a mais de 220 km da capital São Luís, na microrregião da Baixada Maranhense, região dos Lagos Floridos; possui 22 mil habitantes. Moradores no território de 410 km2, dividido em três grandes subterritórios, quais sejam: a Sede; a Região do Campo e a Zona Rural – conhecida como Região do Centro. É na Sede que há a maior concentração populacional, os órgãos administrativos, o setor terciário é mais expressivo. O Campo, terra de um povo trabalhador, organizado, acolhedor. Lá, predomina o empreendedorismo na piscicultura, o que eleva o município para a categoria de exportador de pescados. A região do Centro, cuja demarcação farei um recorte mais relevante, pois foi lá que nasci e vivi até minha adolescência.

          A região tem mais de 40 povoados. O perfil social das comunidades é o mesmo, a maioria é quilombola. Vivem as mesmas dores e as mesmas alegrias de um povo simples e nobre, que tem a lavoura como subsistência. Este espaço geográfico, desenho do mapa-pássaro do município, tem uma população de gigantes, dada suas condições de sobrevivência, de desafios que permeiam suas vidas e histórias. Histórias de pessoas que contribuíram de forma significativa para que chegassem ao nosso torrão as políticas públicas, sociais e alguns direitos fundamentais. Sem dúvidas, outrora, as dificuldades eram muito maiores. A falta de acesso à sede do município ou ausência de alguns mantimentos, fez deste povo, um povo forte; que traz consigo as cicatrizes que marcam bravamente seu estoicismo.

          Aos que não estão mais aqui fisicamente, porém deixaram indeléveis registros, meu reconhecimento pela honrosa e magnânima relevância na contribuição valorosa do desenvolvimento, ainda em construção… Cito algumas dessas personalidades póstumas, que tive a honra de conhecê-las:

Abílio – Tanque de Valência;

Raimundo Abel – Tanque de Valência;

Helena Frazão – Santa Isabel;

Edmilson Moraes – Preguiça Velha;

Ananias – São Felipe;

Zé de Efigênia – Santa Isabel;

Seu Gregório – São Felipe;

Maria Maia – Preguiça Nova;

Júlio Paiva – Cutias II;

Mocinha Paiva – Cutias II;

Antonio Cantanhede – Preguiça Velha;

Dorotêio – Preguiça Velha;

Felipa Paiva – Cutias III;

João de Elias – Cutias III;

Justino Cantanhede – Cutias III;

Zeca de Félix – Cutias III;

Pedrolina Cantanhede – Cutias III e Marcelino Paiva Cantanhede.

       Muitos foram os espaços que estas pessoas ocuparam, quer seja no parlamento, na saúde, na educação, cultura popular, lavoura, nas crendices populares, rezas, comércio, transporte, na empreita (junto à prefeitura) da “capina das estradas”. Ademais, havia as vozes que ecoavam e clamavam junto aos representantes do povo, para dizer-lhes as mazelas que assolavam àqueles moradores carentes de tudo!

        São cidadãos como estes que faz um município se  desenvolver. A esta geração, nossa eterna gratidão. As que aqui estão têm a responsabilidade de dar continuidade aos legados deixados por estes excelsos conterrâneos.

        Todas estas pessoas estão vivas em cada capítulo da história que faz de Matinha um lugar  de frondosos mangueirais, fazendo jus ao epíteto “Terra da Manga”, uma apoteótico município.

Hoje, um dia deveras festivo, compartilho e exalto meus sentimentos patrióticos e celebro com meus irmãos matinhenses os 75 anos de emancipação política da nossa querida Matinha.

Matinha – MA, 15 de fevereiro de 2024.

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*Maria Zilda Costa Cantanhede é baixadeira de Matinha MA, membro do Fórum da Baixada Maranhense. Vice-Presidente da Academia Matinhense de Ciências, Artes e Letras – AMCAL, ocupa a cadeira de número 19, cuja Patrona é sua própria mãe a professora Pedrolina Costa Cantanhede; Membro Correspondente da Academia Vianense de Letras – AVL e Membro da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão – SCLMA. Supervisora de Normas e Organização da Rede Integral/ SEDUC/MA/SAEPI/SUNORI; Coordenadora de Mostras e Feiras Científica do CNPq/MCTI; Pesquisadora do CNPq.

Especialista em Linguística, Educação do Campo, Educação Pobreza e Desigualdade Social; Professora da Rede Estadual de Ensino; Revisora de textos acadêmicos, Cronista, Poetisa, Articulista, Escritora com alguns textos publicados em Antologias e Revistas. Ex Gestora do IEMA São Vicente Férrer; Ex – Secretária de Educação, Juventude e Mulher – Matinha – MA. Estudante do curso de Direito.


Foto de destaque: Prefeitura Municipal de Matinha, disponível no sítio do IBGE na Internet

MATINHA 75 ANOS – Avenida Major Heráclito

MATINHA 75 ANOS – Avenida Major Heráclito

Por Aroucha Filho*

Em todo o mundo, as cidades têm referências que lhes são peculiares. Museus, monumentos, fontes, palácios, catedrais, parques, teatros, praças, etc… Esses são locais que os turistas buscam em suas visitas. 

Eu sempre busco os museus e as igrejas, como indispensáveis nas visitas aos lugares que me destino a conhecer.

 As avenidas são marcas relevantes nas cidades, assim temos: a Champs Élysées, em Paris, com seu destacado Arco do Triunfo; a 9 de Julho, em Buenos Aires, com o seu simbólico Obelisco; a Avenida da Liberdade em Lisboa, com seus 90 metros de largura; em Santiago a Avenida Libertador General O’ Higgins, mais conhecida como Avenida Alameda, com seus 8 km de extensão. Deixei a que mais frequento e adoro passear por ela, para citar por último, trata-se da Avenida Paulista, onde sempre me hospedo em São Paulo. Eu tenho uma grande atração e intimidade com a Paulista, frequento-a quando em São Paulo, diariamente. Sou um assíduo frequentador do MASP. No entanto, a Avenida que mais me encanta e me fascina é a avenida em que nasci no ano de 1951. Uma avenida mística, indelével na minha memória. Possui um simbolismo histórico, tem charme e importância na vida da cidade. Percorri todo esse caminho para referir-me à Avenida Major Heráclito Alves da Silva, na cidade de Matinha – Maranhão. Tão importante para os matinhenses quanto as supracitadas.

A Avenida Major Heráclito nasceu junto com a cidade. Os primeiros traços da urbanização da sede do município foram implantados nesse logradouro. A marcante característica urbana, que se apresenta com ruas largas, teve origem no traçado dessa avenida, irradiando esse aspecto para as demais vias que foram se abrindo com o processo de expansão urbanista da sede do município.

A Major Heráclito com os seus 1300 metros retilíneos de extensão, medindo em média 17 metros de largura, nasce na Avenida José Sarney, que até a década de 60 era denominada rua João Pessoa. Se estende até encontrar a MA 014. Antes da construção da MA 014, chegava até o portão do Campo de Aviação. O primeiro prédio era o Abrigo, local onde ficavam os passageiros para aguardar os aviões teco-teco que faziam linha (voos) para os municípios da Baixada Maranhense. Do outro lado da avenida a primeira casa era a residência do Sr. Teodomiro, bem próximo à cerca de proteção do aeroporto.

A avenida Major Heráclito foi e é a via mais importante da cidade de Matinha. Antes concentrava todos os órgãos e serviços público dos três poderes, nas esferas municipal, estadual e federal. Ficavam nesse logradouro a Coletoria Federal, a Agência de Estatística – IBGE e a agência dos Correios e Telégrafos. Meu pai era o responsável pela Agência dos Correios. 

Nesse prédio público, eu nasci, e lá morei até o ano de 1961. Depois dos Correios, nesse terreno, por iniciativa do meu pai e outros moradores, foi construído o Grêmio Recreativo Matinhense 15 de Fevereiro, que funcionou como local de realizações das festas da sociedade matinhense, por um longo período. Hoje funciona a Loja do Armazém Paraíba.

No âmbito do poder estadual, ficavam a delegacia, a cadeia, o Hospital Dr. Afonso Matos, o Grupo Escolar Joaquim Inácio Serra e a Coletoria Estadual.

O Poder Municipal, a Câmara Municipal e as Secretarias funcionavam no prédio da Prefeitura, um imponente prédio com uma entrada principal, rodeado de janelões, com uma varanda interna em formato de L. Onde hoje é a residência do ex-vereador Sr. José Bonifácio, funcionou nas décadas de 50/60 um Colégio Municipal com duas salas de aula, o Coleginho, era assim chamado por ser próximo e bem menor que o Grupo Escolar Joaquim Inácio Serra, que na época era construção de maior porte do município.

À avenida Major Heráclito funcionaram lojas comerciais expressivas para o comércio local. Na esquina da prefeitura, hoje, casa da Sra. Livramento de Zé Mário, funcionou o comércio do Sr. Antônio Neves.

Naqueles tempos Matinha não possuía “luz elétrica”, refiro-me à segunda metade dos anos 50. O comércio do Sr. Antônio Neves era o principal distribuidor de querosene, combustível utilizado para “alimentar as lamparinas”, única fonte de iluminação das residências. Era rara a residência que possuía “petromax”.

Petromax designava uma marca de lampião utilizado na iluminação das residências. Essa marca de tão popular pelo seu largo uso, ficou designativa desses utensílios domésticos. O nosso era da marca “Coleman”, mesmo assim, era um “Petromax”

Por ocasião da posse do prefeito João Amaral da Silva, o segundo prefeito eleito de Matinha, um foguete atingiu o depósito onde eram guardadas as latas de querosene, provocando um grande incêndio. O primeiro grande incêndio registrado em nosso município.

Posteriormente esse ponto comercial foi adquirido pelo Sr. João Amaral Nunes, conhecido como João Barata, onde instalou uma grande loja de tecidos, armarinho e utensílios domésticos. No outro canto funcionava o comércio do Sr. João Lima, uma mercearia e bar, com uma bela mesa de jogo de bilhar. O mais importante comércio da avenida era pertencente ao Sr. Manoel Antônio da Silva, primeiro prefeito de Matinha, nomeado para instalar o município e promover a primeira eleição. Para esse pleito, fora eleito o primeiro prefeito de Matinha, o Sr. Aniceto Mariano Costa.

Esse comércio funcionava em uma loja geminada à residência do Sr. Manoel Silva, vendia de tudo. Adquiria e exportava para São Luís gêneros produzidos ou produtos extraídos no município: amêndoas de babaçu, tucum, farinha, arroz, etc… Não sei ao certo, porém, acho, que a primeira padaria de Matinha funcionou ali nos anos de 1949 a 1953. Tinha como padeiro chefe Ribamar Muniz (Ribamar de Honório), auxiliado por Nelson Alves – recém falecido – e Francisco Gomes da Silva (Chico Padeiro).  Em seguida essa padaria foi adquirida pelo seu genro Sr. Arnaldo Lindoso, operando-a até o ano de 1963. Padaria São José. Era uma padaria avançada para a época e seus produtos eram distribuídos em todo o território do município, com destaque ao pão massa fina e massa grossa, pão doce, bolacha doce, biscoito e a famosa bolachinha. Ah! Fabricava massas frescas (macarrão).  Eu como vizinho e amigo dos seus filhos, Carlos Eduardo e Carlos Antônio, tinha como divertimento arrumar as bolachinhas na forma, antes de ir ao forno para serem assadas. E claro, nos dava o direito de deliciar uma boa porção desse tradicional produto matinhense.

As melhores casas residenciais eram as edificadas na Av. Major Heráclito, na sua grande maioria de alvenaria e telha. Tempos em que ainda predominavam as casas construídas com taipa e palha.

A avenida já ostentava um belo conjunto arquitetônico, composto pelo prédio da prefeitura, o Grupo Escolar, o prédio do hospital, o prédio dos Correios, a imponente casa do Sr. Manoel Silva, com sua bela escadaria interna e o piso em sobrado de madeira de lei. Nas imediações de onde fica a casa do Sr. Sebastião Neves, existia duas belas casas no estilo “bangalô”, as primeiras desse tipo arquitetônico, de propriedade do município, essas edificações tinham plantas bem diferentes da arquitetura local. Era um estilo arquitetônico com linhas modernas, acesso por corredor descoberto e porta ao fundo; cumeira no sentido perpendicular à avenida; teto com duas águas e sem os usuais “espigões”.

Duas barragens de contensão construídas de alvenaria existiam na avenida para evitar erosão e facilitar a acessibilidade das pessoas no período invernoso, eram implantadas no sentido longitudinal à avenida. A primeira e a maior foi construída na década de 50, e ficava frontal à Praça de Eventos. Era longa, bem construída e possuía uma grande galeria por onde escoava as águas pluviais que se acumulavam em grande volume naquela área. A outra ficava nas imediações (hoje) do Depósito Leal, tinha a mesma finalidade; não possuia galeria, apenas um recorte por onde era drenada a água que escorria do transbordamento da Baixa de Crisóstomo. As águas dali alimentavam o Igarapé de Pito; a da outra barragem, o Igarapé do Gongo.

Em uma noite da década de 50, em procissão iluminada por velas, a comunidade católica saindo da Igreja de São Sebastião, conduzindo uma grande cruz, eu participei desse evento religioso, seguiram até às imediações da Padaria de Benedito de João Lima, e implantaram uma grande cruz de madeira, na cor ocre, bem no centro da avenida. Era um grande monumento da fé. Todos chamavam: O Cruzeiro. A intenção dos fiéis que caminharam nessa procissão, era, a exemplo do Cristo Redentor, monumento do Rio de Janeiro, deixar registrado um marco da fé ao cristianismo simbolizado por essa grande cruz.

Ali permaneceu por décadas. Sentados em sua base com dois degraus, reunia moradores para longas conversas de final de tarde.  Lamentavelmente não foi preservado.

O primeiro Mercado de Matinha também funcionou na Major Heráclito, era próximo à esquina da Prefeitura.

Enfim, essa larga e elegante avenida carrega o maior simbolismo urbano da nossa cidade.

Nessa avenida eu vivi alegre e feliz toda a minha infância, guardo até hoje as amizades, desta tão significativa fase da minha vida.

Todas as brincadeiras permitidas pratiquei nesse belo logradouro, joguei bola, empinei papagaio, andei de perna de pau, rodei ladeira a baixo dentro de pneus, joguei bolinha de vidro, pião feito de coco babaçu, jogo de chucho, banhei na Baixa de Crisóstomo, andei de bicicleta. Fiz muitas estrepolias por ali.

Hoje em homenagem aos 75 anos de emancipação política de Matinha, falar dessa imponente Avenida é o meu contentamento.

Parabéns Matinha!

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José Ribamar Aroucha Filho (Arouchinha) é natural do município de Matinha-MA, Engenheiro Agrônomo aposentado do INCRA, exerceu os cargos de Executor do Projeto Fundiário do Vale do Pindaré e Executor do Projeto Colonização Barra do Corda. Ex Superintendente do INCRA Maranhão. Foi Superintendente da OCEMA e Chefe de Gabinete da SAGRIMA.

O Fórum da Baixada se reúne com o Superintendente da Agricultura

O Fórum da Baixada se reúne com o Superintendente da Agricultura

Conforme Ata da Reunião, ocorrida aos dezoito dias do mês de janeiro do ano de 2024, na sala de reunião da Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária – SFA/MA, situada a Praça da República, nº 147, bairro Diamante, na cidade de São Luís, Estado do Maranhão, reuniram-se representantes da SFA/MA e do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM).

Inicialmente, os representantes do Fórum da Baixada relataram os problemas sazonais de seca e alagamento enfrentados pelas comunidades locais e a necessidade de implantação de planos de enfrentamento destes problemas, visando o desenvolvimento econômico e social da região.

Também foi informado sobre projetos de dragagem em igarapés e um estudo realizado em 2018 que identificou 103 pontos favoráveis para barragem da água da chuva. Houve uma apresentação geral sobre as ações da Divisão de Desenvolvimento Rural, acerca dos Planos: ABC+; Amazônia Sustentável; Agro Nordeste e Indicação Geográfica.

Encaminhamentos: 1) Envio de apresentação das atividades desenvolvidas pelo Fórum da Baixada; 2) Incluir o Fórum da Baixada nos programas ABC+ e Amazônia Sustentável e Agendar reunião para apresentação detalhada dos programas desenvolvidos pela Divisão de Desenvolvimento Rural.

Participaram da Reunião: Wellington Reis Sousa, Dario Erre Rodrigues, Ana Isabela Lima Ribeiro e Letícia Raquel Silva Sousa, pela SFA/MA; Expedito Nunes Moraes e Antônio Lobato Valente, pelo FDBM.

O FDBM encaminhou Ofício ao Sr. Superintendente, acompanhado do Portifólio das principais ações desenvolvidas pela Instituição, solicitando parceria com a Superintendência. Posteriormente, a SFA/MA marcou nova reunião para o dia 21 de fevereiro do corrente ano, para detalhamento das solicitações.

Ofício ao Ministério da Agricultura

Portifólio do FDBM

 

Plano de enfrentamento da seca e alagamento da Baixada Maranhense

Plano de enfrentamento da seca e alagamento da Baixada Maranhense

Ontem (24/01/2024), ocorreu a segunda reunião para definirmos os eixos que deverão constar num Plano de enfrentamento da seca e alagamento da nossa Região. Nas instalações do MULTICENTER SEBRAE, participaram: o consultor do SEBRAE Dr. Tadeu, Expedito, Valente, Eduardo, Lorena, Alexandre, César, Valmir e Silveira. Foram discutidas várias questões direcionadas às soluções das causas da seca na Baixada.

O engenheiro Civil e vice-presidente do Fórum da Baixada, ANTÔNIO VALENTE apresentou um diagnóstico e parecer que foi discutido e acordado por todos. Agora, estamos disponibilizando aos companheiros para analisá-lo, sugerir ou aprová-lo. É provável que este documento seja transformado, aperfeiçoado e formatado, todo ou em parte, para ser apresentado ao GOVERNADOR num encontro no qual, além da peça escrita, deverá ser acompanhada de um audiovisual.

Lembramos que este Plano se refere, exclusivamente, ao enfrentamento da seca, cheias e suas consequências. Outros projetos que tanto necessitamos prosseguiremos com os que já foram aprovados no início da Gestão do Flávio Braga.
OBS. Pretendemos estar com esta apresentação montada até o dia 5/2/24.
Precisamos coletar fotos, vídeos, áudios, etc. sobre o tema.

Expedito Moraes

Presidente do FDBM

Presidente do FDBM, Expedito Moares, convida para reunião de Planejamento

Presidente do FDBM, Expedito Moares, convida para reunião de Planejamento

“O desenvolvimento regional compreende um esforço das sociedades locais na formulação de políticas regionais com o intuito de discutir as questões que tornem a região sujeito de seu processo de desenvolvimento”. Rodolfo Alves Pena

O presidente do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM) convoca para reunião de Planejamento que se dará com a assessoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/MA), nos seguintes termos:

Prezados Companheiros Forenses,

  1. REUNIÃO: DIREÇÃO DO FORUM/SEBRAE
  2. OBJETIVO: Traçar as Diretrizes básicas. (Diretrizes: servem para orientar a tomada de decisões e ações em determinada área, processo ou atividade. Elas têm como propósito principal garantir a qualidade, eficiência e segurança nas práticas desenvolvidas, além de promover uma uniformidade e padronização que facilitem a gestão e controle dos processos.), ou seja construir um Plano eficaz e possível;
  3. LOCAL: MULTICENTER SEBRAE ao lado do Centro de Convenções e Assembleia Legislativa;
  4. DIA E HORÁRIO: 12.01.24 (sexta feira), das 16 às 18 HORAS

Os nossos ancestrais, assim como nós, conviveram e convivem com os flagelos das secas e enchentes na nossa região por séculos. É possível solucionar isto? Eu acredito que sim. Como? Essa resposta é que pretendemos ter num ou vários em encontros com técnicos, estudiosos, nativos, gestores municipais, estaduais, federais, universidades, etc. A  ideia é definir um Plano para execução a curto, médio e longo prazo. Esse plano deverá fazer parte do Plano de Estado.

De posse desse Plano teremos resposta para, entre outras coisas, responder perguntas que há pouco foram feitas pelo nosso Governador aos baixadeiros: “…digam o que eu posso fazer?”. Porém, os nossos representantes, também, não sabem. E nem nós sabemos responder como podem ser feitas obras estruturantes de que necessitamos. Só sabemos que temos que apresentar um Plano, Programa e Projeto, para isso temos que nos dispor a formulá-los, pois:

O PLANO 

É mais abrangente e geral;

Deve contemplar as linhas políticas, estratégias e diretrizes;

Marco de referência para estudos setoriais e/ou regionais para subsidiar a elaboração de programas e projetos específicos;

Deve sistematizar objetivos e metas;

Deve contemplar os tipos e a magnitude dos recursos humanos, físico e instrumentais indispensáveis, acompanhados, sempre que possível, de cronograma;

Deve atribuir responsabilidades de execução, controle e avaliação dos resultados;

Deve especificar as fontes e/ou modalidades de financiamento;

Maior nível de agregação de decisões.

PROGRAMA 

É o desdobramento do plano;

Os objetivos setoriais do plano constituirão os objetivos gerais do programa;

Permite projeções mais detalhadas;

Deve conter a estratégia e a dinâmica de trabalho a serem adotadas para a realização do programa;

Contempla as atividades e os projetos que comporão o programa, bem como os recursos humanos, físicos e materiais a serem mobilizados.

PROJETO 

Sistematiza e estabelece o traçado prévio da operação de um conjunto de ações;

Proposição de produção de algum bem ou serviço, com emprego de técnicas determinadas, com a finalidade de obter resultados definidos em um período temporal específico e conforme limite de recursos;

É a menor unidade do processo de planejamento;

Executa empreendimentos mais específicos;

Deve haver simplicidade e clareza na redação e

Descreve cada operação da ação.

Para tanto, necessitamos de ajuda profissional. Nesse sentindo contamos com a ajuda do SEBRAE, nosso parceiro que nos reuniremos no dia 12/01/2024 (sexta-feira), para início à elaboração dos referidos documentos.

 

Respeitosamente,

Expedito Moraes

Presidente do FDBM

PASSEIO PELA BAIXADA MARANHENSE

PASSEIO PELA BAIXADA MARANHENSE

A Baixada no olhar de João Silveira*

Fui dar um pulo na Baxada,
Começando pur Arari,
Ondi cumi melancia
E travessei o miarim.
Passei drento de Vitória,
Mar num achei nada ali.
Ino in Garapé do Meio
Pro mode cumprá farinha,
Arresorvi i in Monção
Ispiá o que lá tinha,
E travessei pra Cajari,
Cidade piquinininha.
Peguei no rumo de Viana
Pra vê se um peixe eu cumia,
Mar de peixe num achei nada,
Lá só tinha carestia.
Daí rumei pra Penalva,

Lugar de boa cachaça,
Terra de bom pescadô,
Cabôco bom de tarrafa.
Num cheguei in Jacaré,
Pois num dava pra ir de a pé
E carro pra lá num passa.
Desci pa Pedo do Rosário,
Mar de lá tive que vortá
Pra incurtá o caminho
E por Matinha passar,
Pra mode cumê u’as mangas,
Qui é produto do lugar.
Seguindo no rumo da venta,
Em Olinda Nova eu parei,
Mas resorvi i adiante
E em São João armoceí.
Terra de caboco home,
Grandes criador de gado.

Lá tem muita gente grande,
Muito cabra indinherado.
Disimbargador e médico,
Já deu inté deputado.
Mar, dizem que a aligria
É quando o boi tá laçado.
Deichando São João Batista,
Pra São Vicente eu rumei,
Quiria cumê carambola,
Pena que num encontrei.
Num sei se num era tempo,
Ou foi um azar que eu dei.
Sai no rumo do campo,
Pra viage continuar.

Passei pur Bacurituba
Mar lá num quis incostar.
Fui inté Cajapió,
Tinha praga pra daná,
Vortei pur riba do rasto
Pra pernoitar in São Bento,
Cumeno um queijinho bom,
Saboreando um mussum
E arroz cum jaçanã dento…
Mar num achei nada disso
Pur lá in lugar ninhum.
Andei, andei… e só vi mermo
Um pução e muinto anum.
Pensei qui in Parmeirândia
Pudesse me arrumar.
Ou mesmo in Peri Mirim,
Qui diz qui é piquinininha,
Mar, eu acho qui né tanto assim.
Entonce, indo adiante
Fui batê in Bequimão,
Cidade bem cuidadinha.

Pur nosso amigo João.
Diz que tem té ponte nova,
Mar pur lá num passei não.
Dali, vortei pra Pinheiro
A princesa da Baixada,
Que, se num é das mais bela,
Mar é uma cidade arretada.
O seu povo todo é rico
E a cidade abastada.
Não pude dechá de ir
In Prisidente Sarney,
U’a cidade pequena
Que fica naquele mei.
Na sagrada Santa Helena,
Da bera do rio vortei.
Pur curpa da Geografia
Eu num fui ao litoral.
Nim Guimarães, Porto Rico,
Cururupu e Cedral,

Muinto meno in Central,
Qui já num son mar Baixada,
Sigundo os intelectual.
Me discurpe os cumpanhero,
Os verso de pé quebrado
I a viage mal’arrumada.
Tava sem tempo i dinhero,
Mar cum o peito apertado
De sardade da Baixada.

(*João Silveira é piscicultor, natural de Matinha – Maranhão, membro fundador do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM).